curso online | Artes visuais e o pensamento decolonial com Renata Felinto


Recomende esse curso


Datas: 05, 12, 19, 26 de março, 09, 16, 23, 30 de abril de 2021
Inscrições encerradas

Público: interessados em geral 

Duração: 08 encontros

Curso completo: R$ 600,00 em até 03 vezes

Aula avulsa: R$ 80,00

 

Os encontros propõem a afirmação de que o conceito de decolonialidade pode ser recente, mas a sua prática já existia, só não estava nomeada anteriormente. Abrangeremos no curso os séculos 20 e 21 sem buscar esgotar a discussão. 

O curso apresenta pensadores/as afro-brasileiros/as que propõem caminhos para se pensar e compreender a formação da sociedade brasileira a partir da análise das relações étnico-raciais. Consideramos que tais análises acenam para o “alvorecer” de um pensamento de decolonial na medida em que essa intelectualidade negra elabora outras e novas leituras sobre ser e estar no Brasil como pessoas negras a partir da crítica à colonialidade intrínseca aos nossos modos de viver. 

A essas reflexões estabeleceremos paralelos com a produção de artes visuais e como artistas afro-brasileiros/as buscaram uma inserção no sistema da arte a partir da subversão sutil ou radical de cânones excludentes por serem eurocêntricos.

 

Programação*

Aula 01 | (05/03) A colonização preta: do pensar e do criar a partir dos cânones ocidentais (aula concluída)

Considerando o pensamento de Manuel Querino sobre a participação fundamental do “colono preto como fator civilizador do Brasil” (1918) e, portanto, à refutação da perspectiva da população afro-brasileira como impeditiva para o progresso da nação, relacionaremos essas ideias com o interesse de Arthur Timótheo da Costa tanto por retratar as pessoas de seu grupo étnico-racial, quanto por seu pioneirismo ao incorporar outras soluções pictóricas em suas obras a partir do seu contato com a arte europeia do início do século 20.

 

Aula 02 | (12/03) Visualidades acadêmicas elaboradas por “homens de cor” (aula concluída)

Contextualizando os desafios de inserção de “homens de cor” no campo de trabalho profissional em artes visuais apresentaremos as biografias, as obras e os empreendimentos desses artistas acadêmicos a fim de garantir suas sobrevivências, que vão da fundação de escolas a viagens ao exterior para aprimoramento técnico, dentre os artistas estão Antônio Firmino Monteiro, Antônio Rafael Pinto Bandeira, Estevão Roberto da Silva e João Timótheo da Costa.

 

Aula 03 | (19/03) O questionamento da abordagem modernista de “negro-tema” em oposição ao “negro-vida” (aula concluída)

Apresentando a pesquisa de Alberto Guerreiro Ramos que considera que o racismo é uma “patologia social” que acomete a branquitude, relacionaremos esse ponto de vista à produção do pintor Wilson Tibério que passa a investigar e registrar a vida das pessoas de seu grupo étnico-racial livre dos estereótipos cunhados pelo colonialismo como forma de interdição.

 

Aula 04 | (26/03) As artes visuais como lugar de crônica e de celebração do “negro-vida” (aula concluída)

Apresentaremos artistas visuais que conquistaram uma consciência de grupo que se estende do campo das relações sociais para o da criação artística. Ainda que algumas dessas pessoas ainda possuam em seus discursos resquícios de um entendimento de Brasil como lugar da democracia racial, também encontramos representação e idealizações da vida da população afrodescendente que se permite os “modos de viver negros”, como dizia Makota Valdina Pinto. Entre os nomes abordados estão Agnaldo Manuel dos Santos, Heitor dos Prazeres, Maria Auxiliadora da Silva e Raquel Trindade.

 

Dia 02/04 | Feriado, não haverá aula 

 

Aula 05 | (09/04) Insurreições entre riscos e escritos de artistas pensadores (aula concluída)

A partir de escritos de Abdias Nascimento e Rubem Valentim observaremos como conceitos de cor/raça, cultura e estética são relacionados por esses pensadores, com a finalidade de encontrar e/ou de formular estéticas fundamentadas em um arcabouço intelectual que reforça a formulação de uma unidade afro-diaspórica no mundo ocidentalizado. Traremos também como esse cenário estimula Abdias Nascimento na concepção de um Museu de Arte Negra.

