A exposição Mire Veja: MAM São Paulo visita o Sesc Bom Retiro nasce do encontro entre obras do Museu de Arte Moderna de São Paulo e do Acervo Sesc de Arte Brasileira a partir de uma pergunta desafiadora: como tornar a arte uma experiência pública? Ao deslocar trabalhos de um museu para o cotidiano de uma instituição cultural múltipla como o Sesc, a mostra partilha produções de arte contemporânea, estruturas de mediação que sustentam as exposições e modos de organizar, cuidar, narrar e tornar visível um conjunto de escolhas. A cada mudança de contexto, as obras dessas coleções criam novas relações e evidenciam que, para qualquer pessoa, perceber a arte é também fruto de vivências e decisões institucionais e de formas de mediação, que nos levam a perguntas como: quem define o que e como mostrar? Quando e a partir de onde somos chamados para conversar com as produções e sobre elas?
O convite aos visitantes da mostra passa por dois questionamentos enfrentados diariamente nas salas de trabalho de instituições culturais: O que acontece quando se decide guardar e tornar público um conjunto de obras? O que há para perceber e conhecer em uma obra de arte que pode tornar essa experiência transformadora, do ponto de vista individual? O primeiro nos aproxima das instituições e de seus processos. O segundo nos aproxima da fruição direta das obras, num caráter subjetivo.
Nesse sentido, em Mire Veja parte-se da ideia de que, se todo acervo organiza visões de mundo, as exposições tratam de modos de organizar relações intencionais e autorais. Nos processos de mediação cultural instaurados na realização de uma mostra, a curadoria e a educação, em parceria com a comunicação, constroem um pensamento no espaço e nos meios, colocando em diálogo obras, instituições e públicos convocados. O que se expõe de fato vai sempre além dos objetos artísticos; são também as narrativas e fabulações, os discursos e dispositivos que os acompanham, sejam textos, áudios, materiais educativos, os próprios percursos e as conversas entre educadores e visitantes na exposição.
Diante de uma obra, percebe-se sua materialidade, suas superfícies, volumes, cores e sons. Nela reconhecemos o resultado de escolhas técnicas e processos específicos de criação e construção narrativa; ela mostra, expressa, representa, simboliza, argumenta, não necessariamente nessa ordem e nem sempre sustentando todos esses gestos sensíveis. Ao mesmo tempo, cada trabalho integra uma investigação estética e conceitual, inserida em contextos históricos e culturais. Conhecer uma obra é acessar essas camadas e reconhecer que nenhuma delas a esgota, pois há sempre algo que permanece aberto às interpretações, às memórias, aos afetos e aos estranhamentos que emergem no encontro. A obra de arte se constrói como experiência, e perceber é uma forma de conhecer para também imaginar, pensar, projetar e realizar.
Mire Veja se apresenta como um campo de relações que começa no acolhimento de quem chega da rua, passa por variados modos de deslocamento no primeiro piso e, no segundo, mergulha em processos de criação, percepção e mediação cultural para, por fim, chegar à possibilidade de fazer e desfazer sentidos. Entre guardar e mostrar, entre mirar e ver, entre escolher e se relacionar. É nesse intervalo que a exposição acontece.
Mirela Estelles e Valquíria Prates
mantenedores do MAM São Paulo
realização
mídias assistivas
Térreo
Primeiro Andar
Segundo Andar
Terceiro Andar
Street Pole, de Iran do Espírito Santo
Lute, de Rubens Gerchman
Construtivismo Naval II, de Nelson Leirner
Construtivismo Musical, de Nelson Leirner
Composição, de Lothar Charoux
Sem título, de Franz Weissmann
Estrutura vermelha, de Emanoel Araújo
Treme Terra, de Pedro Motta
Ibirapuera, German Lorca
Branco, de Laura Vinci
Sem título, de Alberto da Veiga Guignard
Corpos extranhos, de Rosângela Rennó
Comunhão I, de Rodrigo Braga
As irmãs, de Alfredo Ceschiatti
Dança, Heitor dos Prazeres
Tatá Piriri, de Xadalu Tupã Jekupe
Luz natural, de Eduardo Coimbra
Sem título, de Rodrigo Andrade
videoguia | Mire Veja: MAM São Paulo visita o SESC Bom Retiro – Percurso poético
videoguia | Mire Veja: MAM São Paulo visita o SESC Bom Retiro – Térreo
videoguia | Mire Veja: MAM São Paulo visita o SESC Bom Retiro – Primeiro andar
videoguia | Mire Veja: MAM São Paulo visita o SESC Bom Retiro – Segundo andar
videoguia | Mire Veja: MAM São Paulo visita o SESC Bom Retiro – Terceiro andar
curadoria
Mirela Estelles
É mediadora cultural que investiga os desdobramentos da narração de histórias na educação em museus e exposições de arte. Estudou comunicação das artes do corpo na PUC-SP e especializou-se em linguagens da arte no Centro Universitário MariAntonia, onde iniciou as pesquisas e atividades do projeto Histórias para Ver e Ouvir (2011-). Com experiência em arte contemporânea, educação, livro e leitura, culturas da infância, patrimônio imaterial e públicos de museus, realiza a curadoria de exposições e de projetos educativos em escolas, livrarias, bibliotecas, museus e outras instituições culturais, com atenção aos aspectos de acessibilidade e diversidade na gestão cultural de equipes multidisciplinares. Atualmente, coordena a área de educação do Museu de Arte Moderna de São Paulo, onde atua desde 2009. Neste museu, fez a curadoria da exposição Elementar: fazer junto (2023); idealizou os projetos: Semana das Culturas da Infância (2012-), Festival Corpo Palavra (2021-) e Histórias no Jardim (2022-).
Valquíria Prates
Valquíria Prates é pesquisadora, curadora e educadora. Investiga a mediação cultural das artes visuais e da literatura, com uma trajetória que integra pesquisa, escrita, curadoria e educação em museus, bibliotecas, universidades, escolas e outras instituições culturais. É graduada em Letras e Pedagogia, Mestre em políticas públicas de acessibilidade pela Universidade de São Paulo e Doutora em Artes pela Unesp, onde defendeu a tese Como fazer junto: a arte e a educação na mediação cultural. Seu trabalho articula saberes e práticas colaborativas de mediação em diferentes territórios e contextos sociais. Atualmente, realiza projetos com o Museu de Arte Moderna de São Paulo, Instituto Moreira Salles, a Fundação Roberto Marinho, o Instituto Inhotim, e o Instituto de Arte Contemporânea de Ouro Preto.
artistas
Alberto da Veiga Guignard
(Nova Friburgo, RJ, Brasil, 1896 – Belo Horizonte, MG, Brasil, 1962)
Alberto da Veiga Guignard nasceu em Nova Friburgo, RJ, Brasil (1896) e faleceu em Belo Horizonte, MG, Brasil (1962). Formou-se em pintura na Europa, estudando em academias prestigiadas de Munique e Florença antes de retornar ao Brasil em 1929. Atuou como pintor, desenhista, ilustrador e professor, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do modernismo brasileiro. Destacam-se em sua obra as paisagens de Ouro Preto e outras cidades históricas de Minas Gerais, em que igrejas barrocas, casarios coloniais e balões festivos surgem em atmosferas oníricas e poéticas. Também produziu retratos de familiares, amigos e figuras culturais, notáveis pela delicadeza do traço e riqueza decorativa. Foi convidado pelo então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, para dirigir a recém criada Escola de Belas Artes (1944), onde passaram artistas como Amilcar de Castro e Lygia Clark. A instituição foi renomeada Escola Guignard após o falecimento do artista. Entre suas retrospectivas recentes, destacam-se Guignard: a memória plástica do Brasil moderno, no MAM São Paulo (2015), e A paixão segundo Guignard, no Palácio das Artes, Belo Horizonte (2024).
Alfredo Ceschiatti
(Belo Horizonte, MG, Brasil [Brazil], 1918 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1989)
Alfredo Ceschiatti nasceu em Belo Horizonte, MG, Brasil (1918) e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1989). Ingressou na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro (1940) e estudou escultura sob a orientação de Corrêa Lima. Na mesma época, frequentou o curso de desenho de Cândido Portinari. Recebeu o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (1945) pelo painel em bronze que desenvolveu, a pedido de Oscar Niemeyer, para a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte. Interessado pelo barroco mineiro e por obras renascentistas, Ceschiatti trabalhou com materiais como bronze, granito e mármore para criar simplificações formais da figura humana. Suas representações de formas femininas curvilíneas e arredondadas, por vezes cobertas parcialmente por tecidos drapeados, estão presentes em inúmeros edifícios públicos. Entre suas esculturas mais conhecidas estão A Justiça (1961), localizada no Supremo Tribunal Federal, Os anjos (1970), na Catedral de Brasília, e a icônica Duas amigas (1966), no Palácio Itamaraty. Participou de importantes exposições como a 2ª e a 3ª Bienal de São Paulo (1953 e 1955); o 4º e 7º Panorama da Arte Brasileira (1972 e 1975). Realizou uma mostra retrospectiva no MAM São Paulo (1976) e suas obras integram a coleção do museu.
Amelia Toledo
(São Paulo, SP, Brasil, 1926 – Cotia, SP, Brasil, 2017)
Amelia Toledo nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1926) e faleceu em Cotia, SP, Brasil (2017). A partir do final da década de 1930, passou a frequentar o ateliê de Anita Malfatti. Nos anos 1940, teve aulas com Yoshiya Takaoka e Waldemar da Costa, e trabalhou como desenhista no escritório do arquiteto Vilanova Artigas. Deu continuidade aos seus estudos na London County Council Central School of Arts and Crafts, em Londres, Reino Unido. De volta ao Brasil, estudou gravura em metal (1960). Investigando de forma expandida as possibilidades artísticas, Toledo produziu esculturas, pinturas, desenhos e instalações utilizando materiais industriais e orgânicos. O uso de elementos geométricos e regulares transformam-se durante a década de 1970 em uma pesquisa voltada às formas da natureza, fazendo da paisagem um elemento central de sua produção. Participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1975, 1981, 1984, 1986, 1988, 1989, 1990 e 1993) e foi premiada na 7ª e 9ª Bienal de São Paulo (1963 e 1967). Suas obras integram importantes coleções, como a do MASP, Pinacoteca do Estado de São Paulo e do MAM São Paulo – com destaque para sua obra 7 ondas (1995) no Jardim de Esculturas do museu.
Antonio Henrique Amaral
(São Paulo, SP, Brasil, 1935–2015)
Antonio Henrique Amaral nasceu e faleceu em São Paulo, SP, Brasil (1935–2015). Iniciou sua formação na Escola do MASP (1952), e se aprofundou estudando gravura com Lívio Abramo no MAM São Paulo (1956). A partir dos anos 1960, aproximou-se da nova figuração, incorporando elementos da publicidade, da cultura de massa e do grafite em obras de forte carga política. Nesse contexto, a banana tornou-se uma imagem marcante de sua produção. Frequentemente representada cortada, amarrada ou transpassada por facas, a fruta é trabalhada como síntese visual crítica de tensões da ditadura militar, metáfora econômica e cultural do Brasil, ou até imagem de conotação erótica. Em paralelo, desenvolveu também retratos marcados por rostos fragmentados e distorcidos, explorando uma frente mais experimental e expressionista de sua pintura. Entre mostras recentes, destacam-se Aglomeração – Antonio Henrique Amaral, Instituto Tomie Ohtake (2020), e Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso, Casa Triângulo (2021). Participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1969, 1970, 1973, 1976, 1979, 1980, 1983 e 1986). Suas obras integram coleções como do MAM São Paulo, MAM Rio, Acervo Sesc de Arte e Itaú Cultural.
Artur Barrio
(Porto, Portugal, 1945)
Artur Barrio nasceu em Porto, Portugal (1945) e se mudou para o Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1955), onde frequentou a Escola Nacional de Belas Artes (1967). Mobilizando pintura, desenho, vídeo, fotografia, escultura, performance e instalação, a produção do artista é reconhecida como disruptiva e contestatória. A radicalidade de sua prática pode ser percebida tanto pelo uso de materiais não convencionais, quanto pelos temas – por vezes violentos – presentes em suas obras, especialmente aquelas desenvolvidas no período da ditadura militar no Brasil. A rejeição de Barrio às convenções do campo artístico desmistificam e tensionam o espaço expositivo por meio da utilização de materiais efêmeros e perecíveis, como lixo, materiais orgânicos e carne putrefata. Seu trabalho mais conhecido são as Trouxas ensanguentadas (1970), dezenas de pacotes manchados de sangue e repletos de carnes e ossos em alusão ao desaparecimento de corpos e à violência estatal nos anos duros da ditadura militar brasileira. Integrou as exposições 27º Panorama da Arte Brasileira (2001) e As fronteiras do vazio (1995), no MAM São Paulo. Suas obras estão presentes nas coleções do MAM São Paulo, Acervo Sesc de Arte, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), nos Estados Unidos, Centro Georges Pompidou, em Paris, entre outras.
Brígida Baltar
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1959–2022)
Brígida Baltar nasceu e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1959–2022). Frequentou no final dos anos 1980 a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e integrou o coletivo Visorama. Considerada pioneira no conceito de escultura transitória no Brasil – um tipo de escultura marcada pela impermanência, cuja existência está ligada a processos efêmeros –, a produção multimídia de Baltar transitou entre linguagens como vídeo, fotografia, performance, instalação, desenho e escultura. Suas obras exploram questões oníricas, fabulações e narrativas do corpo através da coleta de materiais naturais e transitórios. Inicialmente dedicada à reunião de elementos da vida doméstica – como a água acumulada em seu telhado ou a poeira dos tijolos na parede de sua casa –, a artista expandiu o exercício para o ambiente exterior, dedicando-se à tarefa de capturar o intangível. Participou do 25º e 30º Panorama da Arte Brasileira do MAM São Paulo (1997 e 2007) e da 25ª Bienal de São Paulo (2002). Suas obras estão presentes em acervos como do MAM São Paulo, MASP, MAM Rio, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) e Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Cao Guimarães
(Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 1965)
Cao Guimarães nasceu em Belo Horizonte, MG, Brasil (1965). O artista plástico e cineasta trabalha com fotografia e transita entre a película e o vídeo para criar suas peças audiovisuais. Suas obras documentam situações e objetos comuns, que se movem ou são captados enfatizando o instante, mas que são ressignificados a partir da exploração, duração, foco e do movimento autônomo de pessoas ou coisas. Entre suas exposições, destacam-se as individuais Ver é uma fábula. Mostra Cao Guimarães, Itaú Cultural, São Paulo (2013); Espera, no Instituto Moreira Salles (IMS-Paulista), São Paulo (2018); Cao Guimarães – Ciclo de filmes, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), Lisboa, Portugal (2020); e sua presença em edições do Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo (2001, 2007, 2008 e 2015); e em duas edições da Bienal de São Paulo (2002 e 2006).
Carlos Zilio
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1944)
Carlos Zilio nasceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1944). Frequentou o Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro (1963), onde estudou pintura com Iberê Camargo. Formado em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1973), mudou-se como exilado para Paris, França, após dois anos preso devido ao seu envolvimento na luta armada contra a ditadura militar. Permaneceu na capital francesa até a conclusão de seu doutorado (1980). Artista plástico e professor, Zilio participou de importantes correntes artísticas da segunda metade do século XX, como a Nova Figuração e a arte conceitual. Sua produção é diversificada e marcada pelo engajamento político e a experimentação estética, aliando suas investigações geométricas a um discurso crítico e combativo em relação à ditadura militar. Em 1997, o MAM São Paulo organizou a exposição retrospectiva Carlos Zilio: arte e política 1966-1976. Participou do 25º Panorama da Arte Brasileira (1997). Seus trabalhos estão presentes em instituições como o MAM São Paulo, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC Niterói), Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM Rio e Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), nos Estados Unidos.
Cássio Vasconcellos
(São Paulo, SP, Brasil, 1965)
Cássio Vasconcellos nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1965). Iniciou sua trajetória artística como fotógrafo, frequentando cursos na Escola Imagem-Ação (1981). Atuou como fotojornalista para veículos de comunicação e montou um estúdio próprio especializado em fotografias aéreas. Tendo como tema a paisagem urbana, Vasconcellos se afasta da fotografia documental para propor uma aproximação da fotografia com linguagens como pintura, gravura, cinema e artes gráficas. Ao explorar diferentes escalas, profundidades e padronagens, o artista cria espaços imaginários e ficções a partir de elementos da realidade. Suas obras fazem parte de inúmeras coleções institucionais, como MAM São Paulo, Acervo Sesc de Arte, MASP, Museo Nacional de Bellas Artes, em Buenos Aires, Argentina; Bibliothèque Nationale, em Paris, França; e Museum of Fine Arts Houston (MFAH), nos Estados Unidos.
Claudio Tozzi
(São Paulo, SP, Brasil, 1944)
Claudio Tozzi nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1944). Doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) e bacharel pela mesma instituição, Tozzi iniciou sua carreira como artista gráfico na década de 1960, dedicando-se posteriormente à pintura. Influenciado pela arte pop, o artista apropria-se de imagens retiradas de histórias em quadrinhos e dos meios de comunicação de massa para tratar de temáticas políticas e urbanas. Após uma viagem de estudos para a Europa (1969), passa a se preocupar com elementos plásticos da pintura, desenvolvendo pesquisas cromáticas. Na década de 1980, retorna à figuração apresentando tendências à geometrização das formas, agregando textura e volumetria às obras. Realizou painéis em diversos espaços públicos, como na Praça da República e nas estações de metrô Sé e Barra Funda, na cidade de São Paulo; na Faculdade de Direito da USP, no campus de Ribeirão Preto, e na sede do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento da UNESCO, em Brasília. Participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1971, 1973, 1976, 1977, 1979, 1980 e 1983). Suas obras integram coleções como do MAM São Paulo, Acervo Sesc de Arte, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) e MASP.
Cleber Machado
(Porto Alegre, RS, Brasil, 1937 – São Paulo, SP, Brasil, 2020)
Cleber Machado nasceu em Porto Alegre, RS, Brasil (1937) e faleceu em São Paulo, SP, Brasil (2020). Mudou-se para o Rio de Janeiro no início da década de 1960 e iniciou sua trajetória artística como pintor e joalheiro. Expandindo a tridimensionalidade das joias para a produção de móbiles, Machado interessava-se pelo equilíbrio da forma no espaço, compreendendo a exterioridade como um elemento ativo em relação à materialidade de suas obras tridimensionais. Trabalhou a partir de simplificações geométricas, evocando a linguagem escultórica inclusive em sua produção gráfica, a partir da volumetria e da presença de materiais metálicos. Foi premiado na 11ª Bienal de São Paulo (1971) e participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1972, 1975, 1978, 1985, 1988 e 1991). Sua escultura Árvore (1991) faz parte do Jardim de Esculturas do MAM São Paulo. Outra obra do artista localizada em um espaço público é Homenagem a Galileu Galilei II (2007), na estação Vila Mariana do metrô, em São Paulo. Suas obras estão presentes em acervos como do MAM São Paulo, Acervo Sesc de Arte, MAM Rio, Museu de Arte Brasileira de Brasília e no Arquivo do Estado de São Paulo.
Eduardo Coimbra
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1955)
Eduardo Coimbra nasceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Graduado em Engenharia pela PUC-Rio e com pós-graduação em História da Arte e Arquitetura no Brasil pela mesma instituição, Coimbra produz fotografias, esculturas, objetos, maquetes, instalações e filmes. Iniciou sua carreira artística no início dos anos 1990 e abordou a noção de paisagem em ambientes internos e externos pela associação de cadeias de imagens e objetos. Realizou trabalhos em importantes espaços públicos, como a Praça XV de Novembro e Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro, e a Praça Charles Miller e Largo da Batata, em São Paulo. Participou do 27º Panorama da Arte Brasileira do MAM São Paulo (2001) e da 29ª Bienal de São Paulo (2010). Integra a coleção de instituições como MAM Rio, Acervo Sesc de Arte, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Itaú Cultural e Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Emanoel Araujo
( Santo Amaro, BA, Brasil, 1940 – São Paulo, SP, Brasil, 2022)
Emanoel Araujo nasceu em Santo Amaro da Purificação, BA, Brasil (1940) e faleceu em São Paulo, SP, Brasil (2022). Durante os anos de 1960, mudou-se para Salvador e estudou gravura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), momento em que produz artes gráficas e cenografia para teatros. Na década seguinte passa a realizar obras abstratas tridimensionais, aproximando-se da vertente construtivista ao explorar a presença da herança africana na cultura brasileira a partir de geometrias modulares e cores vivas. Além de artista, Araujo foi um importante curador e gestor cultural, atuando como diretor do Museu de Arte da Bahia e da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Foi responsável pela fundação e direção do Museu Afro Brasil. Sua atuação, tanto como artista quanto como curador e gestor cultural, impactou significativamente no reconhecimento e na valorização da herança africana na arte contemporânea no Brasil e no exterior. Organizou a emblemática exposição A Mão Afro-Brasileira no MAM São Paulo (1988) e sua obra Aranha (1981) integra o Jardim de Esculturas do museu. Participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1971, 1974, 1977, 1978, 1981, 1985 e 2008). Sua produção está presente em coleções como do MAM São Paulo, Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, MASP e Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Foto: Museu Afro Brasil/Divulgação
Franz Weissmann
(Knittelfeld, Áustria, 1911 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2005)
Franz Weissmann nasceu em Knittelfeld, Áustria (1911) e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (2005). Chegou ao Brasil em 1921 e estudou na Escola Nacional de Belas Artes, que abandonou pelo caráter excessivamente acadêmico, complementando sua formação em ateliês e na Escola do Parque, em Belo Horizonte. Integrou o Grupo Frente e foi um dos fundadores do neoconcretismo. Foi um dos principais inovadores da escultura brasileira, desenvolvendo uma linguagem de abstração geométrica marcada pelo uso de chapas metálicas submetidas a cortes, dobras e sobreposições. Suas esculturas incorporam o vazio como elemento ativo da construção da forma, articulando espaço e matéria, e empregam cores chapadas para intensificar volumes, ritmos e tensões visuais. O artista também realizou obras de grande escala em praças e edifícios públicos, concebendo trabalhos que não apenas ocupam, mas redesenham o espaço urbano. Participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1972, 1975, 1981, 1985 e 2008) e foi premiado na 3ª e 4ª Bienal de São Paulo (1955 e 1957). Entre exposições recentes, destacam-se as retrospectivas Franz Weissmann: o vazio como forma, Itaú Cultural (2019), e Franz Weissmann: ritmo e movimento, Casa França-Brasil (2023).
