Adriana Varejão – Histórias às Margens 04 SET - 16 DEZ, 2012


Curadoria: Adriano Pedroso
Grande Sala

Os trabalhos de Adriana Varejão resgatam e cruzam diferentes histórias, tecendo múltiplas narrativas e referências – da história da arte à arte religiosa, da azulejaria à cerâmica, da China ao Brasil, da iconografia colonial às imagens produzidas pelos viajantes europeus e à arte acadêmica do século XIX, da geometrização dos espaços arquitetônicos à abstração geométrica e à grade modernista, das paisagens e marinhas aos mapas.

Nesse repertório híbrido e polifônico, um elemento atravessa toda a obra de Varejão: o corpo, seja rasgado, cortado, dilacerado, esquartejado, seja em fragmentos, em pedaços. O corpo é revelado enquanto pele e carne da pintura, habitando os interiores da arquitetura e descoberto em suas ruínas; é, por fim, representado nas saunas, por metonímia

Se o corpo é o tema recorrente da obra, seu espírito é o barroco, cheio de curvas e dobras, excessos e ornamentações, exuberância e drama. Entretanto, o pensamento é mestiço – não é à toa que, em seus autorretratos, Varejão aparece como chinesa, moura e índia.

Há, sobretudo, uma preocupação em expor e conectar histórias marginais, agregando referências pessoais, literárias e ficcionais. História pode referir-se à ficção e não ficção, o que lança a pintura nos rumos da literatura. As histórias marginais são aquelas quase esquecidas ou colocadas de lado pela história tradicional, histórias profundas ou íntimas, mas também histórias contra a corrente, contadas às margens, histórias pós-coloniais, subalternas, fora do centro, histórias no Sul que, nesse sentido, ganham uma dimensão política.

Como a primeira exposição panorâmica de Varejão, a seleção dos trabalhos foi pensada para oferecer os melhores exemplos de todas as séries de trabalhos que Varejão produziu – Terra incógnita, Proposta para uma catequese, Acadêmicos, Irezumis, Línguas e Incisões, Ruínas de charque, Mares e Azulejos, Saunas, e Pratos.

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