Abertura 140 caracteres 08/01/2014


Mostra 140 caracteres tem abertura em 28/01 a partir das 20h.

Curadoria coletiva assina exposição ‘140 caracteres’, no MAM, inspirada nas redes sociais e no recente cenário de protestos pelo Brasil, com abertura no dia 28 de janeiro

Com coordenação do curador do museu Felipe Chaimovich, grupo de alunos que participou do primeiro Laboratório de Curadoria, em 2013, selecionou, em conjunto, as 140 obras do acervo que fazem parte da mostra

Um coletivo de pessoas tem sua autoria individual diluída em prol de ações conjuntas. Recentemente, a premissa ganhou força nas redes sociais, com grupos formados no ambiente da web compartilhando pensamentos e opiniões, e nas manifestações de rua, em que indivíduos perdem a identidade na multidão para fortalecer as causas reivindicadas. Alinhada com esta ideia, a exposição 140 caracteres, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, foi pensada por 20 curadores, que, em consenso, chegaram ao conceito do projeto e selecionaram 140 obras do acervo do museu para compor a mostra. Sob a coordenação do curador do MAM Felipe Chaimovich, 140 caracteres será inaugurada no dia 28 de janeiro.

Com integrantes de idades e formações diferentes, esse grupo participou do primeiro Laboratório de Curadoria, realizado pelo MAM Educativo e ministrado por Chaimovich ao longo de 2013. Assim como acontecem com os outros cursos promovidos pelo Educativo, a proposta era que não houvesse uma pré-seleção para o ingresso dos alunos, podendo se inscrever interessados em geral, não necessariamente profissionais ligados à arte. “Essa diversidade funcionou bem”, aprova o curador do museu.

Os debates e os exercícios aplicados durante o laboratório, somados à onda de protestos pelo Brasil – e sua forte reverberação também na internet -, conduziram os alunos a um encadeamento de ideias: mobilizações populares-redes sociais-twitter-140 caracteres. “Isso revelou a chave para se selecionar as 140 obras”, diz Chaimovich. E também para definir os temas que dariam norte à mostra. Em cartaz até dia 16 de março, a exposição ocupará a Grande Sala e a Sala Paulo Figueiredo, configurando, na prática, uma divisão histórica dos trabalhos escolhidos.

Na Grande Sala, estarão compiladas, em núcleos, obras contemporâneas relacionadas a assuntos da atualidade, criando um espaço mais vinculado à antropologia urbana e à política do que à história da arte. No núcleo de máscaras, por exemplo, as peças escolhidas no acervo fazem alusão às máscaras usadas por diversos grupos durante as manifestações populares. Ainda no espaço, destacam-se outros trabalhos, como Máquina curatorial, de Nicolás Guagnini, Telhado, de Marepe, Uma vista, de Cássio Vasconcellos, e Ato único, de Iran do Espírito Santo.

Fazendo uma contraposição política, a Sala Paulo Figueiredo reunirá trabalhos do período da ditadura militar no Brasil – uma maneira também de lembrar os 50 anos do Golpe Militar de 1964. Nessa seção, uma parede inteira, do chão ao teto, será tomada por obras daquele momento histórico. Diante dessa parede, dois trabalhos, mais contemporâneos, ocuparão a mesma sala. Um deles será Problemas Nacionales (2012), de Jonathas de Andrade, uma impressão sobre placa de acrílico, que ficará repousado sobre uma escrivaninha de escritório. Espera-se que os visitantes interajam com a obra, tirando fotos com ela e postando-as nas redes sociais, como Instagram, Facebook e Twitter.  O outro, Transestatal (2006), consiste em uma instalação de Marcelo Cidade, composta por entulhos, plástico, madeira, tijolos, cimento, bebida alcóolica, mangueira e bomba d’água.

“A exposição 140 caracteres é reflexo da mobilização por meio das mídias sociais, como aparato político e reflexão social sobre o que aconteceu em junho, em comparação com a ditadura”, define Felipe Chaimovich.

O processo no Laboratório de Curadoria

O primeiro Laboratório de Curadoria ocorreu de março a dezembro de 2013, com recesso em julho. Com duração de cerca de dois meses, a primeira parte se baseou na antropologia, através da análise de texto do livro Pensamento Selvagem, de Lévi-Strauss.

Na segunda fase, os alunos tiveram aulas de redação a partir do método dialético, que foca na oposição de ideias que levam a outras ideias, por meio da tríade ‘tese, antítese e síntese’. Com base nesse exercício, todos escreveram uma redação, com temas diversos. Em um terceiro momento, a turma se dividiu em três subgrupos e, em cada um deles, foi eleita uma redação. As três teses eleitas ganharam mais duas antíteses feitas pelos dois grupos complementares, totalizando uma combinatória de nove opções. Foram então escolhidas, por votação, uma tese e uma antítese, encerrando-se, assim, esse ciclo.

De volta às aulas, no segundo semestre, o grupo entrou na etapa de estruturar a exposição. Juntos, chegaram à definição das 140 obras do acervo para compor a mostra. Além disso, cada um ficou responsável por escrever sete legendas comentadas, que serão fixadas próximas das respectivas obras, descrevendo-as e contextualizando-as dentro da exposição. E, claro, nenhum dos textos virá assinado. Afinal, essa é uma mostra coletiva, que não assinala autorias.

Para vivenciar plenamente o museu, os 20 alunos/curadores foram distribuídos em várias tarefas, em áreas como curadoria, acervo, captação de patrocínio, marketing, educativo e jurídico. “Desde o início, isso foi o foco do laboratório”, conta Chaimovich. “A exposição em si é uma das etapas do processo, não só o resultado.”

 

O MAM está no Google Art Project

Acesse: www.googleartproject.com/collection/museu-de-arte-moderna-de-sao-paulo/

 

SERVIÇO:

140 caracteres – Grande Sala e Sala Paulo Figueiredo

Curadoria coletiva
Coordenação: Felipe Chaimovich
Abertura: 28 de janeiro de 2014 (terça-feira), a partir das 20h
Visitação: até 16 de março de 2014
Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo
Endereço: Parque do Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3)
Horários: Terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)
tel (11) 5085-1300

Entrada gratuita
Agendamento gratuito de visitas em grupo pelo tel. 5085-1313 e e-mail:
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Estacionamento no local (Zona Azul: R$ 3 por 2h)
Acesso para pessoas com deficiência
Restaurante / café
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