German Lorca
(São Paulo, SP, Brasil, 1922–2021)
German Lorca nasceu em São Paulo, SP, Brasil, em 1922, e faleceu na mesma cidade, em 2021. Formou-se em Contabilidade pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (1940), realizando uma formação autodidata paralela em fotografia, que culminaria no seu ingresso no prestigiado Foto Cine Clube Bandeirantes (1947). Um dos principais nomes da fotografia moderna brasileira, foi fotógrafo oficial das comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo (1954), e ficou conhecido por composições arrojadas e generosas que documentaram o crescimento da cidade de São Paulo na segunda metade do século XX, nas quais ângulos inusitados e contrastes marcados de claro-escuro retratam a paisagem urbana paulistana em transformação, com destaque para a ascensão da arquitetura moderna no centro da cidade e nas modificações socioculturais nos bairros periféricos. Sua obra constitui um amplo amplo repertório de registros simultaneamente documentais, íntimos e cívicos da cidade. Participou das exposições 9ª Bienal de São Paulo (1967) e 30x Bienal (2013). Seu trabalho está em grandes coleções estrangeiras, como as do MoMA, em Nova York, e da Tate Modern, na Inglaterra. O MAM São Paulo possuí mais de 50 obras do artista na sua coleção.
Giuliana Giorgi
(Turim, Itália, 1911 –2009)
Giuliana Segre Giorgi nasceu e faleceu em Turim, Itália (1911–2009). Pintora e ativista antifascista, mudou-se para São Paulo (1939) com seu então marido, o escultor ítalo-brasileiro Bruno Giorgi, após ter sido presa pelo regime de Mussolini. De volta a Turim (1969), atuou como tradutora, sendo responsável pela tradução de inúmeros clássicos brasileiros para o italiano, como Memorial de Aires, de Machado de Assis (1908), Macunaíma, de Mário de Andrade (1928), e Avalovara, de Osman Lins (1973). As pinturas à óleo de Giorgi incluem principalmente retratos, paisagens e naturezas mortas, realizadas sobre tela ou madeira. Desenvolveu um mural religioso para a Capela Cristo Operário, localizada na zona sul de São Paulo. Patrimônio cultural do Estado de São Paulo, o projeto da capela envolve paisagismo de Roberto Burle Marx, obras de Alfredo Volpi, Geraldo de Barros, entre outros, indicando um diálogo entre Giorgi e seus contemporâneos. Suas obras integram o acervo do MAM São Paulo.
Heitor dos Prazeres
(Rio de Janeiro, RJ, 1898 – 1966)
Heitor dos Prazeres nasceu e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1898–1966). Filho de pai marceneiro e clarinetista, o artista iniciou sua trajetória profissional como cantor, compositor, letrista e instrumentista, tendo participado da fundação das escolas de samba Portela (1923) e Estação Primeira da Mangueira (1928). Artista autodidata, começou a trabalhar com pintura no final da década de 1930, tendo produzido principalmente óleos sobre tela, madeira e alguns mobiliários. Consagrado como uma das principais figuras da chamada arte popular brasileira do século XX, Prazeres recebeu o prêmio de terceiro lugar na 1ª Bienal Internacional do Museu de Arte Moderna de São Paulo (1951) e, na edição seguinte, ganhou uma sala especial na exposição (1953). Assim como suas canções, as pinturas do artista retratam, de modo sensível e quase antropológico, o mundo do samba, das favelas, das festas populares, das celebrações afro-brasileiras e do cotidiano de pessoas negras no Brasil. Suas obras estão presentes no acervo de instituições como o MAM São Paulo, MASP, Museu de Arte do Rio (MAR) e Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.
Iran do Espírito Santo
(Mococa, SP, Brasil, 1963)
Iran do Espírito Santo nasceu em Mococa, SP, Brasil (1963). Formou-se em Licenciatura em Artes Plásticas pela FAAP (1986). Desenvolve uma produção centrada no desenho, na escultura e na instalação, investigando as relações entre percepção visual, objeto e espaço. Seu trabalho frequentemente parte de objetos cotidianos, reinterpretados com forte precisão formal e diálogo com o vocabulário do desenho industrial. A economia de meios, a apropriação de objetos e o deslocamento do seu contexto original de uso e a redução cromática, frequentemente baseada em branco, cinza e preto, são elementos recorrentes em sua pesquisa. Participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1990, 1997, 2001 e 2008) e de edições da Bienal de São Paulo (1987, 2008 e 2013). Suas obras integram coleções institucionais nacionais como as do MASP, MAM São Paulo, Acervo Sesc de Arte, MAC USP, Instituto Inhotim, além de coleções internacionais, como as do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA), Argentina; e do MoMA, Nova York, Estados Unidos.
Labö | Rafaela Kennedy
(Belém, PA, Brasil [Brazil], 1995 | Manaus, AM, Brasil, 1994)
Labö nasceu em Belém, PA, Brasil (1995) e Rafaela Kennedy em Manaus, AM, Brasil (1994). A dupla desenvolve trabalhos colaborativos, frequentemente realizados em fotografias, criando narrativas visuais a partir de elementos naturais e culturais de suas cidades de origem. Labö, que trabalha principalmente com indumentárias, esculturas e instalações, une-se a Kennedy, que ancora sua pesquisa na fotografia, moda e performance, para propor momentos de emancipação de corpos dissidentes e não normativos, utilizando a paisagem amazônica como cenário. Desafiando noções fixas sobre ecologia, tecnologia e gênero, suas colaborações apresentam vestimentas complexas, confeccionadas com materiais orgânicos, fundindo elementos do cotidiano com o fantástico. Participaram do 38º Panorama da Arte Brasileira (2024) e integram o acervo do MAM São Paulo.
Laura Vinci
(São Paulo, SP, Brasil, 1962)
Laura Vinci nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1962). Formada em Artes Plásticas pela FAAP (1987) e mestre em Artes Plásticas pela Universidade de São Paulo (2000), é artista multimídia e trabalha com escultura, pintura, desenho, gravura e instalações. Trabalhou com cenografia e direção artística para inúmeras peças, incluindo produções no Teatro Oficina, onde também participou do Projeto Residência (2000–2001). Em sua prática artística, o espaço apresenta-se como um elemento complexo, mediador de relações entre o corpo e a passagem do tempo. Explorando a mutabilidade e a efemeridade da matéria, estimula o público a relacionar-se com o ambiente propondo novas percepções. Participou da 26ª Bienal de São Paulo (2004) e expôs o trabalho Folhas avulsas e galhos em exposição individual na sala de vidro do MAM São Paulo (2019). Suas obras estão presentes em acervos como do MAM São Paulo, Inhotim, Museu de Arte do Rio (MAR) e Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Lenora de Barros
(São Paulo, SP, Brasil, 1953)
Lenora de Barros nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1953). Artista plástica e poeta, formou-se em Linguística pela Universidade de São Paulo no final da década de 1970, mesmo período em que iniciou sua trajetória artística. Influenciada pela arte conceitual, pop e pelos grupos concretistas brasileiros, produz obras que libertam a palavra para fora das páginas através da fala, escrita, colagem, performance, fotografia, vídeo e instalação, ressignificando paradigmas do movimento concretista a partir de dimensões de gênero e do corpo. Também atuou como editora de fotografia no jornal Folha de S. Paulo e como diretora de arte para a revista Placar. Expôs poemas visuais na 17ª Bienal de São Paulo (1983) em uma seção dedicada ao videotexto e retornou à mostra na 24ª e 30ª edição do evento (1998 e 2013). Apresentou Retromemória na sala de vidro do MAM São Paulo (2022), escultura metálica com espelhos que refletiam uma escritura na parede, dialogando diretamente com a obra Aranha (1996) de Louise Bourgeois – exibida por cerca de 20 anos nesse mesmo local. Sua produção integra importantes acervos, como do MAM São Paulo, Centro Cultural São Paulo (CCSP) e Museu d’Art Contemporani em Barcelona, Espanha.
Lothar Charoux
(Viena, Áustria, 1912 – São Paulo, SP, Brasil, 1987)
Lothar Charoux nasceu em Viena, Áustria (1912), e faleceu em São Paulo, SP, Brasil (1987). Radicado no Brasil desde 1928, estudou no Liceu de Artes e Ofícios, onde também lecionou desenho. Após uma fase inicial voltada a retratos e paisagens, passou a explorar questões abstratas e co-fundou, em 1952, o Grupo Ruptura, referência do concretismo no país. Sua produção é marcada por linhas trabalhadas com luz e ritmo visual, especialmente destacadas em suas experiências que unem profundidade óptica a composições geométricas. Fundou a Associação de Artes Visuais Novas Tendências (1963) e foi tema de retrospectivas no MAM São Paulo e MAM Rio (1974). Participou de diversas edições do Panorama da Arte Brasileira (1969, 1970, 1971, 1974, 1977, 1979 e 1980), e das primeiras nove edições da Bienal de São Paulo (1951–1967).
Motta & Lima
(São Paulo, SP, Brasil, 1976 – ambos)
Gisela Motta e Leandro Lima nasceram em São Paulo, SP, Brasil (1976). Formaram-se em Artes Plásticas pela FAAP (1999), onde se conheceram e iniciaram sua colaboração em 1997. Desenvolvem uma prática conjunta que transita entre vídeo, fotografia, e instalação, frequentemente explorando sistemas construtivos e dispositivos técnicos. Seus trabalhos investigam os mecanismos de produção de imagens, muitas vezes por meio de estruturas artificiais e construções que produzem efeitos ópticos ou espaciais. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Acervo Sesc de Arte, do Instituto Inhotim, do Instituto Figueiredo Ferraz, do Museu Nacional da República, e do Museu de Arte Contemporânea de Goiás.
Nelson Leirner
(São Paulo, SP, Brasil, 1932 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil 2020)
Nelson Leirner nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1932) e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (2020). Filho da escultora Felícia Leirner e do empresário e colecionador Isaí Leirner, ambos envolvidos na fundação do MAM São Paulo, cresceu em um ambiente próximo ao meio artístico. Desenvolveu uma trajetória prolífica marcada pela crítica institucional e por uma postura irônica, inquieta e sarcástica em relação ao sistema da arte. Trabalhou com pintura, desenho, gravura, instalação, happening e objetos, frequentemente apropriando-se de imagens e materiais da cultura de massa. Em muitas obras, reorganiza esses elementos em composições acumulativas e irônicas que questionam os valores do mercado, da autoria e da própria noção de obra de arte. Em 1966, co-fundou, junto a outros artistas, o Grupo Rex, que criou a Rex Gallery & Sons e o jornal Rex Time como alternativas às instituições tradicionais. Nas décadas de 1970 e 1980, aprofundou seu trabalho conceitual, estimulando a participação do público e a reflexão sobre os circuitos da arte. A partir da década de 1980, atuou também como docente na FAAP e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1972, 1978, 1985, 1988, 1990, 1991, 1999 e 2008). Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MASP, Acervo Sesc de Arte, MAC USP e Pinacoteca de São Paulo.
Paulo Bruscky
(Recife, PE, Brasil, 1949)
Paulo Bruscky nasceu em Recife, PE, Brasil (1949). Cursou Comunicação Social na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), formação que se desdobrou em uma prática artística voltada para a circulação de mensagens e os meios de reprodução e difusão da informação. É um dos principais nomes da arte conceitual e da arte postal no Brasil, com atuação em linguagens e suportes diversos, como fotografia, performance, poesia visual, vídeo e xerografia. Sua obra investiga os limites entre arte, linguagem e tecnologia, utilizando recursos como carimbos, fax e filmes em Super-8 para explorar os vínculos entre corpo, máquina e discurso. Destacam-se suas individuais Art is our Last Hope, no Bronx Museum, nos Estados Unidos (2013), e Paulo Bruscky, no MAM São Paulo (2014). Também participou da 57ª Bienal de Veneza (2017), e de diversas edições da Bienal de São Paulo (1981, 1989, 2004 e 2010) e do Panorama da Arte Brasileira (1984, 2001, 2005 e 2008). Suas obras integram acervos como do MAM São Paulo, Acervo Sesc de Arte, Pinacoteca do Estado de São Paulo, e Guggenheim Museum e Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, Estados Unidos.
Paulo Nenflídio
(São Bernardo do Campo, SP, Brasil, 1976)
Paulo Nenflídio nasceu em São Bernardo do Campo, SP, Brasil (1976). Formado em Artes Plásticas pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (2004) e em Eletrônica pela Escola Técnica Estadual Lauro Gomes (1994), o artista cria esculturas, instalações, objetos e desenhos. A partir da união entre artes visuais, música e tecnologia, Nenflídio produz as chamadas “engenhocas” que se assemelham com bichos, instrumentos e máquinas que emergem da ficção científica. Participou de diversas exposições coletivas do MAM São Paulo, como Diálogos com Palatnik (2004) e 30º Panorama da Arte Brasileira (2007). Suas obras fazem parte da coleção de instituições como MAM São Paulo, MAC USP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museu da Energia, Inhotim, Centro Cultural São Paulo (CCSP) e MAM Rio.
Pedro Motta
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1977)
Pedro Motta nasceu em Belo Horizonte, MG, Brasil (1977), onde vive e trabalha. Formado em Desenho pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (2002), utiliza a fotografia como suporte para sua produção, que nasce do interesse pelas relações entre a natureza, cultura, indivíduos e a cidade. Por vezes intervindo nas imagens com colagens, desenhos e materiais naturais – como terra –, Motta busca na paisagem monumentos e esculturas anônimas, formas que possuem certa obstrução de sua configuração original. Publicou os livros Temprano, pela Funarte (2010), e Natureza das Coisas, pela Editora Ubu (2018). Participou do 32º Panorama da Arte Brasileira (2011). Suas obras estão presentes em coleções como do MAM São Paulo, MAM Rio, MAM Bahia, Museu de Arte do Rio (MAR) e Itaú Cultural.
Rodrigo Andrade
(São Paulo, SP, Brasil, 1962)
Rodrigo Andrade nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1962). Iniciou sua trajetória artística estudando gravura no ateliê de Sérgio Fingermann em São Paulo (1977) e desenho com Carlos Fajardo. Frequentou o Studio of Graphic Arts, na Escócia (1978) e participou de cursos de gravura e pintura na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris (1981–1982). Foi um dos fundadores do importante grupo artístico paulista Casa 7, na década de 1980. Conhecido principalmente por sua produção enquanto pintor, Andrade realiza obras em diferentes escalas, tanto abstratas quanto figurativas, que têm em comum o uso de cores contrastantes e pinceladas amplas. Na virada para o século XXI, sua prática passa por mudanças, inclinando-se para a abstração geométrica e recuperando sua formação como artista gráfico. Desenvolveu um Projeto Parede para o MAM São Paulo (2000) e participou de edições do Panorama da Arte Brasileira (1995, 2005 e 2008). Suas obras integram coleções de importantes instituições, como MAM São Paulo, Acervo Sesc de Arte, Itaú Cultural, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) e Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Rodrigo Braga
(Manaus, AM, Brasil, 1976)
Rodrigo Braga nasceu em Manaus, AM, Brasil (1976). Mudou-se na infância para Recife, onde se formou em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pernambuco (2002). Sua prática artística consiste em registrar ações através da fotografia e do vídeo, propondo interações entre elementos orgânicos e inorgânicos, diluindo as fronteiras entre o real e o fantástico. Por vezes partindo de imersões em paisagens naturais, interliga o corpo humano a elementos como animais, pedras, terra, água e plantas, criando equivalências simbólicas entre diferentes sujeitos. Suas obras abordam, de forma indireta, questões políticas centrais para o debate socioambiental, expondo a relação conflituosa entre a humanidade e a natureza. Participou das exposições 30ª Bienal de São Paulo (2012) e 30x Bienal (2013). Possui obras em acervos no Brasil e no exterior, como MAM São Paulo, MAM Rio e Maison Européenne de La Photographie, em Paris, França.
Rosângela Rennó
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1962)
Rosângela Rennó nasceu em Belo Horizonte, MG, Brasil (1962). Artista multidisciplinar e fotógrafa, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formada em Arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais (1986) e em Artes Plásticas pela Escola Guignard (1987), obteve o título de doutora em Artes pela Universidade de São Paulo (1997). A partir da apropriação de imagens descartadas e coletadas nas ruas, mercados e antiquários, Rennó ressignifica a função da fotografia estabelecendo diálogos entre a memória e o esquecimento. A recontextualização de imagens em suas fotografias, objetos, vídeos, instalações e livros, permite ao público refletir sobre a função social das representações, símbolos e narrativas, colocando em disputa a realidade objetiva atribuída à fotografia. Participou de edições do Panorama da Arte Brasileira (1997 e 2005) e da Bienal de São Paulo (1994, 1998 e 2010). Suas obras integram importantes coleções nacionais e internacionais, como do MAM São Paulo, MASP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Centre Georges Pompidou, na França; Guggenheim Museum e Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, Estados Unidos; e Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri, Espanha.
Rubens Gerchman
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1942 – São Paulo, SP, Brasil, 2008)
Rubens Gerchman nasceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1942) e faleceu em São Paulo, SP, Brasil (2008). Frequentou aulas de desenho no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (1957) e estudou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (1960–1961). Morou em Nova York (1968–1972) após ser premiado pelo Salão Nacional de Arte Moderna e foi diretor do então Instituto de Belas Artes da Escola de Artes Visuais, conhecido hoje como Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Pintor, gravador, escultor e desenhista, Gerchman foi um importante artista brasileiro ligado a influências da arte pop no Brasil, além de ter contribuído nos movimentos da arte concreta, neoconcreta e nova figuração. Em suas obras, apropriou-se de ícones do futebol, televisão e política, criando retratos coloridos da metrópole e de seus problemas através da união de figuras anônimas e elementos da vida urbana. Realizou exposições retrospectivas no MAM São Paulo e no MAM Rio (1973) e participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1973, 1974, 1977, 1983, 1986, 1989 e 1993). Suas obras estão presentes em coleções como do MAM São Paulo, MAM Rio, Acervo Sesc de Arte, Pinacoteca do Estado de São Paulo e Museu de Arte de Toronto, no Canadá.
Sara Ramo
(Madri, Espanha, 1975)
Sara Ramo nasceu em Madri, Espanha (1975). Formada em Artes Visuais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a artista ressignifica objetos do cotidiano ao colocá-los em lugares inusitados e transformá-los em instalações, esculturas ou assemblages para abordar novas formas de ver e lidar com a realidade e a relação entre o visível e o invisível. Entre suas exposições, destacamos a individual lindaviejalocabruja, no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri, Espanha (2019); suas participações em dois Panoramas da Arte Brasileira (2003 e 2011); e em duas edições da Bienal de São Paulo (2010 e 2019).
Xadalu Tupã Jekupé
(Alegrete, RS, 1985 – Porto Alegre, RS)
Xadalu Tupã Jekupe nasceu em Alegrete, RS, Brasil (1985). Vive e trabalha em Porto Alegre, RS, Brasil. Indígena de origem guarani, o artista trabalha com pintura, serigrafia, fotografia e instalação a partir do legado do Barroco Guarani Missioneiro e nos processos de catequização e apagamento cultural dos povos originários no pampa gaúcho. Abordando as tensões entre a cultura indígena e ocidental nas cidades, Jekupe cria narrativas que entrelaçam mito, espiritualidade e história. Realizou residências artísticas em inúmeros países, como Chile, França, Alemanha, Espanha e Itália. Participou do 37º Panorama da Arte Brasileira (2022). Suas obras integram a coleção de instituições como MAM São Paulo, Museu das Culturas Indígenas, Museu Nacional de Belas Artes e Fundação Iberê Camargo.
Zimar
(Matinha, MA, Brasil, 1959)
Euzimar Meireles Gomes nasceu em Matinha, MA, Brasil (1959). Seu trabalho vem de sua ligação vital com o Bumba Meu Boi, importante manifestação cultural da Baixada Maranhense, onde vive e trabalha. Além de artista, Zimar é brincante do Boi e incorpora o personagem Cazumbá, figura misteriosa, travessa e imprevisível que veste ornamentos detalhados e máscaras – também chamadas de “caretas” ou “queixos”. Manejando diferentes materiais, como PVC, pó de serra, borracha, ossos, materiais recicláveis, capacetes e peças de bicicletas, Zimar começou a produzir suas próprias caretas no início dos anos 2000, buscando torná-las mais confortáveis para uso. Ao misturar formas humanas e animais, o artista renovou a tradição das caretas de Cazumbá, criando personagens fantásticos e expressivos. Participou do 38º Panorama da Arte Brasileira (2024–2025) e suas obras integram o acervo do MAM São Paulo, Museu Afro Brasil Emanoel Araujo e Museu de Arte Popular Casa do Pontal.
serviço
Exposição:
Mire Veja: MAM São Paulo visita o SESC Bom Retiro
Local:
Sesc Bom Retiro
Curadoria:
Valquíria Prates e Mirela Estelles
Abertura:
30 de junho de 2026, às 19h
Período expositivo:
1 de julho a 27 de setembro de 2026
Local:
Alameda Nothmann, 185 – Campos Elíseos, São Paulo – SP
Horário de funcionamento:
Terça a sexta, 9h às 20h. Sábado, 10h às 20h. Domingo e feriado, 10h às 18h
FAAP na coleção do MAM: a formação do artista aborda o modo como ambas as instituições irradiam saberes, abrigam rupturas e acompanham os movimentos da arte brasileira. Ao mesmo tempo, reafirma a formação como uma travessia contínua, seja no ensino formal, como na graduação ou na pós-graduação na FAAP, seja a partir de processos de mediação cultural dos museus, como o Educativo MAB e o MAM Educativo, sendo ampliada pelos processos de residência artística, no Brasil e no exterior, programas realizados por ambas as instituições. Mais do que compreender a formação como aprendizado teórico, técnico e de linguagens artísticas, trata-se de estimular o diálogo com o mundo contemporâneo e o contato direto com a arte.
A exposição é um convite para que o público perceba as ressonâncias e as potencialidades da relação entre museu e escola. No Salão Cultural do MAB FAAP, habitado pela coleção do MAM, é possível reconhecer, em cada conjunto de obras, o diálogo entre as diferentes gerações que passaram pelos cursos vinculados à Fundação e que estão presentes tanto na história da arte contemporânea como na coleção do Museu. A formação em arte é um campo de invenção contínua em que o pensamento e o ensino se renovam mutuamente, sempre em movimento.
O recorte curatorial destaca artistas que passaram pela FAAP – como estudantes ou como professores – e cuja presença no acervo do MAM revela o entrelaçamento de percursos. Cada obra testemunha como o Museu acolheu, reconheceu e projetou práticas que, em muitos casos, tiveram seus primeiros ensaios nos ateliês e nas salas de aula. Assim, a mostra desenha um circuito afetivo e histórico: da formação inicial ao reconhecimento institucional, do ambiente escolar ao espaço museológico.
Articulada em três núcleos – alunos, professores e artistas residentes –, a exposição propõe um percurso sobre o período de três décadas de existência dos cursos de artes visuais, de uma perspectiva da formação e da experiência resultante dos processos acadêmicos e institucionais, mas também das trocas sensíveis a partir da vivência na residência artística no estúdio 1422, mantido pela Fundação desde 1997 na Cité Internationale des Arts, em Paris.
Ao reunir obras e trajetórias que atravessam as duas instituições, a exposição evidencia a formação artística como um processo contínuo e relacional, marcado pela circulação de saberes, experiências e histórias entre escola e museu: formação, produção e difusão.
