Retromemória

Retromemória

02 abr 22 – 03 jul 22
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O trabalho de Lenora de Barros para a sala de vidro do mam estabelece um diálogo com a obra Aranha, 1996, de Louise Bourgeois, que esteve em comodato no museu e foi exibida por cerca de 20 anos nesse mesmo local. A obra se relaciona diretamente com o jardim de esculturas do museu na área externa.

A artista desdobra o diálogo que tem estabelecido com artistas mulheres como Lygia Clark, Yoko Ono, Cindy Sherman e Méret Oppenheim em uma conversa retroativa com Louise Bourgeois. A partir da memória do lugar, de espelhos retrovisores, de imagens, de poemas e de sons, Lenora de Barros constrói uma grande aranha de metal que ativa o passado recente. Além de tocar na história das exposições do mam, a instalação envolve aspectos verbais (visuais e sonoros) integrando o gráfico e o fonético da palavra, o que se aproxima da dimensão verbivocovisual inventada pelo poeta irlandês James Joyce.

Retromemória, 2022, recorre à tradição concretista e revê, do ponto de vista contemporâneo, a arte construtiva. No momento em que o mam apresenta em sua programação a segunda geração da arte moderna e a abstração geométrica, Lenora de Barros nos faz pensar sobre as obras que já foram exibidas no museu, nos ajudando a superar as perdas e enfrentar os desafios do presente. As imagens refletidas pelos espelhos que formam a aranha são como duplos, representações que reproduzem o mundo visível, o movimento fragmentado da memória, projetam luzes e sílabas do poema pela sala. O título do trabalho é decomposto e ecoam pelo museu palavras como “memória”, “aranha”, “emaranha” que se entrelaçam e produzem outros sentidos.

O espelho é esse objeto enigmático, que mesmo estando fora de nós, nos ajuda a nos compreender melhor, seja para olharmos para dentro, seja para seguir em frente. Como o mundo parece cada vez mais acelerado, andar em alta velocidade exige que a gente possa enxergar os pontos cegos, o que está atrás, sem ter que virar o corpo para o que já passou. Mesmo que às vezes pareça que tudo está andando para trás, Retromemória não trata de um retorno ao passado, tampouco de uma nostalgia, mas da construção de memórias e estímulos para que a gente possa caminhar em direção ao futuro.

Cauê Alves
Curador

Artista
Lenora de Barros
(São Paulo, SP, Brasil, 1953)

Lenora de Barros nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1953). Artista plástica e poeta, formou-se em Linguística pela Universidade de São Paulo no final da década de 1970, mesmo período em que iniciou sua trajetória artística. Influenciada pela arte conceitual, pop e pelos grupos concretistas brasileiros, produz obras que libertam a palavra para fora das páginas através da fala, escrita, colagem, performance, fotografia, vídeo e instalação, ressignificando paradigmas do movimento concretista a partir de dimensões de gênero e do corpo. Também atuou como editora de fotografia no jornal Folha de S. Paulo e como diretora de arte para a revista Placar. Expôs poemas visuais na 17ª Bienal de São Paulo (1983) em uma seção dedicada ao videotexto e retornou à mostra na 24ª e 30ª edição do evento (1998 e 2013). Apresentou Retromemória na sala de vidro do MAM São Paulo (2022), escultura metálica com espelhos que refletiam uma escritura na parede, dialogando diretamente com a obra Aranha (1996) de Louise Bourgeois – exibida por cerca de 20 anos nesse mesmo local. Sua produção integra importantes acervos, como do MAM São Paulo, Centro Cultural São Paulo (CCSP) e Museu d’Art Contemporani em Barcelona, Espanha.

imagens
mídias assistivas
01 - Descrição do Espaço Expositivo
01:30
02 - Descrição da Instalação Retromemória, de Lenora de Barros
03:19
serviço

Retromemória

Curadoria:
Período expositivo:
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Telefone:
Ingresso:

Meia-entrada para estudantes, com identificação; jovens de baixa renda e idosos (+60). Gratuidade para crianças menores de 10 anos; pessoas com deficiência e acompanhante; professores e diretores da rede pública estadual e municipal de SP, com identificação; sócios e alunos do MAM; funcionários das empresas parceiras e museus; membros do ICOM, AICA e ABCA, com identificação; funcionários da SPTuris e funcionários da Secretaria Municipal de Cultura.