história da arte queer

12, 19, 26 de novembro, 03, 10, 17 de dezembro de 2026
19h às 21h

com Lorenzo Merlino

Datas: 12, 19, 26 de novembro e 03, 10 e 17 de dezembro de 2026
Quintas-feiras
Horário: das 19h às 21h
Duração: 6 encontros
Público: interessados em geral
Investimento: R$ 480,00 + taxas

Curso online
Ao vivo, via plataforma de videoconferência
Aulas gravadas disponibilizadas apenas por tempo determinado
Contempla certificado no final
Para intérprete de Libras, solicitar pelo e-mail cursos@mam.org.br com antecedência de 7 dias úteis.

O curso propõe um percurso crítico pela história da arte ocidental a partir de uma perspectiva queer, evidenciando a presença de corpos dissidentes, identidades LGBTQIA+ e imagens de desejo homoerótico que, historicamente, foram veladas, censuradas ou apagadas. Para isso, os encontros são estruturados com base em uma abordagem revisionista, articulada aos estudos contemporâneos de gênero e sexualidade.

Estes encontros buscam entender como outras compreensões da sexualidade e do gênero foram concebidas ao longo do tempo, tendo as artes visuais como um campo fundamental de representação do eu e de disputa simbólica e política. O curso é aberto a todas as pessoas interessadas em investigar as intersecções entre arte e diversidade.

Programação

Aula 1 – A Antiguidade Clássica

Introdução aos conceitos de queer, corpo e desejo e à urgência de um olhar revisionista sobre a arte canônica. Análise das manifestações visuais do afeto sáfico e da paiderasteia grega não apenas como práticas, mas como engrenagens sociais, traçando paralelos entre a paiderasteia, o amor puerorum romano (o mos Graecorum, centrado na figura do puer delicatus) e as construções, identidades e dilemas da homossexualidade moderna e contemporânea.

Referências: Platão, Dominique Fernandez, Kenneth Dover

Aula 2 – Idade Média: Judaísmo, Islamismo, Cristianismo

A partir de formulações teológicas e de historiografias recentes, o encontro examina a transição para a Idade Média e a instauração de uma nova moral dogmática sobre o corpo. Discute a invenção da sodomia como categoria de interdição no Cristianismo, em contraste com as perspectivas sobre a diversidade sexual no Judaísmo e no Islamismo medievais. Com base em importantes historiadores, analisa as ambiguidades da iconografia medieval e os ritos de união entre pessoas do mesmo sexo em períodos pré-inquisitoriais.

Referências: Theodore W. Jennings, Jr., John Boswell, Allan Tulchin, Rictor Norton

Aula 3 – Renascimento, Barroco e Rococó

Partindo da retomada dos corpos ideais, o encontro analisa como o cânone homoerótico se manifestou de forma velada no Renascimento e no Barroco, perante as cortes europeias e a Igreja. No Rococó, aborda a performatividade de gênero e as transgressões da aristocracia: o desejo lésbico, preponderante na visualidade e na literatura cortesã, e o travestismo como precursor de performances de gênero e de identidades queer.

Referências: Da Vinci, Michelangelo, Caravaggio, abade de Choisy, o chevalier d’Éon

Aula 4 – Neoclassicismo

Como o período neoclássico construiu o corpo masculino jovem como ideal de beleza, virtude e perfeição? Ao longo do encontro, serão discutidas tensões e desejos homoeróticos que transpareceram na escultura e na pintura histórica entre o fim do século XVIII e o início do XIX, lançando as bases de uma visualidade que influenciaria profundamente a estética gay ocidental.

Referências: Johann Joachim Winckelmann, Anton Raphael Mengs, Jacques-Louis David, Antonio Canova, Bertel Thorvaldsen, Anne-Louis Girodet de Roussy-Trioson

Aula 5 – Século 19

O encontro analisa os desdobramentos do Realismo e da modernidade a partir das subversões poéticas e visuais da moral burguesa. Dedica atenção especial ao olhar masculino heterossexual sobre o desejo entre mulheres, discutindo como o voyeurismo e a erotização dessas relações se tornaram temas recorrentes no período. Examina também as tensões afetivas, a vida boêmia e os relacionamentos homoeróticos que marcaram a trajetória de importantes criadores do século XIX, situando-os em seu contexto social e cultural.

Referências: Gustave Courbet, Charles Baudelaire, Auguste Rodin, Paul Verlaine, Arthur Rimbaud, Gustave Caillebotte.

Aula 6 – Séculos 20 e 21

A influência das categorias médico-psiquiátricas da sexualidade nos primeiros movimentos ativistas da virada do século e a “questão Riefenstahl”: as relações entre estética, política e fascismo e os elementos homoeróticos na construção da figura heroica. Serão discutidas, ainda, a gay art e a queer art contemporâneas, examinando-se as respostas artísticas à epidemia de HIV/AIDS e as práticas visuais de resistência, memória e afirmação.

Referências: Karl Heinrich Ulrichs, Karl Maria Kertbeny, Richard von Krafft-Ebing, Magnus Hirschfeld, John Addington Symonds, e os artistas Leni Riefenstahl, Claude Cahun, Romaine Brooks, Frida Kahlo, Alair Gomes, Robert Mapplethorpe e outros.

Lorenzo Merlino

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créditos

Imagem: José Leonilson, “Ninguém Tinha Visto” (1988). Foto: Ding Musa