Cauê Alves Curador-chefe do MAM São Paulo
Marcos Moraes Diretor-geral MAB FAAP
realização
mantenedores do MAM São Paulo
mídias assistivas
00. FAAP na coleção do MAM: a formação do artista
01. Santídio Pereira Souza
02. Leda Catunda
03. Alex Cerveny
04. Andre Komatsu
05. Carmela Gross
06. Gustavo Rezende
07. José Leonilson
08. Vik Muniz
09. Mauro Restiffe
10. Regina Silveira
11. FAAP na Coleção do MAM
12. MAM em Movimento
13. Núcleo "Estudantes"
14. Núcleo "Corpo Docente"
15. Núcleo "Artistas"
16. Entrelaçamento entre escola e museu
videoguia | FAAP na coleção do MAM: a formação do artista – Convite
videoguia | FAAP na coleção do MAM: a formação do artista – Boas-vindas
videoguia | FAAP na coleção do MAM: a formação do artista – MAM em Movimento
videoguia | FAAP na coleção do MAM: a formação do artista – Exposição
videoguia | FAAP na coleção do MAM: a formação do artista – Núcleo Estudantes
videoguia | FAAP na coleção do MAM: a formação do artista – Núcleo Professores
videoguia | FAAP na coleção do MAM: a formação do artista – Núcleo Residência
curadoria
Cauê Alves
É mestre e doutor em Filosofia pela FFLCH-USP. Professor do Departamento de Artes da FAFICLA-PUC-SP, é curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo e coordenador do grupo de pesquisa em História da Arte, Crítica e Curadoria (CNPq). Publicou diversos textos sobre arte, entre eles no catálogo Mira Schendel (Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Pinacoteca de São Paulo e Tate Modern, 2013). Foi curador-chefe do Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE, 2016-2020), curador assistente do Pavilhão Brasileiro na 56ª Bienal de Veneza (2015) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011).
Marcos Moraes
É diretor-geral do Museu de Arte Brasileira – MAB FAAP. Doutor pela FAUUSP, bacharel em Direito e Artes Cênicas pela mesma Universidade, especialista em Arte – Educação – Museu, pela ECA USP; e Museologia pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Professor de história da arte na graduação e pós graduação, Coordenador dos cursos de Artes Visuais (Bacharelado e Licenciatura) FAAP; da Residência Artística FAAP e do Programa de residência da FAAP, na Cité des Arts, Paris, e dos Seminários de Investigações contemporâneas FAAP. Integrou o Grupo de Estudo em Curadoria do MAM e o corpo de interlocutores do PIESP. Membro do ICOM Brasil. Curador independente, realizou exposições em instituições como MAC USP, IEB USP, MAM São Paulo, MAB FAAP, Itaúcultural, entre outras. Publicações sobre artistas como Luis Sacilloto, Adriana Varejão, Sandra Cinto, Rodolpho Parigi, Mauro Piva, além de textos de exposições e publicações.
artistas
Alex Červený
(São Paulo, SP, Brasil, 1963)
Artista de formação independente, estudou desenho e pintura em ateliês de artistas, e frequentou o curso livre de litografia da FAAP. Nos anos 1980, também se formou na Academia Piolin de Artes Circenses e integrou o Circo Escola Picadeiro, experiência que marca profundamente sua imaginação visual. Atuou como arte-educador em instituições como o MAM São Paulo, onde lecionou gravura em metal. Sua produção se desenvolve sobretudo na pintura, além de desenho, gravura e aquarela, explorando composições narrativas densas que combinam referências da literatura, da iconografia medieval, do surrealismo e da cultura de massa, especialmente das histórias em quadrinhos. Figuras fantásticas, personagens circenses e arquiteturas imaginárias aparecem em cenas repletas de detalhes e texturas gráficas. Suas obras integram coleções institucionais como as da Pinacoteca de São Paulo, MAM São Paulo, MAM Rio, Museu de Arte do Rio e Fondation Cartier pour l’art contemporain, França.
Alex Vallauri
(Asmara, Etiópia (1949) – São Paulo, SP, Brasil (1987))
Trabalhou entre referências do kitsch e da arte pop, utilizando diversas técnicas, notadamente a serigrafia, o grafite e a cenografia, para representar, com humor crítico, elementos da cultura de massa brasileira da segunda metade do século XX. Realizou sua primeira exposição individual na Associação de Amigos do Museu de Arte Moderna de São Paulo (1970) e, no ano seguinte, formou-se em Comunicação Visual pela FAAP, onde passou a lecionar desenho. Apropriou-se de elementos lúdicos e cotidianos, como objetos de consumo, personagens urbanas e o universo do circo, além de símbolos mais políticos em trabalhos murais que criticavam a dureza do regime militar então vigente, como a icônica instalação A festa da Rainha do Frango Assado (1985), apresentada na 18ª Bienal de São Paulo, na qual a sobreposição de objetos, grafites e serigrafias simulava o interior de uma casa de classe média repleta de ícones da sociedade de consumo. Faleceu precocemente por complicações relacionadas ao HIV em 27 de março de 1987, data posteriormente instituída como o Dia Nacional do Grafite em sua homenagem. Em 2013, o MAM São Paulo organizou Alex Vallauri: São Paulo e Nova York como suporte, a maior retrospectiva já dedicada ao artista.
Ana Maria Tavares
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1958)
Iniciou sua formação na Escola de Belas Artes da UFMG e, posteriormente, transferiu-se para a licenciatura em Artes Plásticas da FAAP (1981), onde lecionou desenho entre 1982 e 1984. Um dos principais nomes da instalação contemporânea no Brasil, desenvolve uma pesquisa voltada à relação entre arte, arquitetura e design, investigando criticamente o cânone da arquitetura moderna brasileira e as formas de organização do espaço urbano nacional. Suas obras frequentemente incorporam materiais e dispositivos ligados ao universo arquitetônico e ao mobiliário, propondo situações que refletem sobre a experiência do corpo, da circulação e da permanência nos ambientes construídos. Desde 1993, é professora da Escola de Comunicações e Artes da USP. Entre suas exposições recentes, destacam-se Paisagens perdidas (para Lina Bo Bardi) (Casa de Vidro, São Paulo, 2025), Campo fraturado (SOS), para o Projeto Parede do MAM São Paulo (2021), e a retrospectiva No lugar mesmo: uma antologia de Ana Maria Tavares, na Pinacoteca de São Paulo (2016).
Anna Mantovani
André Komatsu
(São Paulo, SP, Brasil, 1978)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (2000) e desenvolveu ao longo de sua trajetória uma prática voltada sobretudo à escultura e à instalação. Sua obra investiga criticamente as relações entre poder, espaço urbano e conflitos sociais, tomando como ponto de partida materiais descartados e elementos encontrados nas ruas, como entulhos, restos de construção e objetos cotidianos. Ao reorganizar esses fragmentos em estruturas que frequentemente evocam formas arquitetônicas ou situações de instabilidade e tensão, o artista questiona os modos de organização do espaço urbano e as desigualdades inscritas na vida contemporânea. Entre suas exposições individuais institucionais, destacam-se Noite longa, no Octógono da Pinacoteca de São Paulo (2021), Ordem casual, no Futurdome, em Milão, Itália (2018), e Alaskas, no Centro Cultural São Paulo (2006). Suas obras integram coleções de importantes instituições internacionais como a Tate Modern, em Londres, Inglaterra; e o MoMA, em Nova York, Estados Unidos.
assume vivid astro focus (avaf)
assume vivid astro focus (avaf), um coletivo de artistas fundado em 2001, pode assumir diferentes formações, dependendo dos diferentes projetos em que se envolve. avaf trabalha em uma vasta gama de mídias, incluindo instalações, pintura, tapeçaria, neon, papel de parede, música, etc. Com frequência confronta arraigados códigos culturais, questões de gênero e política, por meio de uma superabundância de cores e formas. O pseudônimo é parte fundamental de seu processo de trabalhar “coletivamente”: o intuito central de seus projetos é sempre a criação de um Gesamtkunstwerk [“obra total de arte”], em que o espectador torna-se um com o trabalho de arte. Ser inclusivo é peça-chave para a realizar suas obras. avaf usa a cor como linguagem universal, com a intenção de garantir a participação e entrega do espectador. O público é sempre a peça central em todos os seus projetos.
Caetano de Almeida
(Campinas, SP, Brasil, 1964)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1988), onde foi aluno de Evandro Carlos Jardim e Nelson Leirner, e frequentou, ainda na década de 1980, os ateliês de gravura da Pinacoteca de São Paulo. Pintor e gravador, desenvolve uma produção marcada por intensa pesquisa cromática e pelo diálogo recorrente com a história da arte. Ao longo de sua carreira, apropria-se de imagens provenientes de livros, enciclopédias e outras fontes visuais, investigando processos de reprodução, circulação e transformação das imagens na cultura contemporânea. Suas pinturas frequentemente retomam referências da tradição pictórica europeia e da arte moderna brasileira, reelaboradas por meio de padrões decorativos, estruturas geométricas e campos cromáticos densos. Entre suas exposições individuais institucionais, destacam-se mostras na Pinacoteca de São Paulo (2007), no MAM Rio (2007), no Instituto Tomie Ohtake (2003) e no MAM São Paulo (2003). Teve sua trajetória reunida no livro O delicioso jardim do vizinho, organizado pelo crítico e curador Paulo Herkenhoff e publicado pela editora Cobogó (2016).
Caio Reisewitz
(São Paulo, SP, Brasil, 1967)
Graduou-se em Comunicação Visual pela FAAP (1989) e especializou-se em Fotografia na Escola Superior de Artes de Darmstadt, Alemanha (1991). Trabalha sobretudo com fotografia, em uma obra que se centra na ação humana sobre a realidade que a cerca, seja na natureza, seja no espaço construído. Suas imagens apresentam composições de forte apelo cromático, explorando formas, texturas e relações espaciais que criam atmosferas oníricas de suspensão e estranhamento. Temas como a relação entre arquitetura urbana e florestas tropicais vizinhas, bem como os conflitos entre natureza e desenvolvimento das grandes cidades, são recorrentes em sua produção. Sua obra dialoga com a tradição dos pintores viajantes e fotógrafos que atuaram no Brasil no século XIX, como Marc Ferrez. Entre suas exposições individuais institucionais destacam-se Altamira, na Pinacoteca de São Paulo, e Parede, para o Projeto Parede do MAM São Paulo (2009). Publicou os livros Parece verdade (Cosac Naify, 2010) e Água escondida (BEĨ, 2015).
Carla Chaim
(São Paulo, SP, Brasil, 1983)
Formou-se em Artes Visuais pela FAAP (2004). Sua prática atravessa performance, desenho, escultura e vídeo, tendo o corpo como elemento central de investigação. Em sua obra, o desenho não aparece como preparação ou rascunho, mas sim como o vestígio de uma ação, um rastro produzido pelo encontro entre gesto, material e espaço. Assim, a artista explora frequentemente processos de redução formal e repetição de gestos, nos quais o corpo atua diretamente sobre diferentes suportes, deixando marcas que registram a presença e o tempo da ação. Entre suas participações em exposições recentes, destacam-se Suspensión, Museo de Arte Contemporáneo de Buenos Aires, Argentina (2025), Histórias da dança, MASP (2020) e Colapso de onda, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2013).
Carla Zaccagnini
(Buenos Aires, Argentina, 1973)
Atua como artista visual, curadora e escritora. Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1995) e realizou um mestrado em Poéticas Visuais na Escola de Comunicação e Artes da USP (2004). Sua obra aborda temas como crítica institucional, deslocamento cultural, iconoclasia simbólica, linguagem e memória, com uso e recontextualização de arquivos, documentos e narrativas históricas. Trabalha com desenho, instalação, texto e vídeo. Realizou as exposições individuais Reação em cadeia com efeito variávelno MUSAC, León, Espanha (2010), e Elementos de beleza: um jogo de chá nunca é apenas um jogo de chá, no MASP (2019). Participou da 28ª e 34ª Bienal de São Paulo — nesta última como curadora convidada.
Carmela Gross
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1946)
Graduou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1969). Em 1981, obteve o título de mestre e, em 1987, o de doutora, ambos pela Escola de Comunicação e Artes da USP e sob orientação do renomado curador Walter Zanini. Considerada uma das artistas mais relevantes do cenário brasileiro contemporâneo, desenvolve uma produção que atravessa desenho, gravura, escultura e instalação. Em seus trabalhos iniciais, entre as décadas de 1960 e 1980, investigou aspectos técnicos e materiais do próprio fazer artístico, explorando processos de reprodução, linguagem e construção da imagem. A partir dos anos 1990, passa a realizar intervenções e instalações de grande escala no espaço urbano, propondo reflexões críticas sobre arquitetura, a história das cidades e suas dimensões sociais e políticas. Ao trabalhar diretamente na cidade e em diálogo com seus fluxos e estruturas, sua obra investiga a relação entre arte, espaço público e experiência coletiva. Além da atuação como artista, Gross também foi professora da Escola de Comunicações e Artes da USP por mais de quarenta anos (1972–2015), onde atuou na formação de diversas gerações de artistas e pesquisadores. Entre suas exposições institucionais recentes destacam-se Quase circo, Sesc Pompéia, São Paulo (2024); Boca do inferno, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre (2024); e Carimbos, Instituto de Arte Contemporânea, São Paulo (2023).
Celina Yamauchi
Graduou-se em Artes Plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da USP, com habilitação em Gravura (1993), onde também obteve os títulos de mestre (2001) e doutora (2013) em Artes. Desde o início de sua trajetória, sua pesquisa problematiza o suporte fotográfico, questionando os limites entre fotografia, desenho e gravura. A artista constrói paisagens por meio da justaposição de imagens fotográficas e incisões feitas diretamente no filme, nas quais o desenho surge como intervenção material sobre o suporte fotográfico. Leciona no ensino superior desde a década de 2000, atualmente integrando o corpo docente da FAAP e do Centro Universitário Belas Artes. Desde a inauguração do Instituto Moreira Salles Paulista, em 2017, atua como professora e curadora da programação das oficinas de fotografia da instituição. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, do MASP, do MAC USP e da Pinacoteca de São Paulo.
Celso Orsini
(Itabira, MG, Brasil, 1958)
Graduou-se em Desenho Industrial pela FAAP (1982), formação que influenciou sua abordagem rigorosa da pintura. Desenvolve uma produção marcada pela abstração geométrica, na qual investiga relações entre cor, figura e espaço pictórico. Suas composições organizam-se a partir de campos de cor, planos retangulares e gestos sutis, construindo superfícies que oscilam entre estrutura geométrica e atmosfera sensível, explorando as possibilidades expressivas da pintura abstrata. Sua obra integra coleções como as do MAM São Paulo, da Fundação Padre Anchieta, em São Paulo, e do Museu de Arte Brasileira da FAAP.
Claudio Mubarac
(Rio Claro, SP, Brasil, 1959)
Graduou-se em Artes Plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da USP (1982), onde também defendeu o doutorado (1998). Sua produção é marcada pela investigação das linguagens da gravura e das possibilidades técnicas da impressão. Trabalhando com procedimentos como gravura em metal, xilogravura, litografia, monotipia, fotografia e manipulação digital, frequentemente combina diferentes processos na mesma matriz para explorar as complexidades materiais da imagem impressa. Em sua obra, são recorrentes temas como representações do corpo humano e referências à história da gravura. Além de artista, tem forte atuação como docente universitário. Entre 1985 e 2000, lecionou gravura na FAAP e coordenou o Ateliê Livre de Gravura do Museu Lasar Segall (1989–2000). É professor de desenho e gravura da ECA-USP desde 2004, onde se tornou Professor Titular de Desenho (2019).
Dora Longo Bahia
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
Concluiu a licenciatura em Educação Artística pela FAAP (1987) e é doutora em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP (2005), com pós-doutorado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (2012). Artista multimídia, desenvolve desde os anos 1980 uma produção que atravessa pintura, vídeo, fotografia, performance, e cinema. Sua obra reflete principalmente sobre a temática da violência e sua relação com gênero, sexualidade e crítica institucional, frequentemente explorando a agressão presente na própria imagem como procedimento formal. Entre suas exposições institucionais recentes destacam-se Minas (2022), e A polícia vai, a polícia vem (2017), ambas no no Centro Cultural São Paulo, e Os desastres da guerra, na Pinacoteca de São Paulo (2017). É professora da ECA-USP, onde atua no curso e no programa de pós-graduação em Artes Visuais. Suas obras integram coleções como as da Pinacoteca de São Paulo, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, do MASP e do Instituto Moreira Salles.
Edgard de Souza
(São Paulo, SP, Brasil, 1962)
Licenciou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1984). Trabalha como escultor, desenvolvendo uma produção marcada pela investigação da corporalidade e pela exploração da tridimensionalidade. Suas obras frequentemente apresentam formas que remetem ao corpo humano de maneira ambígua, evocando vestígios ou indícios de presenças corporais, como mesas e cadeiras que parecem ganhar vida própria. Iniciada no começo dos anos 1980, sua prática artística foi uma das primeiras no cenário brasileiro a dialogar com questões ligadas à homossexualidade. Entre suas exposições institucionais destacam-se A voluta e outros trabalhos, na Pinacoteca de São Paulo (2004), Edgard de Souza, no Centro Cultural São Paulo (2015), e Edgard de Souza, no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto (2016).
Edith Derdyk
(São Paulo, SP, Brasil, 1955)
Graduou-se na Licenciatura em Artes Plásticas pela FAAP (1980). Trabalha como artista, ilustradora e educadora, frequentemente borrando as fronteiras entre essas três ocupações, desenvolvendo uma produção centrada principalmente no desenho e na instalação. Em sua obra, investiga o desenho como prática autônoma, frequentemente expandida para o espaço e para o campo da palavra, aproximando artes visuais e literatura. Também atua como autora de teoria da arte e livros infantis, além de ilustradora de publicações, tendo publicado diversos livros voltados ao público infantil e à reflexão sobre o desenho, como Formas de pensar o desenho (2007), Linha de costura (2010) e Entre ser um e ser mil: o objeto livro e suas poéticas (2015).
Edouard Fraipont
(São Paulo, SP, Brasil, 1972)
Estudou fotografia na Escola Focus (1991–1992) e graduou-se em Cinema pela FAAP (1998), formação que influenciou sua prática de estudar os limites da representação do movimento em imagens estáticas. A partir de meados da década de 1990, passou a desenvolver uma pesquisa centrada na relação entre corpo, luz e representação. Utilizando recursos técnicos da fotografia, como longos tempos de exposição e manipulação de iluminação durante o registro, cria obras nas quais o corpo aparece diluído em rastros luminosos e campos cromáticos difusos, como se estivesse dançando na imagem. Esses procedimentos produzem atmosferas oníricas e fantásticas que questionam a fotografia como representação direta do real, aproximando-a de um campo mais próximo do desenho e da performance. Entre suas exposições individuais destacam-se Um corpo fugiente, no Sesc Vila Mariana (2010), e Estudo de figuras humanas / tributo a Francis Bacon, no Centro Brasileiro Britânico, São Paulo (2010).
Elisa Bracher
(São Paulo, SP, Brasil, 1965)
É formada em Artes Plásticas pela FAAP (1987). Iniciou sua produção no final dos anos 1980 a partir da gravura, ampliando posteriormente sua prática para a escultura, o desenho e a instalação. Sua obra investiga as relações entre forma, matéria e espaço, explorando os limites plásticos de materiais como madeira, metal e tecido, frequentemente em estruturas e instalações de grande escala. Desde 1989 atua também como educadora, tendo lecionado desenho e gravura na FAAP. Em 2001 fundou, com Ana Cristina Cintra, o Instituto Acaia, dedicado a projetos socioeducativos que oferecem oficinas de marcenaria, desenho e gravura para jovens da Vila Leopoldina, em São Paulo, além de, em 2019, ter co-fundado o Instituto Çarê, voltado à preservação de acervos e à realização de projetos culturais e educativos. Entre suas exposições institucionais destacam-se Ponto final sem pausas, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2011) e Elisa Bracher: formas vivas, na Pinacoteca de São Paulo (2023).
Evandro Carlos Jardim
(São Paulo, SP, Brasil, 1936)
Formou-se em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes de São Paulo (1957) e, no final da década de 1950, frequentou o ateliê de Lívio Abramo na Praça Roosevelt. Atua sobretudo como gravador e professor universitário. Construiu uma vasta produção marcada pela gravura em metal, com um estilo fortemente pautado na economia de traços e com predomínio de composições em preto e branco. Em sua obra, são recorrentes temáticas como as paisagens urbanas de São Paulo; elementos da natureza (como pássaros, árvores e conchas); e representações de clássicos da literatura, em interpretações visuais de obras como Macunaíma e A Divina Comédia. Lecionou gravura na FAAP, e ingressou em 1972 como professor de desenho e gravura no Departamento de Artes Plásticas da ECA-USP, onde concluiu o mestrado, sob orientação de Aracy Amaral (1980) e o doutorado, sob orientação de Walter Zanini (1989). Suas obras integram coleções como as do MoMA, de Nova York,, do MAM São Paulo, do MASP e do MAC USP.
Fabiano Marques
(Santos, SP, Brasil, 1970)
Formou-se em Comunicação Social pela FAAP (1992). Trabalha com vídeo, performance, escultura e instalações, muitas vezes concebidas como estruturas ou situações regidas por regras próprias de interação. Sua produção frequentemente mobiliza referências da história da arte e elementos simbólicos ligados à formação cultural brasileira, explorando duração, jogo e participação como procedimentos de trabalho. Suas obras integram coleções como as do MAM de São Paulo, do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e da Pinacoteca de São Paulo.
Fabio Morais
(São Paulo, SP, Brasil, 1975)
Graduou-se em Artes Plásticas pela FAAP (2001). Trabalha como artista, escritor e pesquisador, transitando entre os espaços expositivo e editorial, investigando as relações entre visualidade e linguagem. Sua produção explora a materialidade e a espacialidade da escrita em suportes como livros de artista, publicações, instalações e textos, aproximando práticas literárias e artes visuais. É mestre em Artes Visuais pela UDESC, com a dissertação Site Specific (2013), e doutor pela mesma instituição, com a tese Escritexpográfica (2020), pesquisas voltadas à escrita como forma e procedimento no campo da arte. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, do MAC USP, e do Museu da Língua Portuguesa, além de estar presente em diversos acervos de livros de artista, como a biblioteca do MoMa e do Metropolitan Museum of Art (Nova York, Estados Unidos), Tate Library and Archive (Londres, Inglaterra) e Bibliothèque Kandinsky Centre Pompidou (Paris, França).
