Qual é a relação entre o design e a arte contemporânea? De que forma os museus de arte moderna contribuíram, e ainda contribuem, para expor, colecionar e interpretar produções que muitas vezes escapam às divisões rígidas entre obra, objeto e imagem? Partindo dessas questões, a quinta edição do MAM Debate, intitulado Design e o museu moderno, se dedica aos encontros entre design, modernidade, museus e a produção contemporânea, pensando o design como um campo fundamental para a formação dos imaginários modernos e para a compreensão da visualidade no presente.
A história do design no Brasil acompanha, em grande medida, a própria institucionalização da arte moderna no país. Da passagem de uma escala artesanal e manufatureira para processos cada vez mais industriais e racionalizados, o design participou da construção de novos modos de pensar a forma, a função e a vida cotidiana. Não por acaso, em 1948, o MAM São Paulo foi fundado em diálogo com o modelo de museu formulado pelo Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, que compreendia as artes aplicadas, a arquitetura, o mobiliário e a produção gráfica como partes fundamentais da cultura moderna.
No entanto, se, em determinado momento, o design moderno participou da construção de uma utopia que aproximaria a arte e a vida cotidiana, hoje essa relação se apresenta em outro contexto. O campo se profissionalizou, atingiu novas escalas e passou a operar em um mundo atravessado pela circulação acelerada das imagens, sobretudo no ambiente digital. Ao mesmo tempo, muitos artistas contemporâneos incorporam repertórios e procedimentos do design em seus trabalhos, seja como memória histórica, recurso gráfico ou modo de pensar os vínculos entre arte, forma, comunicação e sociedade.
Partindo dessas reflexões, a programação do MAM Debate 2026 irá reunir pesquisadores, curadores, artistas e designers em duas mesas: a primeira dedicada a uma perspectiva histórica das relações entre museus, modernidade e design, e a segunda, voltada ao presente, pensa os encontros entre arte contemporânea e produção gráfica. Assim, o seminário propõe olhar para o design não como uma linguagem separada da produção artística, mas como uma prática que contribuiu com a imaginação do “moderno” e que segue, ainda hoje, reorganizando modos de projetar e circular imagens e ideias no mundo.