Lady Warhol 16 ABR - 23 JUN, 2013


Curadoria: Christopher Makos
Sala Paulo Figueiredo

No início da década de 1980, Andy Warhol e eu resolvemos fazer uma colaboração conjunta em um projeto. Havia um entendimento perfeito entre nós. Reprimidos sexualmente por uma educação católica muito preconceituosa, nós dois encarávamos a vida e o mundo da mesma maneira, e ambos nos beneficiamos de nosso relacionamento.

Andy e eu também adorávamos Duchamp, Dalí e Man Ray, todos surrealistas. Eu sabia que algumas pessoas consideravam Andy um dadaísta de tempos posteriores, e eu enxerguei com clareza que devia tomar como ponto de partida a famosa fotografia de 1921 em que Man Ray retratou Duchamp usando chapéu de mulher e vestido. Eles chamaram essa colaboração de Rrose Selavy.

Ficou claro que qualquer colaboração teria que explorar as nossas próprias referências culturais e não apenas expressar uma cópia do trabalho Rrose Selavy, de sessenta anos antes. Fiquei imaginando como lidar com esse limite tênue entre o “roubo” da citação e a “criatividade” de encontrar inspiração no trabalho de outrem.

Resolvemos fotografar o rosto e o cabelo e manter o uniforme comum de Andy na época: jeans, camisa social, gravata quadriculada e bota de caubói. Tínhamos certeza de que a maquiagem facial e a peruca fariam um bom contraste com a gravata e o jeans, que por sua vez iriam amenizar a caricatura feminina. Ficou claro que precisávamos de perucas novas, e Andy obviamente sabia onde encontrá-las.

O primeiro dia da sessão de fotos chegou, e só então percebemos como um pouco de maquiagem e uma expressão calculada não seriam suficientes para transformar um homem em referência de mulher. Por isso, decidimos fazer duas sessões distintas: na primeira, Andy chegou maquiado à mesma maneira das mulheres que ele retratava por encomenda. Nessas fotos, ele tem as mesmas expressões perdidas das senhoras ricas que sempre fotografava. Depois fizemos as sessões glamorosas. Com a ajuda de um maquiador profissional de teatro, Andy se transformou em uma extraordinária Altered Image [imagem alterada].

Oito perucas, dois dias de poses, dezesseis folhas de contato, 349 imagens. Nós tínhamos juntado e misturado elementos estilísticos para expressar uma sexualidade ambígua, dando atenção à confusão de gêneros sexuais e aos estilos de vida alternativos e não conformistas que estavam começando a surgir em Nova York no final da década de 1970.

Levando em conta o estado emocional da cultura por todo o mundo em 2009, as imagens Mistaken Identity, criadas em 1981, continuam falando com eloquência ao observador contemporâneo. Para mim, elas continuam me lembrando Man Ray, minha maior inspiração, e Andy Warhol, meu maior modelo e amigo.

Christopher Makos

Outubro de 2009

Nova York

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