Fabricio Lopez
(Santos, SP, Brasil, 1977)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP e é mestre em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP, sob orientação de Cláudio Mubarac. É co-fundador da Associação Cultural Jatobá (AJA) e do Ateliê Espaço Coringa, coletivo que entre 1998 e 2009 realizou exposições, publicações, vídeos e residências artísticas. Sua produção concentra-se na gravura, especialmente em xilogravuras e relevos pintados de grande escala. Trabalhando a partir de matrizes de madeira e grandes chapas de compensado, desenvolve composições estruturadas por campos de cor, camadas de impressão e relações entre figura e fundo, explorando as dimensões física e cromática da estampa. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, da Pinacoteca de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura de Santos e do Ministério das Relações Exteriores. Recebeu o Prêmio de Residência Artística Arthur Luiz Piza (2015).
Felipe Cama
(Porto Alegre, RS, Brasil, 1977)
É bacharel em Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP (1992). Fundou o Studio Cama e foi co-fundador do bloco de carnaval e associação cultural Acadêmicos do Baixo Augusta. Sua produção parte da fotografia e da pintura para investigar os modos de circulação das imagens na história da arte. Em muitos trabalhos recria fotografias e pinturas a partir de impressões digitais em superfícies reticuladas, aproximando a imagem da lógica da impressão gráfica e ressaltando seu caráter mediado. Também desenvolve esculturas e objetos ligados à apresentação da imagem, explorando suportes expositivos, molduras e dispositivos de reprodução. Suas obras integram coleções públicas como as do MAC USP, do MAM São Paulo, do Centro Cultural São Paulo, do Museu de Arte de Ribeirão Preto e do Museu de Arte do Rio Grande do Sul.
Felipe Cohen
(São Paulo, SP, Brasil, 1976)
Formou-se em Desenho e Escultura pela FAAP (2000). Desenvolve esculturas e objetos que investigam relações entre forma, matéria e equilíbrio, frequentemente combinando materiais industriais nobres e elementos do cotidiano. Sua produção dialoga com questões recorrentes da história da arte, reinterpretando gêneros e signos tradicionais por meio de construções formais precisas e arranjos espaciais que produzem situações paradoxais entre os elementos. Suas obras integram coleções institucionais como as da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do MAM São Paulo, do Museu de Arte do Rio e do Museu de Arte de Ribeirão Preto.
Flávia Junqueira
(São Paulo, SP, Brasil, 1985)
Bacharel em Artes Plásticas pela FAAP, possui pós-graduação em Fotografia pela mesma instituição, mestrado em Poéticas Visuais pela USP e doutorado pelo Instituto de Artes da UNICAMP. Desenvolve uma produção centrada na fotografia e na instalação, marcada pela criação de cenas montadas em edifícios históricos e espaços públicos. Em muitos trabalhos ocupa arquiteturas tombadas com balões de gás hélio, carrosséis e outros elementos associados ao imaginário da infância, produzindo imagens que aproximam memória, fantasia e patrimônio arquitetônico. Suas intervenções transformam temporariamente esses espaços e são posteriormente registradas em fotografia. Suas obras integram coleções públicas como as do MAM São Paulo, do MAM Rio, do MIS de São Paulo, do MAB FAAP e do Museu do Ministério das Relações Exteriores.
Gilberto Mariotti
(São Paulo, SP, Brasil, 1945)
Graduou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1996) e obteve mestrado (2009) e doutorado (2016) em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Artista, crítico, pesquisador e educador, atua na interseção entre arte, escrita e pensamento crítico. É professor de História, Teoria e Crítica da Arte na Escola da Cidade, no curso de Arquitetura e Urbanismo, onde coordena a Plataforma de Práticas Espaciais, e desenvolve projetos curatoriais como o Jardim Imaginário na Fundação Ema Klabin. No campo editorial e da pesquisa, é editor da revista eletrônica Periódico Permanente (Fórum Permanente) e autor ou organizador de publicações como Monumetria (2009), Museu Arte Hoje (2011) e Contracondutas: uma ação político-pedagógica (2016).
Motta & Lima
(São Paulo, SP, Brasil, 1976 – ambos)
Gisela Motta e Leandro Lima nasceram em São Paulo, SP, Brasil (1976). Formaram-se em Artes Plásticas pela FAAP (1999), onde se conheceram e iniciaram sua colaboração em 1997. Desenvolvem uma prática conjunta que transita entre vídeo, fotografia, e instalação, frequentemente explorando sistemas construtivos e dispositivos técnicos. Seus trabalhos investigam os mecanismos de produção de imagens, muitas vezes por meio de estruturas artificiais e construções que produzem efeitos ópticos ou espaciais. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Acervo Sesc de Arte, do Instituto Inhotim, do Instituto Figueiredo Ferraz, do Museu Nacional da República, e do Museu de Arte Contemporânea de Goiás.
Guilherme Peters
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1987)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP. Desenvolve trabalhos que transitam entre vídeo, performance, instalação e cinema, frequentemente estruturados a partir de ações que evidenciam o esforço físico, o som, a eletricidade ou o movimento necessários para que a obra aconteça. Seus trabalhos costumam explorar processos de repetição, desgaste e transformação, criando dispositivos e situações em que a própria tentativa de fazer algo funcionar ou se sustentar se torna parte central do trabalho. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo e do Instituto Figueiredo Ferraz, além da coleção Konex, em Buenos Aires.
Gustavo Rezende
(Passa Vinte, MG, Brasil, 1960)
Graduou-se em Arquitetura pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo (1984) e realizou mestrado no Goldsmiths College, em Londres, após receber o British Council Fellowship (1993). Obteve doutorado em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP (2004). Desenvolve uma produção centrada na escultura, que também se desdobra em desenho, gravura, fotografia e vídeo, investigando as possibilidades do tridimensional e suas relações com a história da arte. Foi professor de escultura na FAAP por mais de duas décadas (1995–2023). Suas obras integram coleções públicas como as do MAM São Paulo, do MAC USP e da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Herman Tacasey
(São Paulo, SP, Brasil, 1962)
Formou-se em Licenciatura em Artes Plásticas pela FAAP (1986), possui MBA em Master Technology Education pela mesma instituição (2004) e mestrado em Comunicação e Cultura Midiática pela UNIP (2020). Desenvolve uma produção centrada na gravura, além de desenho, ilustração e projetos gráficos, frequentemente explorando imagens ligadas ao mar e ao universo aquático. Desde 1987 atua como professor na FAAP, onde leciona disciplinas ligadas à gravura, design e audiovisual, incluindo animação. É também pesquisador do GEAA – Grupo de Estudos Arte Ásia, vinculado à UNIFESP e à USP.
Hudinilson Júnior
(São Paulo, SP, Brasil, 1957 – 2013)
Formado em Artes Plásticas pela FAAP (1977), foi incremental no uso da xerox como suporte artístico no Brasil. Seu trabalho, profundamente marcado por essa técnica, articula temas como autorrepresentação, homoerotismo e crítica institucional. Fundou o coletivo 3NÓS3 (1979-1982), que é conhecido por suas ações transgressoras no espaço público durante a ditadura militar. Atuou na Pinacoteca de São Paulo como arte-educador e curador, além de coordenar o Centro de Xerografia (1975–1981). Na mesma instituição, teve sua grande exposição retrospectiva e panorâmica Explícito (2020). Também participou da 16ª e 18ª Bienais de São Paulo (1981, 1985), da 3ª Bienal do Mercosul (2001), e dos Panoramas da Arte Brasileira (1980 e 1984).
Iran do Espírito Santo
(Mococa, SP, Brasil, 1963)
Iran do Espírito Santo nasceu em Mococa, SP, Brasil (1963). Formou-se em Licenciatura em Artes Plásticas pela FAAP (1986). Desenvolve uma produção centrada no desenho, na escultura e na instalação, investigando as relações entre percepção visual, objeto e espaço. Seu trabalho frequentemente parte de objetos cotidianos, reinterpretados com forte precisão formal e diálogo com o vocabulário do desenho industrial. A economia de meios, a apropriação de objetos e o deslocamento do seu contexto original de uso e a redução cromática, frequentemente baseada em branco, cinza e preto, são elementos recorrentes em sua pesquisa. Participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1990, 1997, 2001 e 2008) e de edições da Bienal de São Paulo (1987, 2008 e 2013). Suas obras integram coleções institucionais nacionais como as do MASP, MAM São Paulo, Acervo Sesc de Arte, MAC USP, Instituto Inhotim, além de coleções internacionais, como as do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA), Argentina; e do MoMA, Nova York, Estados Unidos.
Jac Leirner
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1984), instituição onde lecionou entre 1987 e 1989. Desenvolve uma produção marcada pela coleta, acumulação e reorganização de objetos cotidianos, frequentemente ligados ao universo do consumo, como cédulas, maços de cigarro, sacolas plásticas e outros materiais banais. Esses elementos são agrupados e reconfigurados em esculturas, instalações e séries que exploram relações de repetição, cor, tipologia e serialidade. Ao deslocar esses objetos de sua função original, a artista investiga os sistemas de valor, circulação e classificação que organizam a vida cotidiana, estabelecendo diálogos com a arte conceitual, a minimal art e a tradição do ready-made de Marcel Duchamp. Suas obras integram importantes coleções nacionais e internacionais, como MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, MoMA, Nova York e o Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York.
João Loureiro
(São Paulo, SP, Brasil, 1972)
Licenciou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1995) e é mestre em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP (2007). Desenvolve uma produção centrada na escultura, frequentemente derivada do desenho, que parte de objetos e estruturas do cotidiano, como mobiliário, jogos ou elementos arquitetônicos, para investigar relações entre forma, função e representação. Seus trabalhos costumam transformar esses referentes familiares em objetos estranhos ou inutilizáveis, explorando ambiguidades entre imagem e objeto. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAC USP, Pinacoteca de São Paulo, Museu de Arte do Rio, Museu de Arte de Santo André e a Coleção de Arte da Cidade do CCSP.
José Leonilson
(Fortaleza, CE, Brasil, 1957 – São Paulo, SP, Brasil, 1993)
Estudou Artes Plásticas na FAAP (1981). Foi um dos nomes centrais da chamada Geração 80, desenvolvendo uma produção marcada por uma forte dimensão autobiográfica que atravessa desenho, pintura, bordado, tecelagem e instalação. Seus trabalhos frequentemente combinam palavras, símbolos e formas delicadas para construir narrativas íntimas e poéticas sobre afeto, desejo e vulnerabilidade. Temas ligados à experiência da homossexualidade, ao amor e à doença são centrais em sua obra, especialmente no fim da década de 1980, no contexto da epidemia de HIV/AIDS, que levou à sua morte precoce. Sua memória e acervo são preservados pelo Projeto Leonilson, dedicado à pesquisa, preservação e difusão de seu arquivo e obra. Exposições institucionais recentes incluem Leonilson: Agora e as oportunidades, MASP (2024), Leonilson: montanhas protetoras e ao longe, vulcões, rios, furacões, mares, abismos e das amizades, Pinacoteca do Ceará (2024) e Leonilson: Truth, Fiction, Pinacoteca de São Paulo (2014).
José Moraes
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1921 – São Paulo, SP, Brasil, 2003)
Formou-se em pintura pela Escola Nacional de Belas Artes (1941). No início da carreira trabalhou como assistente de Candido Portinari, participando também da execução do icônico painel da Igreja de São Francisco de Assis, em Belo Horizonte (1945). Em 1967 passou a lecionar pintura na FAAP. Desenvolveu uma produção inteiramente figurativa, dedicada sobretudo à pintura, além de gravura e escultura. Seus temas recorrentes incluem naturezas-mortas, figuras humanas, retratos e paisagens, tratados com forte atenção à estrutura da composição e à modulação da cor. Sua pintura dialoga com tradições da arte moderna do século XX, especialmente com a herança de Cézanne, articulando volumes e planos em composições sólidas. Suas obras integram coleções institucionais como as do MoMA, Nova York; MAM São Paulo, MASP e Pinacoteca de São Paulo.
José Spaniol
(São Luiz Gonzaga, RS, Brasil, 1960)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1983), instituição onde também lecionou no final da década de 1980. Desenvolve uma produção que transita entre desenho, escultura e instalação, com forte atenção à relação entre obra, arquitetura e espaço público. Muitos de seus trabalhos operam como intervenções espaciais que exploram a verticalidade e a horizontalidade, criando situações de deslocamento e estranhamento na percepção do espectador. Utilizando materiais diversos e estruturas de grande escala, suas instalações frequentemente dialogam com o ambiente arquitetônico e urbano. Em 2003, co-fundou em São Paulo, junto a outros artistas, o espaço de ensino e pesquisa Oficina Virgílio. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAC USP, Centro Cultural São Paulo e Itaú Cultural.
Julio Plaza
(Madri, Espanha, 1938 – São Paulo, SP, Brasil, 2003)
Foi artista multimídia, pesquisador e professor. Estabeleceu-se no Brasil no final dos anos 1960 e desenvolveu uma produção voltada às relações entre arte, comunicação visual e tecnologias emergentes no período. Seu trabalho dialoga com a poesia concreta e investiga a articulação entre texto, imagem e espaço em meios como livros de artista, arte postal, videotexto, fax, holografia e computação digital, sendo um dos pioneiros no país na exploração artística desses suportes. Atuou intensamente no campo acadêmico, lecionando na Escola de Comunicação e Artes da USP, onde participou da criação da habilitação em Multimídia e Intermídia e do programa de pós-graduação em Artes Visuais. Teve uma extensa colaboração conjunta em projetos e pesquisas com a artista Regina Silveira, com quem foi casado. Também ensinou na FAAP, na PUC-SP e na Unicamp, contribuindo para a formação de gerações de artistas interessados nas relações entre arte e tecnologia. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAC USP, Pinacoteca de São Paulo e MAB FAAP.
Karola Braga
(São Caetano do Sul, SP, Brasil, 1988)
Karola BragaFormou-se em Artes Plásticas pela FAAP (2015) e é mestre em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP (2021). Desenvolve uma produção centrada na investigação do olfato como linguagem nas artes visuais, sendo uma das pioneiras no Brasil na pesquisa artística e teórica sobre experiências olfativas. Seus trabalhos exploram a relação entre cheiro, memória e percepção, criando instalações e dispositivos que ativam lembranças individuais e coletivas por meio de estímulos sensoriais. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAB FAAP e Museu Eva Klabin.
Keila Avelar
(Santo Antônio da Platina, PR, Brasil, 1970)
Formou-se em Artes Visuais pela FAAP (1996). Desenvolve uma produção que transita entre diversos suportes, frequentemente explorando a imagem como objeto tridimensional. O autorretrato é um eixo recorrente em sua obra, muitas vezes apresentado em escala real ou articulado a estruturas e objetos que aproximam o corpo de dispositivos lúdicos ou mecânicos. Seus trabalhos investigam relações entre identidade, representação e encenação, criando situações que combinam elementos do universo infantil com referências ao cotidiano adulto. Suas obras integram coleções públicas como a do MAM São Paulo.
Laurita Salles
(São Paulo, SP, Brasil, 1952)
Formou-se em Artes Plásticas pela Escola de Comunicação e Artes da USP (1982), onde também realizou mestrado e doutorado em Poéticas Visuais (2003). Gravadora, escultora e professora, desenvolve uma produção marcada pela investigação dos processos e materiais da gravura em metal, frequentemente deslocando a matriz metálica de sua função tradicional de impressão para tratá-la como objeto e estrutura tridimensional. Sua pesquisa articula técnicas clássicas dessa linguagem com procedimentos industriais e experimentações com materiais como latão e polímeros, aproximando gravura e escultura. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAC USP, MAM São Paulo, MAM Rio, e da Pinacoteca de São Paulo.
Leda Catunda
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1984). É reconhecida como uma das artistas mais importantes da arte brasileira contemporânea. Sua produção inicial dialoga com o universo pop e com a apropriação de imagens da cultura visual cotidiana, utilizando estampas e figuras já existentes como ponto de partida para pinturas que comentam sobre a circulação massiva de imagens. A partir do final dos anos 1980, seu trabalho passa a incorporar tecidos e materiais domésticos como suportes, como edredons, toalhas, flanelas e cortinas, criando obras situadas entre a pintura e a escultura. Nesse processo, a artista explora qualidades táteis e estruturais desses materiais, investigação que fundamenta sua seminal tese de doutorado na Escola de Comunicação e Artes da USP, A poética da maciez (2003), dedicada ao estudo de formas amolecidas e superfícies acolchoadas na arte. Suas obras integram coleções institucionais como as do MASP, MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo e Instituto Inhotim.
Leticia Ramos
(Santo Antônio da Patrulha, RS, Brasil, 1976)
Estudou Arquitetura e Urbanismo na UFRGS e formou-se em Cinema pela FAAP (2007). Desenvolve uma produção que transita entre fotografia, vídeo e instalação, marcada pela criação de aparatos ópticos e dispositivos experimentais de captação de imagem. Em vez de utilizar equipamentos convencionais, a artista frequentemente constrói suas próprias máquinas, investigando as condições materiais da fotografia e do movimento. Seu trabalho dialoga com a história da fotografia e do cinema experimental, recorrendo a técnicas como cianotipia e microfilme e combinando observação científica e imaginação criativa. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAM Rio, Pinacoteca de São Paulo, CCSP, Instituto Moreira Salles e Itaú Cultural.
Leya Mira Brander
(São Paulo, SP, Brasil, 1976)
Formou-se em Educação Artística pela FAAP (1997). Desenvolve uma produção centrada na gravura em metal, além de desenho e instalação, marcada pela recombinação de pequenas matrizes e pela construção de sequências de imagens. Suas obras frequentemente articulam texto e imagem em composições de caráter íntimo, próximas de um diário visual, em que gestos, memórias e situações do cotidiano são reorganizados em narrativas fragmentadas. Seu trabalho também investiga a sobreposição de processos manuais e gráficos, combinando rigor formal e experimentação técnica. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo e da Pinacoteca de São Paulo.
Lia Chaia
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1978)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (2003). Desenvolve uma produção que transita entre performance, fotografia, vídeo, desenho e instalação, tendo o corpo como eixo central de investigação. Em muitos trabalhos, a artista utiliza o próprio corpo como instrumento para explorar tensões entre natureza e cultura, colocando-o em relação direta com a cidade, com a paisagem e com objetos do cotidiano. Suas ações e registros investigam como essa presença se adapta e reage aos estímulos do espaço urbano e às transformações do ambiente natural, evidenciando as contradições entre esses campos. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAM Rio, Museu de Arte do Rio e Instituto Inhotim.
Lina Kim
(São Paulo, SP, Brasil, 1975)
Vive e trabalha em Berlim. Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP e realizou estudos na Art Students League, em Nova York. Desenvolve uma produção que transita entre instalação, fotografia, vídeo e desenho, frequentemente investigando relações entre arquitetura, paisagem e presença humana. Participou de importantes exposições coletivas internacionais, como a 25ª Bienal de São Paulo (2002), além das bienais de Gwangju, na China, e Havana, em Cuba, onde apresentou instalações site-specific.
Lucas Bambozzi
(Matão, SP, 1965 – Vive e trabalha em São Paulo, SP)
Formou-se em Comunicação Social pela UFMG (1994) e realizou mestrado na University of Plymouth, Inglaterra (2006). Em 2019, concluiu doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, com a tese Do invisível ao redor: arte e espaço informacional. Desenvolve uma produção voltada às relações entre arte, tecnologia e espaço urbano, trabalhando com vídeo, instalação, cinema e projetos audiovisuais experimentais. Desde o final dos anos 1980, investiga criticamente os modos como dispositivos digitais, redes e sistemas de informação atravessam a vida cotidiana e os espaços públicos. Também atua como professor na FAAP e como pesquisador no campo da arte e das novas mídias. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAC USP e Associação Cultural Videobrasil.
Lucia Koch
(Porto Alegre, RS, Brasil, 1966)
Formou-se em Artes Plásticas pela UFRGS (1989), onde também concluiu mestrado em Artes Visuais (2000). Em 2008, obteve doutorado em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP, sob orientação de Carlos Fajardo, com a tese Estados alterados do lugar, uma síntese teórica dos principais pontos de sua obra. Sua produção se desenvolve em diálogo com a arquitetura e com os modos de percepção do espaço, investigando sobretudo a incidência da luz, suas variações cromáticas e seus efeitos sobre a experiência do ambiente. Por meio de intervenções em janelas, fachadas e superfícies translúcidas, reorganiza visualmente espaços existentes e cria novas relações entre interior e exterior. Foi uma das fundadoras do grupo Arte Construtora, além de também ter co-fundado projetos coletivos como o JAMAC e o ali:leste. Atua como docente e pesquisadora, tendo lecionado em instituições como UFRGS e FAAP, além de integrar atualmente o Departamento de Artes Plásticas da ECA USP. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, Museu de Arte do Rio e J. Paul Getty Museum.
Luiz Solha
(Mongaguá, SP, Brasil, 1958)
Formou-se em Licenciatura em Educação Artística pela FAAP (1985). Desenvolve uma produção que transita entre pintura, escultura, gravura, fotografia e instalação, embora a pintura ocupe papel central em sua trajetória. Seu trabalho se caracteriza por imagens figurativas de forte elaboração técnica, com destaque para representações de paisagens, construídas a partir do diálogo entre pintura e fotografia. A observação da luz e dos efeitos de foco e desfoque constitui elemento fundamental de seu processo, explorando relações entre presença, memória e a percepção do instante. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo e do MAB FAAP.
Luiz Zerbini
(São Paulo, SP, Brasil, 1959)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1980). No início da carreira, integrou a chamada Geração 80, participando da retomada da pintura no cenário artístico brasileiro após o período de predominância das linguagens conceituais. Sua produção transita entre pintura, monotipia, escultura, fotografia, vídeo e instalação, embora a investigação pictórica permaneça no centro de sua trajetória. Com uma paleta vibrante e luminosa, desenvolve composições densas que combinam figuração, abstração e elementos geométricos. Folhagens, paisagens e tramas vegetais aparecem com frequência em suas pinturas e monotipias, revelando um interesse pela observação da natureza e pelo estudo de texturas e padrões orgânicos. Em trabalhos mais recentes, o artista também se dedica a revisões críticas da história da arte, especialmente da tradição da pintura no Brasil. Suas obras integram coleções institucionais como as do MASP, MAM São Paulo, MAM Rio, Itaú Cultural e Instituto Inhotim.
Lydia Okumura
(Oswaldo Cruz, SP, Brasil, 1948)
Formada em Artes Plásticas pela FAAP (1973), radicou-se em Nova York no ano seguinte, onde estudou no Pratt Graphics Center e no Creative Artists Public Service Program. Desde os anos 1970, investiga a percepção espacial por meio da abstração geométrica e da materialidade, criando composições engenhosas com fios, tinta acrílica e materiais industriais que sugerem tridimensionalidade em diálogo com a arquitetura expositiva. Sua obra articula pintura, instalação e escultura com rigor conceitual e formal. Participou de diversas edições da Bienal de São Paulo ao longo da década de 1970, e integra coleções de instituições nacionais, como o MAM São Paulo, e internacionais prestigiadas, como o MoMA e o Metropolitan Museum of Art, ambos em Nova York, Estados Unidos, e o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha.
