Chamada aberta para participação na performance Blank Placard Dance, Replay 25/10/2018


Recriação da performance Blank Placard Dance (1967) de Anna Halprin, pela coreógrafa francesa Anne Collod com colaboração artística de Cécile Proust. Realizada em diversos países como França, Espanha, Suíça, Alemanha e Canadá, a proposta convida os mais diversos interessados por uma experiência artística a compor uma marcha, ao som de uma banda, a ser realizada no Parque Ibirapuera nos dias 24 e 25 de novembro às 15h partindo do MAM. Você gostaria de ser um dos performers?

A cada país onde a performance é executada tanto o repertório musical da banda quanto os participantes retratam muito da realidade ali vivida. Portanto, nesta edição em São Paulo, a marcha contemplará a diversidade de corpos que existe no Brasil, convocando a representatividade das etnias, ancestralidades, identidades de gênero e corpos dissidentes.

Não é necessária experiência com dança e/ou performance. Aberto a todos os públicos e todos os corpos. Basta ter mais de 18 anos para se voluntariar e ter disponibilidade para ensaios noturnos (dias 21, 22 e 23/11) e para as apresentações no período da tarde (dias 24 e 25/11).

Realização Institut Français Paris, Institut Français du Brésil, Consulado Geral da França em São Paulo, e Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Sobre a performance
Em diálogo com Anna Halprin, Anne Collod recria a coreografia do American Blank Placard Dance, executada em 1967 em São Francisco em reação e resposta à guerra do Vietnã e à agitação social nos EUA, com os integrantes do San Francisco Dancers Workshop, grupo que Anna Halprin fundou.

Esta performance é realizada por voluntários (manifestantes-performers) carregando cartazes e marchando silenciosamente pelas ruas movimentadas da cidade. Quando as pessoas perguntam “Sobre o que você está protestando?”, os manifestantes respondem “O que você quer protestar?”. E assim coletam suas respostas. Sempre acompanhados por uma banda que dá ritmo à marcha coreografada com um repertório de música de protesto.

Esta performance é emblemática no ciclo de trabalho que Anna Halprin desenvolveu a partir de 1965. Ela explora a dimensão política da performance e sua inscrição no espaço urbano, na encruzilhada do acontecimento, teatro de rua e arte ativista. Ela procura testar restrições sociais e institucionais, para incomodar a fronteira entre artistas e público e encorajar a experiência direta como um compromisso tanto artístico quanto político.

Com a Blank Placard Dance, Replay, esta pequena utopia em andamento, interrompida pela polícia nos anos sessenta, continua a ativar o espírito de luta de Halprin, e questiona com força e delicadeza a arte da manifestação de hoje.

Anna Halprin, nascida em 1920, é uma figura importante da dança pós-moderna americana. Ela foi uma das principais experimentadoras na Califórnia entre os anos 1950 e 1960 e pioneira no uso da dança como técnica de cura e fonte de experiência ritual. Em 1955, ela fundou a Oficina dos Dançarinos, um grupo interdisciplinar de artistas e intérpretes. Seu uso de improvisação, interações entre artista e ambiente, vínculos entre arte e sociedade criaram uma nova área para artistas de vanguarda e influenciaram vários coreógrafos de Judson, incluindo Yvonne Rainer e Trisha Brown. Desde a década de 1970, quando foi diagnosticada com câncer, desenvolveu um “processo de visualização psicocinética” para abordar seu tratamento holisticamente. A partir disto ela ministrou oficinas para pessoas que vivem com câncer, AIDS e outras doenças potencialmente fatais. Nas últimas décadas, ela se concentrou em rituais com pessoas comuns sobre questões da vida real. Aos 97 anos, ela ainda dança, cria e ensina. Suas muitas honras incluem o Doris Duke Impact Award e Isadora Duncan Dance Award em 2014, bem como prêmios anteriores do National Endowment for the Arts, Fundação Guggenheim, American Dance Festival, Universidade de Wisconsin, e a Fundação San Francisco.

Anne Collod é dançarina e coreógrafa contemporânea francesa, formada em biologia e ciências ambientais. Dançou para vários coreógrafos e iniciou seu próprio trabalho focado nos tópicos de reinterpretação de grandes obras de dança do passado e nas utopias do coletivo. Em seus projetos, ela liga desempenho, pesquisa e ensino. Recebeu um Bessie Award em 2009 por sua reinterpretação do Halprin’s Parades & Changes (1965), e é a beneficiária do programa francês Villa Medicis Hors les Murs, e possui certificado na técnica de Feldenkrais.

Cécile Proust é uma coreógrafa que questiona construções de gênero no trabalho e a partir disto criou inúmeras apresentações. Possui mestrado na Sciences Po Programa Experimental em Arte e Política, dirigido por Bruno Latour. Colabora regularmente com Anne Collod.

 

Inscrições aqui e mais informações pelo telefone 11 5085 1315.

 

Foto: Hervé Véronèse/Centre Pompidou