 

Aula 06 | (16/04) Os diálogos intelectuais e artísticos entre a negritude e a academia (aula concluída)

Aqui trataremos de como a Academia, enquanto local de construção e de validação de conhecimento, recepciona e se relaciona com um pioneiro grupo de artistas visuais formados/as a partir de seus cânones e interessados/as em construir e modificar uma realidade excludente à população afrodescendente não somente a partir das criações artísticas, mas também da educação, da escrita, da reunião de conhecimento material e documento via colecionismo. Dentre essas pessoas estão Emanoel Araujo, Deoscóredes Maximiliano dos Santos ou Mestre Didi, Maria Lídia Magliani e YêdaMaria.

 

Aula 07 | (23/04) “Nome e sobrenome”: mulheres negras e outras abordagens históricas (aula concluída)

A feminista, antropóloga, historiadora e filósofa Lélia González dizia que “negro tem que ter nome e sobrenome” como forma de nos afastar da homogeneização imposta pela desumanização pautada na cor/raça. Com essa frase percebemos como a autora chama atenção ao apagamento histórico das identidades individuais de pessoas negras como protagonistas históricas. A partir dessa premissa abordaremos Rosana Paulino e sua pesquisa por compreender as relações étnico-raciais no Brasil de hoje, analisando e denunciando o anonimato desse grupo presente em registros fotográficos históricos, com especial atenção aos registros e mulheres.

 

Aula 08 | (30/04) “Nós falaremos por nós”: o rompimento com as cosmovisões eurocêntricas (aula concluída)

Considerando o autorretrato de Sidney Amaral “Gargalheira – quem falará por nós?” (2014), apresentaremos um grupo de artistas visuais que tem realizado trajetórias biográficas e artísticas que apresentam outras formas de compreensão do processo criativo, que não necessariamente, configuram-se como continuidades da linha do tempo europeia, mas também apresentam ruptura a fim de abarcar as experiências e subjetividades do ser pessoa afrodescendente no Brasil contemporâneo. Entre o grupo de artistas que destacaremos estão Janaina Barros e Wagner Leite Viana, Priscila Rezende, Ventura Profana, Paulo Nazareth e o já mencionado Sidney Amaral.

 

Renata Aparecida Felinto dos Santos. São Paulo 1978/ Vive no Crato. Doutora e Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP e especialista em Curadoria e Educação em Museus de Arte pelo Museu de Arte Contemporânea da USP. Artista visual e professora adjunta da Universidade Regional do Cariri/CE e líder do Grupo de Pesquisa NZINGA – Novos Ziriguiduns (Inter)Nacionais Gerados na Arte. Trabalhou na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Instituto Itaú Cultural, Centro Cultural São Paulo, SESC, SESI / FIESP. Coordenou o Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil · Curadora da 15ª Bienal Naïfs do Brasil do SESC Piracicaba juntamente com Ana Avelar · Curadora Educativa da 15ª Bienal Naïfs do Brasil do SESC Piracicaba juntamente com Maria Macêdo.

 

Sócios do MAM têm 20% de desconto. Faça parte!

Estudantes, professores e aposentados tem 10% de desconto

 

Ao se inscrever no curso, você tem direito a um catálogo do mam sp. O catálogo só pode ser retirado presencialmente na recepção do museu apenas nos dias e horários em que o museu estiver aberto seguindo os protocolos da covid-19, a partir do dia 10/03/2021. Apenas um catálogo por pessoa. O catálogo é escolhido previamente pela instituição. Os catálogos não poderão ser enviados pelo correio.

 

Dúvidas:

cursos@mam.org.br 

WhatsApp: 11 99774 3987

 

Crédito da imagem: Rosana Paulino, sem título da série Bastidores, 1997. Coleção mam

 

*Curso online ao vivo via plataforma de videoconferência. Aulas gravadas disponibilizadas somente aos inscritos e por tempo determinado.
Ao participar desta atividade/evento, você autoriza, de forma gratuita e definitiva, o MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, a utilizar sua imagem, voz, dados biográficos e sinais característicos, captados em vídeo, áudio, fotografia e prints, para fins de registro, divulgação e promoção das atividades do Museu, em quaisquer meios, veículos, suportes, mídias, métodos e tecnologias, tangíveis ou intangíveis. Caso você não queira que sua imagem seja divulgada, por favor informar o MAM (cursos@mam.org.br). Em alguns cursos as aulas que acontecem na plataforma Zoom poderão são gravadas e disponibilizadas somente aos participantes dessas respectivas aulas com prazo de expiração. O conteúdo da gravação é protegido por direitos autorais e o acesso é permitido unicamente para fins de estudo e de uso exclusivo do participante impossibilitando a sua divulgação ou compartilhamento com terceiros.