Marcelo Arruda
(São Paulo, SP, Brasil, 1967)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1996). Iniciou sua trajetória na fotografia na segunda metade da década de 1980, trabalhando como assistente em estúdios publicitários e participando de cursos e exposições dedicados à linguagem fotográfica. Sua produção investiga criticamente a natureza da imagem fotográfica, explorando procedimentos técnicos que deslocam a fotografia do campo do registro para um território mais próximo da experimentação. Ao submeter imagens a sucessivas reproduções, seus trabalhos questionam as relações entre objetividade, invenção e memória visual. Atua hoje por meio do Foto Fósforo Estúdio, fundado pelo artista em 1994. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MASP e MIS São Paulo.
Marcelo Cidade
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1979)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (2002). Desenvolve uma produção que transita entre os limites da instalação e da escultura, frequentemente a partir da apropriação e do deslocamento de materiais e signos do espaço urbano. Utilizando elementos como concreto, metal, vidro e tinta spray, seus trabalhos investigam as relações entre arquitetura, cidade e poder, abordando temas como violência, segregação e controle no espaço público. Ao mobilizar referências da arquitetura e do urbanismo modernos, constrói uma reflexão crítica sobre os ideais de modernização no Brasil e suas contradições sociais. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MASP, Tate Modern e Museo Tamayo.
Marcello Nitsche
(São Paulo, SP, Brasil, 1942 – 2017)
Formou-se em Licenciatura em Desenho pela FAAP (1969). Iniciou sua trajetória como gravador e logo passou a se dedicar à pintura, aproximando-se da arte pop e da linguagem gráfica das histórias em quadrinhos, com obras marcadas por humor, ironia e forte presença de elementos visuais da cultura urbana. A partir da década de 1960, também passou a explorar materiais industriais e formatos não convencionais, desenvolvendo esculturas e projetos em grande escala. Ao longo de sua trajetória transitou entre pintura, escultura, cinema experimental e trabalhos intermídia. Suas obras integram coleções museológicas como as do MAM São Paulo, MAC USP e Pinacoteca de São Paulo.
Marcia Xavier
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1967)
Formou-se em Comunicação Visual pela FAAP (1989). Desenvolve uma produção que parte da fotografia para investigar paisagem, horizonte e arquitetura, frequentemente por meio de dispositivos ópticos, caixas de luz e estruturas que alteram a percepção da imagem. Em seus trabalhos, utiliza lentes, espelhos e refração da água para produzir distorções e deslocamentos visuais, explorando os limites entre registro e construção da imagem. Iniciou sua trajetória nos anos 1990 com séries de autorretratos fotográficos e, posteriormente, ampliou sua pesquisa para investigações formais sobre luz, visão e espacialidade. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAM Rio, MAC Ribeirão Preto e Société Générale d’Art Contemporain, França.
Marcius Galan
(Indianápolis, Estados Unidos, 1972)
Formou-se em Licenciatura em Educação Artística pela FAAP (1997). Desenvolve uma produção que transita entre instalação, escultura, desenho, fotografia e vídeo, tendo como eixo central a investigação do espaço e da percepção. A partir de procedimentos mínimos e do uso de objetos cotidianos, o artista reorganiza elementos arquitetônicos e materiais simples para produzir situações de deslocamento perceptivo, muitas vezes recorrendo a efeitos óptico. Em seus trabalhos, cor, medida e disposição espacial são mobilizadas para questionar a estabilidade dos objetos e os modos de ver. Suas obras integram coleções públicas como as do MASP, MAM São Paulo, MAM Rio e Pinacoteca de São Paulo.
Maria Teresa Louro
(São Paulo, SP, Brasil, 1963)
Graduou-se no curso de Artes Plásticas da FAAP (1984) e concluiu mestrado em Desenho e História da Arte pela Escola de Comunicação e Artes da USP (2001). Desenvolve uma produção centrada sobretudo no desenho, além da pintura, explorando temas como figura humana, natureza-morta e paisagem a partir de cenas do cotidiano. Desde os anos 1990, atua como professora de desenho na FAAP. Em 1998, recebeu o Prêmio Jabuti na categoria infanto-juvenil pelo projeto gráfico do livro Maria Martins: Mistério das Formas, de Katia Canton. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAC USP, e Centro Cultural Wifredo Lam, Cuba.
Marina Rheingantz
(Araraquara, SP, Brasil, 1984)
Formou-se em Artes Visuais pela FAAP (2006), onde também realizou mestrado. É considerada um dos nomes de destaque da nova geração de artistas na cena da arte contemporânea brasileira. Sua produção se desenvolve sobretudo na pintura, com telas de grande escala dedicadas principalmente à paisagem. Iniciando sua trajetória com trabalhos mais figurativos, sua pesquisa migra progressivamente para a abstração, mantendo referências a horizontes, montanhas e formações naturais dissolvidas em campos de cor e gestos pictóricos marcados. Com forte ênfase na materialidade da tinta e na construção da superfície, sua obra se caracteriza por uma investigação profundamente pictórica. Suas obras integram coleções institucionais como as do Centre Georges Pompidou, França, Instituto Inhotim, MAM São Paulo, MAM Rio, Pinacoteca de São Paulo e Instituto Itaú Cultural.
Marina Saleme
(São Paulo, SP, Brasil, 1958)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1982). Desenvolve uma produção centrada sobretudo na pintura, além do desenho, marcada por telas de grande formato em que a sobreposição de camadas de tinta cria superfícies densas e jogos de ocultamento e revelação da forma. Suas composições frequentemente evocam elementos da paisagem, como nuvens e fenômenos naturais, explorando as possibilidades materiais e cromáticas da linguagem pictórica. Suas obras integram coleções institucionais como as da Pinacoteca de São Paulo e do MAM São Paulo.
Mario Ishikawa
(Presidente Prudente, SP, Brasil, 1944)
Formou-se em Desenho pela FAAP (1968). É um dos grandes expoentes da arte conceitual no Brasil, com uma trajetória prolífica que atravessa diversas linguagens e suportes, incluindo pintura, desenho, arte postal, xerografia e livro de artista, dentre outras. Desde o final dos anos 1960, desenvolve trabalhos de forte dimensão política, incorporando imagens da cultura de massa, slogans e procedimentos gráficos para discutir censura, violência e formas de controle social. Foi pioneiro no uso de mídias alternativas como meios de produção e circulação da obra de arte, explorando técnicas de reprodução e comunicação em larga escala. Também atuou como docente, lecionando na FAAP, na Escola de Comunicação e Artes da USP e na Universidade São Judas Tadeu. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAC USP, MAB FAAP e Memorial da Imigração Japonesa.
Mauro Piva
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1977)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1999). Desenvolve uma produção centrada sobretudo na pintura, marcada inicialmente por figuras humanas sem rosto, representadas a partir de códigos visuais como roupas e gestos, em cenas abertas que sugerem reflexões sobre identidade e reconhecimento. Ao longo de sua trajetória, essas imagens foram gradualmente substituídas por elementos do cotidiano, plantas e naturezas-mortas, em composições que tendem progressivamente à abstração. Teve um livro retrospectivo organizado pelo crítico e professor Marcos Moraes publicado pela Editora Cobogó (2015). Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAM Rio, MAM Bahia, Salvador; Museu de Arte do Rio e Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto.
Mauro Restiffe
(São José do Rio Preto, SP, Brasil, 1970)
Formou-se em Cinema pela FAAP (1993). É um dos principais fotógrafos da cena contemporânea brasileira, desenvolvendo desde o fim dos anos 1980 uma produção realizada exclusivamente com fotografia analógica. Utilizando quase sempre filme preto e branco de alta sensibilidade, produz imagens granuladas que exploram relações entre memória, tempo e experiência urbana. Suas fotografias abordam com frequência a arquitetura moderna brasileira, paisagens e cenas cotidianas das grandes cidades, além de eventos políticos e momentos da vida pública, muitas vezes registrados a partir de perspectivas periféricas ou silenciosas. Ao longo de sua trajetória, construiu um amplo arquivo de imagens que investiga os limites entre documento, memória e narrativa visual. Suas obras integram coleções institucionais como as do MoMA, Tate Modern, SFMOMA, Pinacoteca de São Paulo, Instituto Inhotim, MAM São Paulo, MAC USP e Instituto Moreira Salles.
Monica Barth
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
Formou-se em Publicidade e Propaganda pela FAAP (1982) e é mestre em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP (2016). Desenvolve uma produção que transita entre pintura, desenho e trabalhos multimídia, investigando relações entre linguagem, cidade, memória e abstração. Em diferentes séries, incorpora fragmentos de textos e sistemas de escrita às composições, aproximando sua pesquisa de reflexões sobre comunicação e pensamento contemporâneo, em diálogo com autores como o filósofo Vilém Flusser. Também atua como professora e pesquisadora, lecionando na FAAP desde o início da década de 1990 e desenvolvendo atividades de formação em arte e desenho em diversos cursos livres. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAB FAAP, MAC Paraná, Espaço Cultural dos Correios, Rio de Janeiro e Arquivo Flusser, Alemanha.
Mônica Nador
(Ribeirão Preto, SP, Brasil, 1955)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1983). Iniciou sua trajetória como pintora e gravadora, mas, a partir da década de 1990, passou a direcionar sua prática para intervenções sociais realizadas no espaço urbano, sobretudo em bairros afastados dos grandes centros. Desenvolveu projetos de pintura mural em cidades do interior de São Paulo e, posteriormente, na periferia da capital, envolvendo moradores na criação de pinturas em fachadas por meio de técnicas como o estêncil. Em 2004, fundou o Jardim Miriam Arte Clube (JAMAC), na zona sul de São Paulo, que se tornou referência internacional em práticas artísticas coletivas, articulando pintura, formação cultural e ações de educação e cidadania. Sua produção destaca o potencial da arte como ferramenta de transformação social. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAC USP e Pinacoteca de São Paulo.
Monica Schoenacker
(São Paulo, SP, Brasil, 1967)
Formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (1992) e realizou mestrado em Gravura pelo Royal College of Art, em Londres (1999). Desenvolve uma produção que transita entre serigrafia, estamparia, design e outras práticas gráficas, frequentemente combinando processos artesanais e industriais. Em seus projetos, investiga as possibilidades de circulação da imagem impressa e suas relações com o espaço público, realizando também ações no espaço urbano e oficinas de impressão. Atua como docente e pesquisadora, tendo lecionado serigrafia, estamparia e artes visuais em diferentes instituições de ensino e projetos culturais pelo país. Integra a coleção do MAM São Paulo.
Nelson Leirner
(São Paulo, SP, Brasil, 1932 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil 2020)
Nelson Leirner nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1932) e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (2020). Filho da escultora Felícia Leirner e do empresário e colecionador Isaí Leirner, ambos envolvidos na fundação do MAM São Paulo, cresceu em um ambiente próximo ao meio artístico. Desenvolveu uma trajetória prolífica marcada pela crítica institucional e por uma postura irônica, inquieta e sarcástica em relação ao sistema da arte. Trabalhou com pintura, desenho, gravura, instalação, happening e objetos, frequentemente apropriando-se de imagens e materiais da cultura de massa. Em muitas obras, reorganiza esses elementos em composições acumulativas e irônicas que questionam os valores do mercado, da autoria e da própria noção de obra de arte. Em 1966, co-fundou, junto a outros artistas, o Grupo Rex, que criou a Rex Gallery & Sons e o jornal Rex Time como alternativas às instituições tradicionais. Nas décadas de 1970 e 1980, aprofundou seu trabalho conceitual, estimulando a participação do público e a reflexão sobre os circuitos da arte. A partir da década de 1980, atuou também como docente na FAAP e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1972, 1978, 1985, 1988, 1990, 1991, 1999 e 2008). Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MASP, Acervo Sesc de Arte, MAC USP e Pinacoteca de São Paulo.
Nicolas Vlavianos
(Atenas, Grécia, 1929 – São Paulo, SP, Brasil, 2022)
Iniciou sua formação artística em Atenas e, posteriormente, estudou escultura em Paris, na Académie de La Grande Chaumière, com Ossip Zadkine, e na Académie du Feu, com László Szabó. Radicou-se em São Paulo a partir de 1961 e desenvolveu uma produção dedicada sobretudo à escultura, transitando entre figuração e abstração em investigações sobre ritmo, plano e estrutura espacial. Trabalhou com diferentes materiais e escalas, especialmente com metal e latão, criando composições que articulam formas orgânicas e geométricas. Paralelamente à produção artística, atuou como docente na FAAP, onde lecionou expressão tridimensional por diversas décadas. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo e MAC USP.
Norberto Nicola
(São Paulo, SP, Brasil, 1931 – 2007)
Iniciou sua formação no curso para professores de desenho da FAAP (1954) e no Atelier-Abstração, de Samson Flexor. Em 1957, fundou com Jacques Douchez o Ateliê Douchez-Nicola, dedicado à produção de tapeçarias, que funcionou até 1980 e teve papel central na renovação da tapeçaria moderna no Brasil. Reconhecido como um dos principais nomes dessa linguagem no país, desenvolveu obras que transitam entre diversos suporte, com destaque para as tapeçarias e “formas tecidas”, frequentemente tridimensionais, realizadas com materiais diversos como lã, sisal, fibras vegetais, raízes, penas e cipós. A partir da década de 1970, tornou-se também colecionador e pesquisador de arte plumária indígena, organizando a exposição Arte Plumária no Brasil no MAM São Paulo (1980). Em 2021, o museu realizou a exposição Os pássaros de fogo levantarão voo novamente: as formas tecidas de Jacques Douchez e Norberto Nicola, dedicada à sua produção.
Paulo Pasta
(Ariranha, SP, Brasil, 1959)
Formou-se em Artes Plásticas pela Escola de Comunicação e Artes da USP (1983). Desenvolve uma produção centrada na pintura e no desenho, marcada por uma investigação rigorosa da cor, da luz e da estrutura do espaço pictórico. Ao longo de sua trajetória, sua pintura transitou de composições que ainda sugeriam elementos figurativos para uma abstração cada vez mais radical, estruturada por campos cromáticos definidos e pela organização geométrica de planos e linhas verticais e horizontais. Com paletas precisas, explora variações tonais sutis e relações de equilíbrio entre cor e forma, construindo imagens de forte caráter contemplativo. Paralelamente à produção artística, teve intensa atuação docente, lecionando em instituições como a FASM e a FAAP, além de ministrar cursos em museus e centros culturais. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAM Rio, Pinacoteca de São Paulo e MAC USP.
Pazé
(São Paulo, SP, Brasil, 1962)
Formou-se em Artes Visuais pela FAAP (1999). Desenvolve uma produção que articula arte, cidade e mobilidade urbana, frequentemente atravessada por sua experiência como pessoa paraplégica. Trabalha com escultura, instalação, intervenção urbana, desenho e projetos de paisagem, investigando as formas de circulação, permanência e exclusão nos espaços públicos. Sua pesquisa também incorpora elementos da paisagem e da botânica em projetos que aproximam arte, arquitetura e meio ambiente. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, MAM Bahia e Acervo SESC de Arte Brasileira.
Regina Johas
(São José do Rio Preto, SP, Brasil, 1959)
Formou-se em Artes Visuais pela FAAP e realizou mestrado e doutorado em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes USP, com pós-doutorado pela UNESP. Desenvolve uma produção que transita entre instalação, vídeo, fotografia e desenho, investigando as relações entre imagem, espaço e memória, frequentemente em diálogo com territórios, deslocamentos e processos de construção simbólica da paisagem. Paralelamente à produção artística, atua como docente e pesquisadora, tendo lecionado em instituições como FAAP e UNICAMP e integrando atualmente o Departamento de Artes da UFRN. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, Museu Nacional de Belas Artes, MAC Paraná, MAC Ceará e MARP.
Regina Silveira
(Porto Alegre, RS, 1939 – Vive e trabalha em São Paulo, SP)
Formou-se em Pintura pelo Instituto de Artes da UFRGS (1959), onde a orientação que recebeu como aluna de Iberê Camargo foi decisiva para sua compreensão da técnica como instrumento de investigação da imagem. É um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira, com uma trajetória prolífica que atravessa mais de cinco décadas e múltiplas linguagens. Sua produção investiga os regimes de representação visual, explorando questões como distorções da perspectiva, projeções de sombras e deslocamentos da percepção em relação ao espaço arquitetônico. Em muitas obras, cria imagens ilusórias que parecem expandir ou alterar a arquitetura dos ambientes, aproximando os limites entre realidade e representação. Trabalha com suportes diversos, como gravura, serigrafia, instalação, vídeo, projeções, vinil recortado e intervenções site-specific, frequentemente articulando imagens apropriadas e operações gráficas que questionam poder, política e cultura visual. Atua como docente e pesquisadora na Escola de Comunicação e Arte da USP desde 1974, onde teve papel central na formação de várias gerações de artistas. Suas obras integram coleções como MoMA, Nova York, MAM São Paulo, MASP, Pinacoteca de São Paulo e MAC USP.
Ricardo Carioba
(São Paulo, SP, Brasil, 1976)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (2001). Desenvolve uma produção que transita entre instalação, vídeo, fotografia e som, investigando as relações entre luz, cor e espaço. Em muitos trabalhos, utiliza projeções luminosas, recursos digitais e elementos sonoros para transformar a percepção do ambiente, criando atmosferas cromáticas que envolvem o corpo do espectador. Suas obras frequentemente exploram fenômenos físicos da luz e do vazio, organizando a experiência espacial como uma espécie de composição sensorial. Integra a coleção do MAM São Paulo.
Rogério Canella
(São Paulo, SP, Brasil, 1973)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP. Desenvolve uma produção centrada na fotografia, dedicada à investigação da paisagem urbana e das transformações da cidade contemporânea. Seus trabalhos frequentemente abordam temas como mobilidade urbana, infraestrutura e processos de construção e demolição que moldam as metrópoles. Utilizando câmeras analógicas e impressões em grande formato, constrói imagens de forte escala e monumentalidade, nas quais túneis, canteiros de obras e terrenos em transformação revelam dimensões pouco vistas da cidade. Participou de exposições de fotografia urbana em diversas instituições nacionais e internacionais. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, MAM Rio e MAM Bahia.
Rosângela Dorazio
(Araguari, MG, Brasil, 1963)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP, onde também concluiu licenciatura (1997). Desenvolve uma produção centrada sobretudo na gravura, além de desenho e fotografia, investigando a imagem como construção e processo de transformação. Em muitas obras, trabalha a partir de fotografias de paisagens que são posteriormente alteradas por procedimentos gráficos, raspagens e interferências. Sua pesquisa se volta à memória da paisagem, explorando a gravura como campo de subtração e reconstrução visual. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, Instituto Peruano Norteamericano (ICPNA) e Pontificia Universidad Católica del Perú.
Sandra Cinto
(Santo André, SP, Brasil, 1968)
Formou-se em Educação Artística pelas Faculdades Integradas Teresa d’Ávila (Fatea), em 1990. Desenvolve uma produção que transita entre pintura, desenho e instalação. Suas obras frequentemente constroem paisagens imaginárias marcadas pela recorrência de nuvens, horizontes e vastos campos atmosféricos, explorados por meio de composições detalhadas e imersivas. Destaca-se também o uso recorrente do azul e do branco, cores que estruturam ambientes oníricos e sugerem reflexões sobre natureza, tempo e experiência do espaço. Em muitos trabalhos, suas imagens expandem-se para a escala arquitetônica, envolvendo o espectador em instalações de caráter contemplativo. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, MASP e Museu de Arte da Pampulha.
Santídio Pereira
(Isaías Coelho (PI), 1996)
Desenvolve uma produção centrada sobretudo na xilogravura, além de desenho, pintura e objetos. Sua pesquisa parte da observação e da memória da paisagem do interior do Piauí, com destaque para representações da flora da caatinga, bromélias e outras espécies vegetais, frequentemente apresentadas em grande escala. Utilizando procedimentos próprios de xilogravura, como incisões, recortes e encaixes de matrizes, constrói imagens de linhas simples e massas de cor chapada, muitas vezes sobre fundo branco, que destacam a vitalidade e a riqueza das plantas e da paisagem. Suas obras também incluem paisagens da região nordestina, organizadas por planos cromáticos e horizontes amplos. Em 2024, o MAM São Paulo realizou a exposição individual Santídio Pereira: paisagens férteis e incorporou à sua coleção uma obra doada pelo artista.
Sérgio Romagnolo
(São Paulo, SP, Brasil, 1957)
Graduou-se no curso de Artes Plásticas da FAAP (1980) e posteriormente realizou mestrado (1999) e doutorado (2002) em Artes pela Escola de Comunicação e Arte da USP. Desenvolve uma produção que transita entre escultura, pintura e desenho, com destaque para esculturas figurativas realizadas a partir de massas densas e monocromáticas de cor, moldadas manualmente. Em muitos trabalhos, objetos do cotidiano como carros, instrumentos musicais ou motocicletas surgem como volumes compactos e vibrantes, nos quais a cor atua como elemento estruturador da forma. Sua pintura mantém diálogo com essa pesquisa, explorando pinceladas espessas e composições figurativas de forte presença cromática. Paralelamente à produção artística, atua como docente e pesquisador no campo da escultura, tendo lecionado em instituições como FAAP, Faculdade Santa Marcelina e UNESP. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, MAC USP e MARP.
Sidney Amaral
(São Paulo, SP, Brasil, 1973–2017)
Formou-se em Artes Visuais pela FAAP. Desenvolveu uma obra dedicada à reflexão sobre as relações raciais e sociais no Brasil, destacando a experiência e a subjetividade do corpo negro na história e na vida contemporânea. Trabalhou sobretudo com pintura figurativa e desenho, frequentemente representando corpos negros em composições densas e simbólicas que articulam memória histórica, crítica social e autorrepresentação. Em esculturas e instalações, também se valeu da apropriação de objetos cotidianos, muitas vezes transpostos para materiais como bronze ou mármore, questionando hierarquias simbólicas e valores do sistema da arte e da sociedade. Sua produção constitui uma das contribuições mais contundentes da arte contemporânea brasileira sobre questões raciais. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, Museu Afro Brasil e Pinacoteca de São Paulo.
Tiago Judas
(São Paulo, SP, Brasil, 1979)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (2002). Desenvolve uma produção que transita entre artes visuais, ilustração e histórias em quadrinhos, explorando relações entre narrativa gráfica e imagem artística. Em seus trabalhos, frequentemente aproxima procedimentos das artes plásticas da linguagem dos quadrinhos, criando composições que articulam desenho, sequencialidade e construção narrativa. Atua também como ilustrador e quadrinista, colaborando com publicações como Piauí, Folha de S.Paulo e diversas editoras especializadas em HQs.
Thiago Bortolozzo
(São Paulo, SP, Brasil, 1976)
Formou-se em Licenciatura em Artes Plásticas pela USP e realizou mestrado em Poéticas Visuais pela Unicamp (2018). Desenvolve uma produção que investiga questões ligadas à arquitetura, ao urbanismo e às transformações do espaço da cidade, abordando suas dimensões políticas, sociais e históricas. Trabalha com diferentes linguagens e escalas, transitando entre desenhos e aquarelas de caráter mais delicado até grandes intervenções e instalações que dialogam diretamente com o ambiente construído. Suas obras integram coleções como a do MAM São Paulo.
Thiago Honório
(Carmo do Paranaíba, MG, Brasil, 1979)
Formou-se em Artes Visuais pela UNESP (2000) e realizou mestrado (2006) e doutorado (2011) em Artes Visuais pela USP. Desenvolve uma produção intermidiática que atravessa diferentes linguagens, com destaque para instalações construídas a partir da apropriação e do acúmulo de objetos. Seus trabalhos investigam temas como o barroco mineiro, religiosidade, trabalho e arte-educação, articulando materiais usados e elementos cotidianos que revelam camadas de inter-temporalidades. Por meio de justaposições e montagens, suas obras aproximam referências históricas e culturais distintas, propondo leituras sobre memória, circulação de imagens e processos de produção artística. Paralelamente à prática artística, atua como docente no curso de Artes Visuais da FAAP. Suas obras integram coleções como as do MASP, MAB FAAP, MAR, MAC USP e MAM São Paulo.
Ulysses Bôscolo
(São Paulo, SP, Brasil, 1977)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1999) e realizou mestrado em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes de USP. Desenvolve uma produção centrada sobretudo na xilogravura, explorando também gravura em metal, pintura, objetos e ilustração. Sua obra dedica especial atenção à observação da natureza, com recorrência de pássaros, árvores, casas e animais, organizados em composições que frequentemente são organizadas em séries. A pesquisa também se relaciona à paisagem da Serra do Mar e da Serra da Cantareira, próximas ao seu ateliê. Em 2023, teve sua obra reunida em publicação monográfica organizada pelo Instituto Çarê, organizada por Luiz Cláudio Mubarac. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo e MACRS.
Vik Muniz
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
Estudou publicidade na FAAP e, em 1983, mudou-se para Nova York, onde vive e trabalha. Após um início ligado à escultura, passou a dedicar-se ao desenho e sobretudo à fotografia. Sua obra investiga os processos de formação, circulação e reconhecimento das imagens, frequentemente recriando figuras da história da arte e da cultura visual por meio de materiais não convencionais, como açúcar, chocolate, algodão ou resíduos. Suas obras integram importantes coleções internacionais, como Centre Georges Pompidou, França; Tate, Inglaterra; e MoMA, Estados Unidos.
Wagner Malta Tavares
(São Paulo, SP, Brasil, 1964)
Formou-se em Comunicação Social pela FAAP (1988). Desde o final dos anos 1990 desenvolve uma produção que transita entre escultura, objeto, fotografia, vídeo, performance e intervenção urbana. Seus trabalhos frequentemente investigam relações entre corpo, matéria e elementos da natureza, como luz, ar em movimento e temperatura. Foi finalista do Prêmio PIPA (2014). Suas obras integram coleções como MAM Rio, MAR Rio, Pinacoteca de São Paulo e Museu Bispo do Rosário.
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Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
Alex Cerveny, Deus Sive Natura (massacre), 2008. Doação Rose e Alfredo Setubal, 2024. Coleção MAM São Paulo. Foto: Ding Musa.
Ana Maria Tavares, Container e escada, 1990. Doação da artista. Coleção MAM São Paulo. Foto: Ruy Teixeira.
Carmela Gross, Escada, 1968. Doação Rose e Alfredo Setubal, 2019. Coleção MAM São Paulo. Foto: Ding Musa.
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
José Leonilson, Todos os rios, c. 1989.Doação Carmem Bezerra Dias e Theodorino Torquato Dias, 1997_Doação Carmem Bezerra Dias e Theodorino Torquato Dias, 1997. Coleção MAM São Paulo. Foto: Ding Musa.
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
Márcia Xavier, Luneta, 2000. Doação Milú Villela, 2005. Coleção MAM São Paulo. Foto: Renato Parada.
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
Regina Silveira, As loucas, 1964.Doação Oswaldo Kathalian, 1998. Coleção MAM São Paulo. Foto: Renato Parada.
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
Alex Cerveny, Deus Sive Natura (massacre), 2008. Doação Rose e Alfredo Setubal, 2024. Coleção MAM São Paulo. Foto: Ding Musa.
Ana Maria Tavares, Container e escada, 1990. Doação da artista. Coleção MAM São Paulo. Foto: Ruy Teixeira.
Carmela Gross, Escada, 1968. Doação Rose e Alfredo Setubal, 2019. Coleção MAM São Paulo. Foto: Ding Musa.
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
José Leonilson, Todos os rios, c. 1989.Doação Carmem Bezerra Dias e Theodorino Torquato Dias, 1997_Doação Carmem Bezerra Dias e Theodorino Torquato Dias, 1997. Coleção MAM São Paulo. Foto: Ding Musa.
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
Márcia Xavier, Luneta, 2000. Doação Milú Villela, 2005. Coleção MAM São Paulo. Foto: Renato Parada.
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
Regina Silveira, As loucas, 1964.Doação Oswaldo Kathalian, 1998. Coleção MAM São Paulo. Foto: Renato Parada.
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
Vista da exposição “FAAP na coleção do MAM: a formação do artista”. Foto: Estúdio Em Obra
serviço
FAAP na coleção do MAM São Paulo: a formação do artista
Abertura:
26 de março de 2026, às 19h
Encerramento:
28 de junho de 2026
Local:
MAB FAAP (Rua Alagoas, 903 – Higienópolis)
Horário de funcionamento:
De terça a domingo, das 10h às 18h – última entrada às 17h30
Acessibilidade:
Local acessível para cadeirantes
Classificação indicativa:
12 anos
Entrada gratuita
Fechado às segundas-feiras
MAM São Paulo na Pinacoteca do Ceará: corpo e cidade em movimento
MAM na Cinemateca: corpo e cidade em movimento vídeos da doação Chaia
Dando continuidade à parceria entre o Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Ceará, a mostra de vídeos Corpo e cidade em movimento parte da doação da coleção de Vera e Miguel Chaia para o MAM em 2025. A curadoria foi realizada em diálogo com Miguel Chaia e o resultado é quase um filme. Utilizamos critérios semelhantes às de uma exposição de objetos, colocando lado a lado obras para criar novas relações e outros significados. A mostra tem a especificidade de um filme, já que está centrada na noção de “montagem”, em que uma sequência de vídeos autônomos dialogam um com o outro formando um grande conjunto inusitado.
A sessão está dividida em cinco partes: uma abertura, com o vídeo de Cinthia Marcelle, que aponta para o entrelaçamento e o encontro de diferentes grupos que se complementam, seguida por três blocos: Retratos poéticos, em que o corpo dos artistas está em evidência; Paisagens políticas, em que a cidade e questões da vida em sociedade são os protagonistas; e Experiências de linguagem, em que a própria linguagem do vídeo é explorada de modo mais explícito. A sessão se encerra com o filme de Cao Guimarães, Sin peso, em que toldos coloridos e vozes de comerciantes de rua se misturam como uma síntese do conjunto. A mostra apresenta um pequeno recorte de 14 vídeos dentre os 75 que integram a doação.
As obras da coleção Chaia recebidas pelo MAM inauguram um novo momento para o acervo do museu ao quase triplicar sua coleção de vídeos. MAM São Paulo na Pinacoteca do Ceará é um modo não apenas de dar visibilidade ao vídeo como suporte da arte, mas também uma oportunidade de reflexão sobre essa produção contemporânea em um formato de exibição diferente da sala de exposições.
Cauê Alves curador
curadoria
Cauê Alves
É mestre e doutor em Filosofia pela FFLCH-USP. Professor do Departamento de Artes da FAFICLA-PUC-SP, é curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo e coordenador do grupo de pesquisa em História da Arte, Crítica e Curadoria (CNPq). Publicou diversos textos sobre arte, entre eles no catálogo Mira Schendel (Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Pinacoteca de São Paulo e Tate Modern, 2013). Foi curador-chefe do Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE, 2016-2020), curador assistente do Pavilhão Brasileiro na 56ª Bienal de Veneza (2015) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011).
Vera Chaia e Miguel Chaia
Vera Chaia e Miguel Chaia fizeram mestrado e doutorado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo – USP. Ambos são professores da Faculdade e da Pós Graduação em Ciências Sociais da PUC-SP e autores de artigos e livros. Ele leciona também no curso de Arte: História, Crítica e Curadoria na mesma universidade e participa de vários conselhos de relevantes instituições de arte em São Paulo. São pesquisadores do Núcleo de Estudos em Arte,Mídia e Política – NEAMP.
artistas
Berna Reale
(Belém, Pará, 1965)
Berna Reale nasceu em Belém, Pará, Brasil (1965). Licenciada em artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA), a artista que também é perita criminal aborda a violência tanto material quanto simbólica em seus trabalhos. Berna Reale, em diversas de suas ações, performáticas ou audiovisuais, utiliza-se de seu próprio corpo para colocar em choque o imaginário social sobre ações perversas, de tormento, constrangimento, etc. Entre suas exposições, destacamos a individual Berna Reale: Singing in the Rain, no Utah Museum of Contemporary Art (UMoCA), Salt Lake City, EUA (2016); sua presença no 34° Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo (2015); na 56ª Bienal de Veneza, Itália (2015); e na 3ª Beijing Photo Biennial [Bienal de Fotos de Pequim], China (2018).
Cinthia Marcelle
(Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 1974)
Cinthia Marcelle nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil (1974). Formada em Belas Artes pela UFMG (1999), a artista é reconhecida principalmente pelas instalações e obras audiovisuais, que se atentam ao poder de transformação advindo da organização e da desorganização das coisas. Cinthia Marcelle questiona em suas obras a lógica, os sistemas de conceitos e convenções que orientam o mundo político, da cultura e da sociedade, que por vezes são naturalizados. Entre suas exposições, destacamos a individual Project 105: Cinthia Marcelle, no MoMA PS1, Nova York, EUA (2016); a ocupação do Pavilhão do Brasil na 57ª Bienal de Veneza, Itália, com a instalação Chão de Caça (2017); e Cinthia Marcelle: por via das dúvidas, no MASP, São Paulo (2022).
Carmela Gross
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1946)
Graduou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1969). Em 1981, obteve o título de mestre e, em 1987, o de doutora, ambos pela Escola de Comunicação e Artes da USP e sob orientação do renomado curador Walter Zanini. Considerada uma das artistas mais relevantes do cenário brasileiro contemporâneo, desenvolve uma produção que atravessa desenho, gravura, escultura e instalação. Em seus trabalhos iniciais, entre as décadas de 1960 e 1980, investigou aspectos técnicos e materiais do próprio fazer artístico, explorando processos de reprodução, linguagem e construção da imagem. A partir dos anos 1990, passa a realizar intervenções e instalações de grande escala no espaço urbano, propondo reflexões críticas sobre arquitetura, a história das cidades e suas dimensões sociais e políticas. Ao trabalhar diretamente na cidade e em diálogo com seus fluxos e estruturas, sua obra investiga a relação entre arte, espaço público e experiência coletiva. Além da atuação como artista, Gross também foi professora da Escola de Comunicações e Artes da USP por mais de quarenta anos (1972–2015), onde atuou na formação de diversas gerações de artistas e pesquisadores. Entre suas exposições institucionais recentes destacam-se Quase circo, Sesc Pompéia, São Paulo (2024); Boca do inferno, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre (2024); e Carimbos, Instituto de Arte Contemporânea, São Paulo (2023).
Cao Guimarães
(Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 1965)
Cao Guimarães nasceu em Belo Horizonte, MG, Brasil (1965). O artista plástico e cineasta trabalha com fotografia e transita entre a película e o vídeo para criar suas peças audiovisuais. Suas obras documentam situações e objetos comuns, que se movem ou são captados enfatizando o instante, mas que são ressignificados a partir da exploração, duração, foco e do movimento autônomo de pessoas ou coisas. Entre suas exposições, destacam-se as individuais Ver é uma fábula. Mostra Cao Guimarães, Itaú Cultural, São Paulo (2013); Espera, no Instituto Moreira Salles (IMS-Paulista), São Paulo (2018); Cao Guimarães – Ciclo de filmes, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), Lisboa, Portugal (2020); e sua presença em edições do Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo (2001, 2007, 2008 e 2015); e em duas edições da Bienal de São Paulo (2002 e 2006).
Giselle Beiguelman
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1962)
Giselle Beiguelman nasceu em São Paulo, São Paulo, Brasil (1962). Formada em história na USP (1984), a artista utiliza a relação entre literatura, imagem, som, instalação e novas tecnologias para abordar o hibridismo entre o real e o virtual. Giselle Beiguelman tem como temas de seu trabalho as transformações da memória social, o ativismo no meio urbano, e a articulação de discursos e linguagens de ciberespaços. Entre suas exposições, destacamos a individual Venenosas, Nocivas e Suspeitas, no Centro Cultural FIESP, São Paulo (2025); sua participação na 25ª Bienal de São Paulo (2002); Brazilian Visual Poetry [Poética visual brasileira], Mexic-Arte Museum, Austin, EUA (2002); e seu trabalho Meio Monumento que integrou o 37° Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo (2022).
Guilherme Peters
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1987)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP. Desenvolve trabalhos que transitam entre vídeo, performance, instalação e cinema, frequentemente estruturados a partir de ações que evidenciam o esforço físico, o som, a eletricidade ou o movimento necessários para que a obra aconteça. Seus trabalhos costumam explorar processos de repetição, desgaste e transformação, criando dispositivos e situações em que a própria tentativa de fazer algo funcionar ou se sustentar se torna parte central do trabalho. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo e do Instituto Figueiredo Ferraz, além da coleção Konex, em Buenos Aires.
Lia Chaia
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1978)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (2003). Desenvolve uma produção que transita entre performance, fotografia, vídeo, desenho e instalação, tendo o corpo como eixo central de investigação. Em muitos trabalhos, a artista utiliza o próprio corpo como instrumento para explorar tensões entre natureza e cultura, colocando-o em relação direta com a cidade, com a paisagem e com objetos do cotidiano. Suas ações e registros investigam como essa presença se adapta e reage aos estímulos do espaço urbano e às transformações do ambiente natural, evidenciando as contradições entre esses campos. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAM Rio, Museu de Arte do Rio e Instituto Inhotim.
Marcelo Cidade
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1979)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (2002). Desenvolve uma produção que transita entre os limites da instalação e da escultura, frequentemente a partir da apropriação e do deslocamento de materiais e signos do espaço urbano. Utilizando elementos como concreto, metal, vidro e tinta spray, seus trabalhos investigam as relações entre arquitetura, cidade e poder, abordando temas como violência, segregação e controle no espaço público. Ao mobilizar referências da arquitetura e do urbanismo modernos, constrói uma reflexão crítica sobre os ideais de modernização no Brasil e suas contradições sociais. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MASP, Tate Modern e Museo Tamayo.
Nicole Kouts
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1997)
Nicole Kouts nasceu em São Paulo, São Paulo, Brasil (1997). Formada em Artes Visuais pela Universidade Belas Artes (2018), a artista mescla técnicas analógicas e digitais de vídeo, fotografia, com performance, instalação, desenho e net art. Nicole Kouts intersecciona imagem, tempo e memória, tendo como base imagens relacionadas à sua experiência pessoal, familiar e geracional. Entre suas exposições, destacamos as individuais Enigmas, no Kunsthal NORD, Aalborg, Dinamarca (2023); Palavra Olho, na Phoenix Athens Gallery, Atenas, Grécia (2024); as coletivas Réseaux-mondes, Centre Pompidou, Paris, França (2022); e sua participação na 3ª Bienal de Paxos, Paxos, Grécia (2024).
Rafaela Kennedy
(Manaus, Amazonas, Brasil, 1994)
Rafaella Kennedy nasceu em Manaus, Amazonas, Brasil (1994). A artista visual trabalha com fotografia, moda e performance e utiliza essas linguagens para abordar a relação entre corpo e imagem. Rafaella Kennedy propõe em seus trabalhos novos imaginários para as populações originárias e negras que desafiam e tencionam o apagamento sofrido por esses grupos. Entre suas exposições, destacamos suas participações nas coletivas Invenção dos Reinos, Oficina Francisco Brennand, Recife, Pernambuco (2023); e 38º Panorama da Arte Brasileira: Mil graus, MAM São Paulo (2024). Suas obras também integram coleções de importantes museus, como MAM São Paulo, Museu Afro Brasil, São Paulo e Fundación Casa Wabi, Puerto Escondido, México.
Rodrigo Cass
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1983)
Rodrigo Cass nasceu em São Paulo (1983), vive e trabalha em São Paulo. Entre (2000-2008) foi religioso Carmelita da Ordem do Carmo. Em 2006 concluiu o Bacharelado em Artes Plásticas na Faculdade Santa Marcelina em São Paulo e estudou dois anos (2007-2008) de Filosofia e Teologia na Faculdade Jesuíta em Belo Horizonte. Em (2010-2011) foi selecionado para o programa Bolsa Pampulha e participou do Arte Pará no Museu Histórico do Estado do Pará. Participou do PIESP (2011-2012), Programa Independente da Escola São Paulo.
Sansa Rope
(São Paulo – 1993)
Sansa Rope nasceu em São Paulo, é artista, performer, e educadora. Pesquisa sobre shibari desde 2016, e seu trabalho perpassa sobre questões de gênero, sexualidade, e a posição da mulher na sociedade.
Atualmente leciona shibari e organiza eventos voltados para a prática, com o intuito de provocar o espectador para uma narrativa onde é possível explorar uma visão que ultrapassa fronteiras físicas
Sara Ramo
(Madri, Espanha, 1975)
Sara Ramo nasceu em Madri, Espanha (1975). Formada em Artes Visuais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a artista ressignifica objetos do cotidiano ao colocá-los em lugares inusitados e transformá-los em instalações, esculturas ou assemblages para abordar novas formas de ver e lidar com a realidade e a relação entre o visível e o invisível. Entre suas exposições, destacamos a individual lindaviejalocabruja, no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri, Espanha (2019); suas participações em dois Panoramas da Arte Brasileira (2003 e 2011); e em duas edições da Bienal de São Paulo (2010 e 2019).
Tiago Rivaldo
(Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1976)
Tiago Rivaldo nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (1976). O artista aborda a relação entre identidade e território, pessoa e lugar, retrato e paisagem, por meio de intervenções urbanas, performances e recursos audiovisuais.Tiago Rivaldo realiza sua produção através da identificação com o exterior, em que ele busca se desconhecer e criar personagens de si mesmo. Entre suas exposições, destacamos sua participação como integrante do coletivo Clube da Lata no 27º Panorama da Arte Brasileira com as obras Sem título e O lado de dentro de um outdoor, MAM São Paulo (2001); a coletiva 4º Abre-alas, a Gentil Carioca, Rio de Janeiro (2008); sua presença no 29° Salão Arte Pará (2010); e 9ª Bienal do MERCOSUL, Porto Alegre (2013).
imagens
Berna Reale, Americano (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Cao Guimarães, Sin Peso (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Cinthia Marcelle, Cruzada (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Guilherme Peters e Sansa Rope, Etrom uo Aicnêdnepedni (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Lucas Bambozzi, Love stories (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão.
Nicole Kouts, Monólogo (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão.
Berna Reale, Americano (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Cao Guimarães, Sin Peso (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Cinthia Marcelle, Cruzada (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Guilherme Peters e Sansa Rope, Etrom uo Aicnêdnepedni (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Lucas Bambozzi, Love stories (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão.
Nicole Kouts, Monólogo (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão.
serviço
MAM na Cinemateca: corpo e cidade em movimento
vídeos da doação Chaia
Exibição audiovisual + debate com Cauê Alves:
24/01/2026 (sáb) às 17h
Sessão acessível:
25/01/2026 (dom) às 15h
Curadoria:
Cauê Alves e Miguel Chaia
Realização
MAM São Paulo e Pinacoteca do Ceará
Local:
Auditório da Pinacoteca do Ceará (Rua 24 de Maio, 34, Centro, Fortaleza — CE)
Classificação indicativa:
12 anos
Capacidade:
100 vagas por sessão
Inscrição:
a partir de 1h antes da atividade, na recepção
Curadoria:
Cauê Alves e Miguel Chaia
Evento gratuito
39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito
Intitulado Depois que tudo foi dito, o 39º Panorama da Arte Brasileira, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar os limites da representação estética por meio de um exercício radical de imaginação. O partido curatorial examina de que modo a reviravolta epistemológica das últimas décadas — impulsionada pelas demandas por reparação racial e pelas conquistas das políticas afirmativas — reconfigurou a arte brasileira, a ponto de estas não apenas inscreverem os debates raciais no campo da linguagem e da estética, como também serem expressivamente influenciadas e expandidas por eles. Tal formulação destaca a vocação deste Panorama como uma plataforma de pensamento crítico que especula sobre o futuro, ao mesmo tempo em que cria uma experiência histórica de lugar: onde estamos, onde chegamos e para onde queremos ir, além de tudo o que já foi dito, feito, visto, escrito e imaginado
Inspirado no título e questão filosófica formulada por Denise Ferreira da Silva, uma das principais teóricas feministas negras da contemporaneidade, a exposição convida a imaginar “se seria possível lançar mão de uma sensibilidade que presuma e antecipe o que está além de tudo o que foi dito e feito sobre a violência colonial e racial, e o trabalho que elas realizam para o capital global”. A partir deste diálogo com a filósofa, Diane Lima desenvolve um projeto que, ao “ler a arte como confronto”, reflete sobre como os artistas têm performado em seus procedimentos poéticos e composicionais, exercícios radicais de imaginação e experimentação, que evidenciam um movimento contínuo e coletivo de liberação. A exposição busca complexificar o regime racial estético e, portanto, a própria definição de arte brasileira: aquilo que sabemos sobre ela, seu passado, nossos modos de olhá-la, descrevê-la e, sobretudo, as práticas artísticas das próximas gerações.
Diane Lima
patrocínio
parceiros estratégicos
realização
curadoria
Diane Lima
(Curadora)
Curadora e pesquisadora, Diane Lima é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e Pre-doctoral Mellon Fellow, afiliada ao Critical Racial Anti Colonial Study Co-Lab (CRACS Co-Lab) no Department of Spanish & Portuguese Languages and Literatures na New York University. Recentemente, foi anunciada como curadora do Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia. Suas exposições anteriores incluem coreografias do impossível – 35ª Bienal de São Paulo (2023), Paulo Nazareth: Luzia no Museo Tamayo, na Cidade do México (2024), O rio é uma serpente – 3ª Frestas Trienal de Artes do SESC São Paulo (2020/2021), e o programa de dois anos Diálogos Ausentes no Itaú Cultural (São Paulo, 2016-2017), que desempenhou um papel histórico na virada anticolonial da arte contemporânea brasileira.
Em 2025, Lima foi nomeada para o Conselho Consultivo Científico da documenta e Museum Fridericianum gGmbH, na Alemanha, onde atua como vice-presidente. Entre 2024 e 2025, foi Diretora de Programação da ESAP Fellowship 2025 – uma iniciativa liderada pela A&L Berg Foundation para promover o desenvolvimento profissional de curadores latinex nos Estados Unidos.
Em 2024, Lima foi professora convidada no Instituto de Pesquisa Estética da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Diane Lima editou a aclamada antologia Negros na Piscina: Arte Contemporânea, Curadoria e Educação (Fósforo, 2024), que documenta os últimos dez anos de debates sobre racialidade e arte no Brasil. Também coeditou o volume Textes à lire à voix haute (Textos para ler em voz alta), que reuniu vozes dissidentes anticoloniais em contextos lusófonos e francófonos (Brook, 2022). Ela também é uma das vencedoras da Ford Foundation Global Fellowship 2021, programa que celebra a nova geração de líderes globais em justiça social.
Giovanna Querido
(Gerente de Projetos da Curadoria)
Giovanna Querido atua nas áreas de curadoria, gestão cultural e desenvolvimento institucional, com interesse nas relações entre arte, política e trabalho no campo das artes. Recentemente concluiu o mestrado em Arts Administration pela Teachers College, Columbia University, com bolsa integral da Fundação Lemann. É bacharela em Jornalismo e pós-graduada em Gestão de Artes e Cultura pela Universidade de São Paulo (USP), além de ter realizado estudos em Arte Contemporânea na Université Lumière Lyon 2, na França.
Recentemente, atua como Gerente de Projetos da Curadoria da 39ª Panorama da Arte Brasileira: Depois Que Tudo Foi Dito, no MAM São Paulo, e como Assistente Curatorial do Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia (2026). Também trabalhou no Studio Museum in Harlem, Creative Time e Instituto Moreira Salles. Atualmente, é Program Coordinator da A&L Berg Foundation (Estados Unidos).
Anteriormente, foi Coordenadora Executiva da Presidência da Fundação Bienal de São Paulo, integrando a equipe responsável pela 34ª (2021) e 35ª (2023) Bienais de São Paulo, bem como pelos Pavilhões do Brasil nas Bienais de Arte e de Arquitetura de Veneza.
artistas
Allan Weber
(1992 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil)
Allan Weber nasceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1992). É um artista multidisciplinar cuja prática abrange assemblage — a criação a partir da junção, colagem ou encaixe de objetos pré-existentes, não necessariamente artísticos —, escultura, instalação e fotografia. Sua pesquisa parte das dinâmicas sociais e políticas do Rio de Janeiro e se expande para questões globais, incorporando a ambiguidade, o caos e a violência da vida urbana. Utiliza materiais e objetos carregados de história, transformando elementos cotidianos em comentários poéticos e sociais. Em 2020, fundou a Galeria 5 Bocas, na favela onde vive, e criou o time Tropa da Arte, integrando arte, comunidade e cotidiano. Em 2024, recebeu o SEED Award (Prince Claus Fund) e realizou residência no Reino Unido. Entre suas exposições recentes, destaca-se a individual Allan Weber – Existe uma vida inteira que tu não conhece, no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (2026). Suas obras integram as coleções do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.
Amorí
(1995 – Ribeirão, PE, Brasil)
amorí nasceu em Ribeirão, PE, Brasil (1995). Sua prática compreende a escultura e a pintura a óleo, com ênfase na repetição de formas utilizando materiais como látex, madeira, ferro e cerâmica, a partir de referências a contextos rurais do Nordeste brasileiro. A produção da artista articula relações entre matéria e sistemas simbólicos, mobilizando questões ligadas à astronomia, arqueologia e agricultura. Seus trabalhos se desenvolvem como esculturas, instalações e pinturas que se voltam à investigação de processos de acumulação, transformação e temporalidade. Em 2024, realizou sua primeira exposição individual, à medida que as estrelas colapsam, na Torre Malakoff, no Recife. No mesmo ano, integrou a residência artística do Solar dos Abacaxis, no Rio de Janeiro, e no ano seguinte integrou a residência Pivô, em São Paulo.
Ana Cláudia Almeida
(1993 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil)
Ana Cláudia Almeida nasceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1993). Sua produção se estabelece materialmente através da manipulação de tintas, plásticos, bastões a óleo, tecidos e imagens. Transitando entre escultura e pintura, sua obra articula superfícies fragmentadas, mas dinâmicas, e estruturas acumulativas. As camadas de materiais e gestos remetem à formação do tempo, da lembrança e da experiência, enquanto as sobreposições de cheios e vazios evocam dimensões simbólicas ligadas a práticas e rituais. Entre suas exposições recentes, destacam-se: Tadáskía and Ana Cláudia Almeida: A Joyner/Giuffrida Visiting Artists Program, no Nevada Museum of Art, EUA (2024), e Wasapindorama, na Fundação de Arte de Niterói (2018). Suas obras integram as coleções do Museu de Arte do Rio, Instituto Inhotim, Museu de Arte Contemporânea da Bahia e Coleção Sesc de Arte Brasileira.
André Felipe Cardoso
(1997 – Quilombo São Félix, Minaçu, GO, Brasil)
André Felipe Cardoso nasceu em Minaçu, GO, Brasil (1997). Ele é remanescente do Quilombo São Félix, GO, Brasil, e atualmente vive e trabalha no Quilombo Alto Santana, GO, Brasil. Nos últimos anos, tem desenvolvido pesquisas em torno de saberes vinculados à terra e às ruralidades, entendendo esses conhecimentos como métodos de permanência e os deslocamentos como caminhos de desenvolvimento pedagógico e criativo. Trabalha principalmente com a colagem e seus desdobramentos, tratando o papel como superfície de marcação de tempo e acontecimentos no processo de criação das paisagens. Tendo a observação atenta como direção da sua produção artística, interessa-se pelos processos manuais e as possibilidades de ressignificação de imagens pré-existentes. Suas obras integram as coleções do Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo, e do Museu de Artes Plásticas de Anápolis.
Anti Ribeiro
(1995 – São Cristóvão, SE, Brasil)
Anti Ribeiro nasceu em São Cristóvão, SE, Brasil (1995). Viveu por 7 anos na cidade de Recife, PE, Brasil, onde fortaleceu a sua prática artística. Bacharela em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Pernambuco, sua prática integra pesquisa, criação e educação. Com foco em ficções e produção de imaginários, a partir de provocações sensoriais e narrativas, sua produção artística elege o som como disparador de experiências. Suas composições e produções sônicas são, muitas vezes, trabalhadas como experiências expandidas, em direção à instalação e à escultura. Uma colaboração com a artista Jota Mombaça resultou na exibição de trabalhos em algumas exposições internacionais, como a Bienal de Veneza, em 2022, quando apresentaram a performance In The Tired Watering. Já participou de residências artísticas na Oficina Francisco Brennand, Recife; Pivô Pesquisa, em São Paulo; Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro; e Bolsa Pampulha, Belo Horizonte
Arorá
(2000 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil)
Arorá nasceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (2000). Numa perspectiva de co-criação com as matérias, a artista as vê como ponto de partida e de chegada, simultaneamente, na construção de desejos e acontecimentos. Em sua prática, trabalha com técnicas como óleo sobre tela, lápis de cor sobre papel, assim como lida com materiais como ferro, prata, pérola e resíduos de construção civil. A artista incentiva uma aproximação cuidadosa do espectador com seu trabalho, sendo essa relação pautada por insinuação e mistério. Entre suas exposições recentes, destacam-se Abertura, na galeria Quadra, São Paulo (2025), Os suspenses, no Galpão Bela Maré, Rio de Janeiro (2023), e Depois da estrela perdida, Quadra, Rio de Janeiro (2023). Sua obra integra coleções institucionais, como Coleção Calmon-Stock, no Rio de Janeiro.
Bárbara Banida
(1996 – Fortaleza, CE, Brasil)
Bárbara Banida nasceu em Fortaleza, CE, Brasil (1996). Doutoranda em Artes pela Universidade Federal do Ceará, onde também concluiu o mestrado em Processos de Criação em Arte Contemporânea, Bárbara concentra sua prática artística principalmente na cerâmica esmaltada e na pintura, além de atuar como curadora. A artista trabalha a cerâmica a partir de noções de ecologia especulativa, ficção visionária e territórios alienígenas. Suas peças surgem como “obras-criaturas” de Erotar, um mundo-ecossistema ficcional e regenerativo onde matéria, desejo e imaginação operam juntos. Desenvolve seres híbridos que habitam paisagens fabulosas, recusando narrativas de colapso e insistindo na regeneração como força de continuidade; o esmalte atua, assim, como uma espécie de membrana viva onde brilho, densidade e fluxo constroem uma pele instável. A artista foi indicada ao Prêmio PIPA em 2026, foi finalista do Prêmio Selo Mandacaru e vencedora do Prêmio Labverde na ArtPE em 2025.
biarritzzz
(1994 – Fortaleza, CE, Brasil)
biarritzzz nasceu em Fortaleza, CE, Brasil (1994). Formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2019) e mestranda em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia. Artista transmídia antidisciplinar, investiga linguagens, códigos e mídias. Acredita na magia e na baixa resolução como contra-narrativas importantes para viver a atual disputa cosmológica de realidades. Sua prática se desdobra entre uma busca por desmanchar formatos, gêneros e expectativas, além de desenvolver as pesquisas Pedagogias do Meme e Antifuturismos Contramodernos enquanto ferramentas poéticas e políticas. Dentre suas exposições recentes, destacam-se a 14ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre (2025); BANTU, Museu de Arte do Rio, e Artes da África, MASP (2025).
Carolina Cordeiro
(1983 – Belo Horizonte, MG, Brasil)
Carolina Cordeiro nasceu em Belo Horizonte, MG, Brasil (1983). É doutora pela Escola de Comunicação e Artes da USP e mestra pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Iniciou sua prática artística com o desenho, explorando posteriormente outras linguagens, como fotografia, apropriação de objetos e processos escultóricos, vídeo e instalação. A partir de elementos e peças de uso comum, a artista trabalha com operações de síntese que carregam grande carga poética. Entre os procedimentos e materiais, reiteram-se aqueles relacionados tanto ao universo doméstico, como o tecido e a costura, quanto a contextos desfavorecidos e periféricos, como o zinco presente na arquitetura vernacular dos barracos nas favelas. Em 2021, a artista fundou a Galeria de Artistas, projeto coletivo criado por e para artistas como meio de experimentar novas formas de inserção no mercado. Em 2025, ganhou o prêmio Ad Occhi Chiusi – Fondazione Merz por seu projeto na Feira Artissima em Turim, Itália.
Caroline Ricca Lee
(1990 – São Paulo, SP, Brasil)
Caroline Ricca Lee nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1990). Sua obra se dedica ao arquivamento, à memória e à ficção das narrativas ancestrais das diásporas asiáticas no Brasil. Por meio da escultura, instalação, texto, performance e vídeo, trabalha com uma memória não oficial preservada em arquivos pessoais, memorabília ancestrais, fotografias de família e cartografias corpóreas. Foi artista residente na Pivô Pesquisa, Brasil (2024), IASPIS, Suécia (2025), La Becque, Suíça (2025), e Jan van Eyck Academie, Holanda (2026). Em 2024, participou das exposições Recollection of Dreams, no Tube Cultural Hall, Milão, Itália, e MOTHER/Land, no CCSP – Centro Cultural São Paulo. Sua obra integra coleções internacionais como Coleção Fondazione Oelle, Sicília, Itália, e Coleção Renato Alpegiani, Turim, Itália.
Chacha Barja
(1990 – Belém, PA, Brasil)
Chacha Barja nasceu em Belém, PA, Brasil (1990). Formado em Design de Produto, Barja constrói um percurso que atravessa cidades como Belém, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, incorporando a experiência desses lugares à relação direta entre corpo e matéria. Dedica-se especialmente à cerâmica, estruturando sua produção a partir do barro como campo de pensamento, que atravessa tanto a escultura quanto a pintura. Ações como suspensão, queda, explosão, impacto e derretimento orientam a modelagem do barro ao aludir os estados físicos instáveis de diferentes corporeidades, investigando, assim, a constituição de volumes a partir das relações entre matéria, corpo e espaço. Entre suas exposições recentes, destaca-se O Drama da Forma, na galeria Clarabóia, São Paulo (2026).
Darks Miranda
(1985 – Fortaleza, CE, Brasil)
Darks Miranda nasceu em Fortaleza, CE, Brasil (1985). Em sua pesquisa e produção artística, combina diferentes linguagens, como vídeo, escultura, performance e instalação. Utiliza-se da montagem como procedimento e linguagem em si, investigando o imaginário da ficção científica do século XX para pensar a falência do projeto ocidental de modernização e suas noções de futuro e progresso. Em 2020, realizou trabalhos comissionados para o Instituto Moreira Salles e para The Swiss Arts Council Pro Helvetia, e em 2022 participou da Residência Artística da FAAP. Em 2025, participou da 14ª Bienal do Mercosul e foi uma das artistas premiadas pelo Prêmio PIPA. Entre outras exposições recentes em que participou, destacam-se Ópera Citoplasmática, Museu Oscar Niemeyer, PR (2022); Tropicália and Beyond: Dialogues in Brazilian Film History, Tate Modern, Londres, Reino Unido (2017); e Tropicália: ontem como hoje, Cinemateca Brasileira, São Paulo (2017).
Emer Freire
(1995 – São Paulo, SP, Brasil)
Emer Freire nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1995). Graduado em Artes Visuais (2021) e mestrando em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo. Investiga a materialidade por meio de processos experimentais, articulando materiais industriais e orgânicos em esculturas, pinturas e instalações híbridas que tensionam as fronteiras entre os campos da arte. Sua prática atravessa ideias de transformação, contaminação e mutualismo, dando origem a formas ambíguas que deixam vestígios de dúvida quanto à sua natureza. Por meio de um processo alquímico constrói territórios poéticos nos quais tempos, matérias e ruínas se entrelaçam em estados contínuos de metamorfose. Dentre suas exposições individuais recentes, destaca-se We Flee Toward the Thing We Try to Escape (2024), no Fabrica Research Center, Itália, resultado de uma residência realizada no espaço.
Fykyá Pankararu
(1999 – São Paulo, SP, Brasil)
Fykyá Pankararu nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1999). Desde 2003, reside no território indígena Pankararu no município de Tacaratu, no sertão de Pernambuco. Seu nome, “Fikyá”, é uma palavra de origem ancestral da antiga língua materna de seu povo que significa “camaleão”. Em sua trajetória e produção, considera-se um artista multifacetado, atuando como arte-educadora, cantador, compositor, performer, roteirista, produtor cultural, ativista, ceramista e diretor do grupo de teatro musical “Coco das Antigas”. Participou da exposição coletiva Invenção dos Reinos, na Oficina Francisco Brennand, Recife (2024), com trabalhos em cerâmica, alguns com pintura em barro branco, usado, particularmente, pelo povo Pankararu em suas formas de grafismo.
Gilson Plano
(1988 – Goiânia, GO, Brasil)
Gilson Plano nasceu em Goiânia, GO, Brasil (1988). Atua a partir da ideia de escultura, desenvolvendo trabalhos e pesquisa na intersecção de objetos, materiais, ações e narrativas. Investiga em sua produção artística o imaginário relacionado à forma e ao pensamento sobre o Brasil, acompanhado de ideias sobre peso, ficção e encantamento. As noções de estrutura e desaparecimento orientam suas esculturas e propostas, fazendo uso de materialidades da construção civil e edificações históricas. Participou de diversas exposições coletivas em espaços institucionais, e entre suas exposições recentes, destacam-se Sem Obstáculo, no Auroras, São Paulo (2025), Misterioso Laço, na Quadra Galeria, São Paulo (2024), e Como erguer tempestades, no Centro Cultural São Paulo (2021). Possui obras que integram coleções públicas e privadas.
Helô Sanvoy
(1985 – Goiânia, GO, Brasil)
Helô Sanvoy nasceu em Goiânia, GO, Brasil (1985). É mestre pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo e licenciado pela Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás. É membro do coletivo de performance Grupo EmpreZa desde 2011. Busca em sua pesquisa a experimentação e junção de materiais diversos, como também a experimentação de processos, linguagens e suportes. Realizou exposições individuais no Museu de Arte Contemporânea de Goiás (2014), na Casa de Cultura da América Latina da Universidade de Brasília (2014) e no Museu de Artes Visuais da Unicamp (2023). Participou do 30° Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo (2020) e da Temporada de Projetos do Paço das Artes (2022). Foi premiado pelo Prêmio PIPA (2023) e pela ABCA – Destaques Regionais: Região Centro Oeste (2022). Entre as exposições recentes que participou, destacam-se Direito à forma, Instituto Inhotim (2023); DOS BRASIS: Arte e Pensamento Negro, Sesc Belenzinho (2023); e a 12ª Bienal do Mercosul (2020).
Iagor Peres
(1995 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil)
Iagor Peres nasceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1995). Em suas esculturas e instalações, Peres é guiado pelo desejo de transformar a noção de “coisa” por meio de um processo de recategorização da matéria. Com base nas relações estabelecidas entre a obra, o ambiente expositivo e o público, o artista dirige sua atenção às reações da interação entre matéria, condições de umidade, temperatura e os sentidos possíveis para esses fatores. As configurações materiais assumidas em suas obras remetem a questionamentos sobre os mecanismos produtores de diferenças sociais por um pensamento branco-ocidental, que afeta a existência racializada. Sua experiência na dança também se reflete na ênfase dada ao corpo e suas dinâmicas de aparição e saída do espaço. Entre suas exposições recentes, destacam-se Entresól, no espaço cultural Pols, Valencia, Espanha (2024), e Adiar a noite, no espaço cultural Futuros – Arte e Tecnologia, Rio de Janeiro (2024).
Josi
(1983 – Itamarandiba, MG, Brasil)
Josi nasceu em Itamarandiba, MG, Brasil (1983). Passou sua infância em Carbonita, no Vale do Jequitinhonha, MG, de onde diz carregar “uma poeira de pequi e um breu pingado de rezas”. Bacharela em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais e em Artes Plásticas pela Universidade Estadual de Minas Gerais. Suas obras nascem de saberes que se impregnam e se despertam na manualidade, entrelaçando gestos de pintar, ferver, quarar, catar, amassar, com movimentos que atravessam barros, caldos de feijão, raízes, cascas, seivas, sementes, entre outros elementos. Foi contemplada com o Prêmio PIPA, em 2022, e o 8º Prêmio de Artes do Instituto Tomie Ohtake, Edição Mulheres, no mesmo ano. Entre suas exposições recentes, destacam-se grains of water, drops of earth, na galeria Mendes Wood DM, Nova York, EUA (2024), e Quarar reverso, na Piccola Galeria Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte (2022).
Jota Mombaça
(1991 – Natal, RN, Brasil)
Jota Mombaça nasceu em Natal, RN, Brasil (1991). É uma artista interdisciplinar cujo trabalho deriva da poesia, da teoria crítica e da performance. A matéria sonora e visual das palavras desempenha um papel importante em sua prática, assim como a resiliência, a capacidade de memória e a efemeridade dos materiais. Seu trabalho geralmente está relacionado à crítica anticolonial e à desobediência de gênero. Por meio da performance, da ficção visionária e de estratégias situacionais de produção de conhecimento, a artista busca “ensaiar o fim do mundo como o conhecemos e a figuração do que virá depois que desalojarmos o sujeito colonial moderno de seu pódio”. Em 2020, Mombaça recebeu a bolsa de estudos Pernod Ricard, em Paris, França, e o cargo de escritora residente na Nottingham Contemporary, Reino Unido. É autora do livro NÃO VÃO NOS MATAR AGORA, publicado em Portugal, pela EGEAC (2019), e no Brasil, pela Editora Cobogó (2021).
Kuenan Mayu
(2003 – Terra Indígena Tikuna Feijoal, Benjamin Constant, AM, Brasil)
Kuenan Mayu nasceu no Território Indígena Tikuna Feijoal, no município de Benjamin Constant, AM, Brasil (2003). É descendente dos povos Tikuna (Magü’ta) e Tariana do Amazonas. Em sua produção, investiga modos de existência e espiritualidade indígenas a partir de saberes tradicionais, com ênfase nas materialidades vivas da floresta, como o tururi — entrecasca de árvore sagrada que, em sua obra, torna-se suporte para a inscrição. Através de linguagens que atravessam a pintura, instalação, performance e oralidade, a artista articula processos de transmutação, compreendendo a arte como veículo de cura, proteção e reencantamento do mundo. Entre as exposições recentes em que participou, destacam-se Delírio Tropical, na Pinacoteca do Ceará, Fortaleza (2024), e a 2ª Bienal das Amazônias: Verde-distância, no Centro Cultural Bienal das Amazônias, Belém (2025).
Lia D’Castro
(1978 – Martinópolis, SP, Brasil)
Lia D’Castro nasceu em Martinópolis, SP, Brasil (1978). Atua de maneira transversal no terreno das artes visuais, atuando como artista, mediadora em espaços expositivos, pesquisadora e palestrante, tendo realizado palestras nas cidades de Vevey e Lausane, na Suíça. Dedica-se, dentre outros, ao projeto Seus filhos também praticam, no qual utiliza a prostituição como ferramenta de trabalho e investigação, aproximando-se de garotos entre 18 e 25 anos, brancos, ricos e autodeclarados héterosexuais, pesquisa na qual, busca cultivar o diálogo e a escuta no domínio da raça, classe, gênero e sexualidade, temas centrais em sua prática artística. Dentre suas exposições individuais recentes, destacam-se Lia D Castro: em todo e nenhum lugar, MASP (2024).
Lita Cerqueira
(1952 – Salvador, BA, Brasil)
Lita Cerqueira nasceu em Salvador, BA, Brasil (1952). Como fotógrafa profissional, é amplamente reconhecida por registrar a cultura negra brasileira. Tendo iniciado sua produção aos dezenove anos como autodidata, a artista trabalhou em laboratórios de revelação e fotografias para imprensa a partir dos anos 1970. O reconhecimento profissional veio a partir da exposição Festas populares da Bahia e arquitetura no centro Histórico de Salvador, em 1976. Suas produções registram, além de temas ligados à cultura negra, o convívio com o movimento Tropicália e artistas como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gal Costa. Teve atuações relevantes no cinema, como fotógrafa de cena e em alguns filmes como atriz, ao lado de diretores como Glauber Rocha, Neville de Almeida, Nelson Pereira dos Santos, entre outros. Participou da Revista Zum #20, do Instituto Moreira Salles (2021), e entre suas exposições recentes destacam-se Ofício: Luz: Lita Cerqueira: Direito de Olhar, no Sesc Pompéia, São Paulo (2026), e A Fotografia como Eu Sou, na Pinacoteca de São Paulo (2009).
Marcelo Conceição
(1966 – Niterói, RJ, Brasil)
Marcelo Conceição nasceu em Niterói, RJ, Brasil (1966). Artista autodidata, nascido no bairro niteroiense de Caramujo, trabalhou como carregador em feiras, pedreiro, vendedor ambulante e se define como “garimpeiro urbano”, transformando a matéria que recolhe em suas andanças em estruturas tridimensionais engenhosas e inusitadas. Após uma tragédia pessoal no início da década de 2010, Conceição relata que “foi buscar respostas nas ruas do Rio de Janeiro”, onde permaneceu por muitos anos. O artista considera que foi nas ruas que ele se reergueu, desenvolvendo a sua prática artística através de seu poder de observação e sua atitude positiva diante das dificuldades. Entre suas exposições recentes, destacam-se Transvendo o Mundo, no Museu Janete Costa, Niterói (2023), Marcelo Conceição: Deslocamentos e Travessias, no Museu do Pontal, Rio de Janeiro (2023–24), e Ensaio Aberto, no espaço de projetos Tropigalpão, Rio de Janeiro (2025).
Moacir
(1954 – 2025 – Alto Paraíso de Goiás, GO, Brasil)
Moacir (Moacir Soares de Faria) nasceu em Alto Paraíso de Goiás, GO, Brasil (1954) e faleceu no mesmo local (2025). Recolhido no interior do Brasil, Moacir criou obras singulares, fantásticas e desconcertantes, buscando revelar as forças do inconsciente. Seu imaginário funde sagrado, profano, humano, fauna e flora, tratando de forma insólita a sexualidade e a violência e criando um universo em que natureza e cultura se misturam. Também conhecido como Nô, de origem quilombola e habitante do cerrado da Chapada dos Veadeiros, Moacir trabalhou como minerador antes de ser reconhecido como artista. Começou desenhando nas rochas da paisagem, antes de possuir materiais artísticos. No fim dos anos 1980, já havia desenvolvido seu repertório e técnica, produzindo por mais de três décadas sobretudo com giz de cera sobre papel. Suas obras e trajetória ganharam projeção nacional com o documentário Moacir: arte bruta (2005), dirigido por Walter Carvalho.
Nazas
(1997 – Ourém, PA, Brasil)
Nazas (Thays Chaves) nasceu em Ourém, PA, Brasil (1997). É artista visual, pesquisadora e arte-educadora, desenvolvendo uma prática multidisciplinar que, desde 2017, estuda as aspirações românticas, as estéticas visuais e as tecnologias culturais do tecnobrega — uma cultura musical e visual popular na região Norte do Brasil. A artista reinterpreta os códigos e símbolos expressivos desse universo, seus excessos, sua sentimentalidade e sua linguagem visual luminosa, transformando-os em reflexões sobre identidade, afeto e pertencimento. Seu trabalho frequentemente expressa um romantismo intensificado, em que linguagem, memória e emoção se entrelaçam por meio de formas e textos experimentais. Em 2025, foi indicada ao Prêmio PIPA. Entre as exposições recentes, destacam-se as coletivas Complexo Brasil, em Lisboa (2025), e Insurgências e o Contraponto do longe, no Centro Cultural Bienal das Amazônias, Belém, (2024).
Osvaldo Gaia
(1961 – Belém, PA, Brasil)
Osvaldo Gaia nasceu em Belém, PA, Brasil (1961). Sua formação artística se desenvolveu através de pesquisas e experimentações dentro do universo amazônico com elementos que se identificam como estruturas escultóricas. Gaia se interessa conceitualmente por questões sociais, arquitetônicas, econômicas, relacionadas a fluxos, origens, identidades e ferramentas da vida ribeirinha, das quais tira sua inspiração. Sua produção artística abrange desde pequenos objetos e esculturas, até instalações e intervenções urbanas. Entre as exposições recentes que participou, destacam-se a 2ª Bienal das Amazônias: Verde-distância, no Centro Cultural Bienal das Amazônias, Belém (2025), e a mostra individual Transcendências, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife (2024). Sua produção integra coleções institucionais, como o Museu de Arte de Belém, o Museu de Arte de Santa Catarina, e o Museu de Arte do Rio.
Oto Ferreira
(1995 – Serrinha, BA, Brasil)
Oto Ferreira nasceu em Serrinha, BA, Brasil (1995). É artista, luthier e violinista, com pesquisa voltada ao uso da madeira e aos ofícios ancestrais. Em sua dimensão prática e ideológica, utiliza materiais provenientes de podas, trocas e construções, aos quais devolve ritmo, cor e textura. Suas esculturas, combinadas à pintura, formam paisagens abstratas, motivadas pelo cotidiano e pelo sagrado afro-brasileiro. Em 2025, realizou residência artística na Domo Damo, em São Paulo. Entre as exposições recentes que participou, destacam-se a individual Àjò, na Galeria Verve, São Paulo (2025), e as mostras coletivas Novo Lote, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia, Salvador (2024), e Encruzilhada, no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador (2022).
Rafael Chavez
(1996 – São Mamede/Santa Luzia, PB, Brasil)
Rafael Chavez nasceu em São Mamede, ex-distrito de Santa Luzia, PB, Brasil (1996). Trabalhando entre o interior da Paraíba e São Paulo, Rafael Chavez é bisneta de oleiro e multiartista. Sua pesquisa parte do calor e do fogo como gatilho criativo e princípio de transformação, desenvolvendo uma fé cósmica própria e articulando tempo, realização, memória, deslocamentos e atravessamentos. A partir da construção do próprio forno a lenha na Caatinga, desenvolve esculturas de cerâmica e pinturas que tensionam permanência, combustão e mistério, aproximando sua prática dos enigmas arqueológicos da Caatinga paraibana.
Rayana Rayo
(1989 – Recife, PE, Brasil)
Rayana Rayo nasceu em Recife, PE, Brasil (1989). Tendo origem em processos profundamente pessoais, suas pinturas evocam paisagens ou organismos vegetais, constituindo um bioma próprio, que responde a experiências sensíveis e a elaborações subjetivas. A artista parte de formas fundamentais e de cores rebaixadas para criar fabulações, das quais emergem formas que aludem a montes, ilhas, paisagens aquáticas e abissais, além de plantas, bichos e outros seres. Considera sua pintura um instrumento de materialização de memórias, desejos e experiências cotidianas, ao mesmo tempo em que estabelece diálogo com a tradição artística pernambucana. Entre as exposições recentes em que participou, destacam-se as coletivas A terra, o fogo, a água e os ventos – Por um Museu da Errância com Édouard Glissant, no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (2025), e Invenção dos reinos, na Oficina Francisco Brennand, Recife (2023). Sua obra integra o acervo da Pinacoteca de São Paulo e do REC Cultural, Recife.
Rodrigo Cass
(1983 – São Paulo, SP, Brasil)
Rodrigo Cass nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1983). Sua obra dialoga com a tradição construtiva brasileira por meio de um vocabulário formal que alude às experimentações artísticas das décadas de 1960 e 1970. Interessa-se pelas intersecções e fraturas do plano pictórico, fazendo com que a superfície adquira volume em telas, relevos e vídeos. Concreto, fibra de vidro e linho, coloridos com têmpera, são alguns de seus materiais mais utilizados, e suas obras em vídeos, projetadas sobre objetos esculturais, fundem a fisicalidade da performance com a lógica pictórica, em que cor e textura também aparecem como elementos construtores do espaço. Entre suas exposições recentes, destacam-se Rodrigo Cass: A Joyner/Giuffrida Visiting Artist Program, no Nevada Museum of Art, EUA (2025), e a participação na 13° Bienal do Mercosul, Porto Alegre (2025). Sua obra integra coleções institucionais como Centre Georges Pompidou, Paris, França; Thyssen-Bornemisza Art Contemporary, Viena, Áustria; Museu de Arte Moderna de São Paulo, e Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte.
Rose Afefé
(1988 – Varzedo, BA, Brasil)
Rose Afefé nasceu em Varzedo, BA, Brasil (1988). A partir do resgate de memórias da infância, a artista trabalha com suportes diversos, incluindo instalação, pintura e fotografia. Iniciou em 2018 a construção da obra Terra Afefé, uma micro cidade em escala humana construída com terra, utilizando a técnica do adobe (tijolo de barro cru) e pintada com cal. Situada na zona rural de Ibicoara, Bahia, na região da Chapada Diamantina, Terra Afefé se apresenta como um lugar de encontro e convivência, que relaciona arte e vida e fomenta perspectivas locais a fim de potencializar os saberes do território. A observação e a interação com a natureza são empregadas para conduzir produções de vida mais pulsantes e espontâneas.
Thaís Muniz
(1985 – Feira de Santana, BA, Brasil)
Thaís Muniz nasceu em Feira de Santana, BA, Brasil (1985). Mestra em Arte e Pesquisa Colaborativa pelo Dún Laoghaire Institute of Art, Design and Technology, Dublin, Irlanda, é uma artista cuja prática transita por múltiplas linguagens para investigar as interseções entre identidades herdadas e adquiridas, memória, trânsito, e o amor interior como metodologia de cuidado radical. A partir de um engajamento crítico com a geografia cultural dos lugares que atravessa, orienta seu trabalho para a comunidade e o desdobra em processos de aprendizado coletivo, como workshops, performances, instalações e filmes. Sua produção também abrange fotografia, celebrações, esculturas e ativações, incorporando memorabilia e simbologia. Entre as exposições recentes em que participou, destacam-se a individual Rites of Care, Curse and Comfort, no Sirius Arts Centre, Irlanda (2024), e a coletiva Reshape, no Cork Printmakers Studio Gallery (2024), Irlanda.
Ygor Landarin
(1995 – Uruguaiana, RS, Brasil)
Ygor Landarin nasceu em Uruguaiana, RS, Brasil (1995). Sua pesquisa aborda memórias e heranças visuais ligadas à cidade onde cresceu, desenvolvendo uma poética que aproxima arte e arqueologia. Criando abstrações relacionadas a concheiros e sambaquis, investiga materialmente o tempo, a permanência e a transformação. Desde 2017, trabalha com a artista Brígida Baltar, integrando a equipe de conservação, memória e continuidade de projetos do Instituto Brígida Baltar. Formado na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, foi selecionado para o curso Formação e Deformação e recebeu bolsa no curso Imersões Poéticas, da Escola Sem Sítio. Entre as exposições recentes em que participou, destacam-se as coletivas Manguezal, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2025), e a Bienal de Coimbra: Anozero’24 – O fantasma da liberdade, Portugal (2024). Suas obras integram a coleção do Museu de Arte do Rio.
serviço
Exposição:
39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito
Como parte da Temporada França-Brasil 2025, em especial da programação francesa no Brasil, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM São Paulo) planejou realizar o projeto Limiar, de Tarik Kiswanson, na Sala de Vidro do museu. O espaço se integra à marquise do Parque Ibirapuera e ao Jardim de Esculturas do MAM, lugar de bastante visibilidade mesmo para quem não entra no prédio.
Os trabalhos de Tarik Kiswanson, em geral, são pensados para lugares específicos, ou seja, não são apenas esculturas que ocupam uma sala, mas que se integram ao ambiente e são indissociáveis do local em que estão instaladas. Inicialmente, o artista havia elaborado um projeto que pressupunha uma situação de plena transparência e de permeabilidade entre o dentro e o fora. Com o atraso da reforma da marquise do parque e a impossibilidade de apresentar o trabalho na Sala de Vidro, o MAM São Paulo estabeleceu uma parceria com o Instituto Tomie Ohtake para garantir sua realização.
A obra, que seria vista dentro da marquise projetada por Oscar Niemeyer, foi reimaginada, com êxito, para a sala circular do prédio de Ruy Ohtake. O artista teve um curto período para rever seu projeto, e a situação de plena visibilidade se transformou numa espécie de fresta, de um olhar a partir de um ângulo determinado, estreito, um recorte que traz um mistério. O trabalho de Tarik Kiswanson não se entrega de imediato, mas exige um percurso na sala circular, um corpo que caminha até encontrá-lo.
A noção de corpo é relevante para a relação que estabelecemos com a obra, já que ela alude a um corpo que não está lá. Objetos presentes na sala nos lembram corpos, carregam memórias deles, já que eles estão ausentes, mas ainda assim presentificados pelas formas que o artista projeta. O trabalho fala mais à nossa sensibilidade do que ao intelecto, ou seja, não se trata de compreendê-lo, de saber que a cadeira veio de repartições de imigração do Brasil, mas de perceber o que está diante de nossos olhos – o visível e, também, o invisível a que ele alude.
É como se a obra suspendesse o fluxo do tempo, que deixou de ser cronológico, com início, meio e fim. Tudo se passa como se o antes e o depois estivessem condensados nas formas ovais, em casulos brancos opacos que transformam o seu entorno em espécies de ninhos. A forma oval – além da ideia de fecundidade, de promessa do que ainda virá, da vida em potência – traz o sentido de origem, de procedência e transformação. Aparentando ser frágil, ela aponta para o que ainda não é, mas que pode vir a ser.
O ambiente apresenta móveis religiosos de madeira, de origem belga ou holandesa, do século 19. No entanto, o objeto está inacessível ao corpo e fora de seu contexto litúrgico – ele é colocado em um espaço secular que evoca o silêncio. Mas a ausência de ruído não equivale ao vazio. Ao contrário, é como se esse banco nobre, que atravessou o oceano e paira suspenso no alto da sala, contivesse não apenas parte da história colonial, mas também trouxesse o seu oposto: a possibilidade de uma reflexão crítica sobre o processo de colonização. O silêncio da obra, mais do que contemplativo, ecoa as vozes de todos os povos que foram catequizados, todas as crenças que foram proibidas e todos os corpos que ali repousaram, espontaneamente ou pela força. A obra de Tarik Kiswanson aponta para aquilo que não pode ser visto nem ouvido, mas que pode ser sentido nos corpos que se colocam diante dela.
Cauê Alves Curador
Acessibilidade
Disponibilização de catálogos em versão digital que pode ser processada por sistemas de leitura e ampliação de tela (clique aqui para acessar as publicações);
Recursos de audioguia com audiodescrição e videoguia em Libras com legendas em português nas exposições;
Ferramenta de Libras digital;
Utilização de legendas descritivas e texto alternativo nas postagens nas redes sociais, com a hashtag #DescriçãoDoVideo e hashtag #PraTodoMundoVer;
Disponibilização de materiais táteis e multissensoriais das obras do acervo
Além das medidas acima, é possível agendar com o Educativo visitas mediadas gratuitas com educadores para público surdo, com deficiência visual, com deficiência física, intelectual e usuários de equipamentos de saúde mental e emsituação de vulnerabilidade social e horários alternativos planejados para atendimento de público dentro do Transtorno do Espectro Autista de acordo com as características distintas de cada sujeito pensadas em relação a: socialização, sensorialidade, comunicabilidade e autonomia. solicitar pelo e-mail educativo@mam.org.br.
Intérprete de libras e audiodescrição ao vivo nas atividades quando solicitado com até 48h de antecedência solicitar pelo e-mail educativo@mam.org.br.
Em certas atividades, poderão ser oferecidas medidas adicionais de acessibilidade, que estarão indicadas nos materiais de divulgação.
Vista traseira da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista traseira da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
curadoria
Cauê Alves
É mestre e doutor em Filosofia pela FFLCH-USP. Professor do Departamento de Artes da FAFICLA-PUC-SP, é curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo e coordenador do grupo de pesquisa em História da Arte, Crítica e Curadoria (CNPq). Publicou diversos textos sobre arte, entre eles no catálogo Mira Schendel (Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Pinacoteca de São Paulo e Tate Modern, 2013). Foi curador-chefe do Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE, 2016-2020), curador assistente do Pavilhão Brasileiro na 56ª Bienal de Veneza (2015) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011).
Paulo Miyada
Curador e pesquisador de arte contemporânea, dedica-se a projetos que contribuam tanto com visadas mais amplas e precisas da história da arte quanto com a reflexão crítica e desejante do tempo presente. Comprometido com o diálogo com artistas, preza igualmente pelo amadurecimento das instituições como instâncias de relevância pública e social, assim como pelo acolhimento dos públicos como sujeitos sensíveis e pensantes com interesses que transbordam o juízo de valor. Com graduação e mestrado pela FAU-USP, atua hoje como diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake e curador adjunto do Centre Pompidou. Foi curador adjunto da 34ª Bienal de São Paulo (2020-21) e assistente de curadoria da 29ª Bienal de São Paulo (2010), além de ter organizado o livro “Bienal de São Paulo desde 1951” (2022). Entre suas curadorias, destacam-se “AI-5 50 anos – Ainda não terminou de acabar” (2018); “Anna Maria Maiolino – PSSSIIIUUU…” (2022); “Ensaios para o Museu das Origens” (2023); “Mira Schendel – Esperar que a palavra se forme” (2024) e “Sonia Gomes – Barroco, mesmo” (2025). Suas publicações foram indicadas diversas vezes para o prêmio Jabuti, incluindo a premiação na categoria Livro de Arte em 2020. Atualmente organiza a mostra “A TERRA O FOGO A ÁGUA E OS VENTOS – Por um Museu da Errância com Édouard Glissant”.
artista
Tarik Kiswanson
(Halmstad, Suécia, 1986 – vive e trabalha em Paris, França)
Por mais de uma década, Tarik Kiswanson tem explorado noções de desenraizamento, metamorfose e memória por meio de sua prática artística interdisciplinar. Um legado de deslocamento e transformação permeia suas obras e é indispensável tanto para sua forma quanto para os modos de percepção que produzem. Embora preserve uma dimensão íntima e pessoal, seu trabalho dialoga com questões universais e com histórias sociais e coletivas de ruptura, perda e regeneração. O conjunto de sua obra pode ser compreendido como uma cosmologia de famílias conceituais interligadas, cada uma explorando variações de temas como refração, multiplicação, desintegração, levitação e polifonia por meio de uma linguagem própria.
Tarik Kiswanson descende de uma família palestina exilada de Jerusalém, primeiro para Trípoli e depois para Amã, antes de finalmente se estabelecer em Halmstad, Suécia, onde ele nasceu em 1986. Kiswanson passou dez anos em Londres, onde estudou arte, antes de se mudar para Paris, cidade onde vive e trabalha desde 2010. É mestre pela École Nationale Supérieure des Beaux-Arts de Paris (2014) e bacharel pela Central Saint Martins – University of the Arts London (2010).
Tarik Kiswanson recebeu o Prêmio Marcel Duchamp em 2023, no Centre Pompidou. Sua obra tem sido tema de diversas exposições individuais em instituições, mais recentemente no Museu de Arte Moderna de São Paulo (2025), Fundação Iberê Camargo (2025), Kunsthalle Portikus (2024), Oakville Galleries (2024), Bonniers Konsthall (2023), Salzburger Kunstverein (2023), Museo Tamayo (2023), M HKA – Museum of Contemporary Art Antwerp (2022) e Carré d’Art – Musée d’art contemporain (2021). Ele participou também de exposições coletivas e bienais em instituições como Centre Pompidou, Kunsthalle Münster, Bienal de Arte Contemporânea de Gotemburgo, Bienal de Lyon, Performa Biennial e Mudam.
serviço
Exposição:
Tarik Kiswanson: Limiar
Local:
Instituto Tomie Ohtake
Curadoria:
Cauê Alves e Paulo Miyada
Período expositivo:
de 3 de setembro de 2025 a 25 de janeiro de 2026
Endereço:
Rua Dos Coropés, 88 – Pinheiros – São Paulo – SP
Entrada gratuita
MAM São Paulo na Pinacoteca do Ceará: figura e paisagem, palavra e imagem
O Museu de Arte Moderna de São Paulo foi fundado em 1948 e sua coleção, com ênfase na arte brasileira, conta com mais de 5 mil obras produzidas pelos mais representativos artistas modernos e contemporâneos. Assim como o seu acervo, a programação do MAM privilegia o experimentalismo, abrindo-se para a pluralidade da produção artística atual e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas. Tradicionalmente, o museu mantém uma ampla grade de atividades que inclui cursos, debates, laboratório de pesquisa, sessões de vídeo e práticas artísticas e educativas.
Em 1986, o MAM criou o Clube de Colecionadores que tem entre os seus objetivos o enriquecimento do seu acervo e o desenvolvimento do colecionismo privado. Através do Clube, artistas em diferentes estágios de carreira são convidados a propor trabalhos em formato múltiplo, para a realização de uma tiragem limitada de edições, das quais ao menos uma é incorporada ao acervo do MAM. Em 2024, o museu iniciou uma revisão na sua coleção e doou para a Pinacoteca do Ceará um conjunto de 87 obras que participaram de diferentes edições do Clube de Colecionadores do MAM e que estavam duplicadas na coleção.
MAM na Pinacoteca do Ceará: figura e paisagem, palavra e imagem é uma mostra que parte desta doação e conta com 47 obras que pertencem à coleção do MAM e são vinculadas à arte moderna e contemporânea. Ao aproximar a coleção do MAM das obras recém adquiridas pela Pinacoteca, a exposição reúne 94 trabalhos de diferentes linguagens e procedimentos técnicos, como fotografia, xilogravura, serigrafia, pintura, desenho, escultura, bordado, vídeo, entre as mais variadas combinações e derivações. Esse contingente de materialidades e fazeres artísticos variados reflete a multidisciplinaridade que caracteriza a arte brasileira e, assim, busca oferecer ao visitante a pluralidade como via para refletir e se relacionar com a arte e questões inerentes a ela.
A relação entre figura e paisagem é abordada no primeiro núcleo da exposição, onde foram reunidos trabalhos que elaboram diferentes pontos de vista sobre uma questão cara à história da arte e às transformações promovidas desde as vanguardas modernistas. Em algumas das obras, a presença de figuras em frente ou em meio a paisagens, ou diante de espaços vazios, nos desafia a refletir sobre como os corpos e os retratos se vinculam com o espaço e o mundo ao seu redor, e o quanto as fronteiras entre os sujeitos e a paisagem natural e artificial podem ser indeterminadas. Em outros trabalhos, a aparição de paisagens desprovidas de figuras, assim como representações ambíguas do corpo e dos espaços que ele ocupa, ou pode ocupar, desestabilizam sentidos cristalizados ao introduzir a abstração no processo de percepção e significação do mundo e dos modos como nos relacionamos.
Os vínculos entre palavra e imagem são análogos às relações entre figura e paisagem e entram em foco no núcleo final da exposição, onde trabalhos que contêm letras, palavras e textos colocam em perspectiva a apreensão da linguagem escrita no contexto de uma construção imagética. Toda palavra produz sentido através de uma imagem mental, assim como algumas imagens podem ser compreendidas a partir de sua ligação com a escrita e como linguagem visual. Nas obras reunidas na exposição, essas relações são reconfiguradas à medida em que palavras e letras ao lado de outros elementos compositivos contaminam-se mutuamente, apontando para a impossibilidade de separação total entre a leitura da imagem e a leitura da palavra.
A presente exposição é fruto de uma parceria entre o MAM São Paulo e a Pinacoteca do Ceará e almeja, além de aumentar a visibilidade da coleção de ambos os museus, contribuir para a programação da Pinacoteca do Ceará, assim como fomentar a reflexão sobre arte moderna e contemporânea.
Cauê Alves e Gabriela Gotoda curadores
créditos: Xadalu Tupã Jekupé, Tatá Piriri (2022). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Doação Paulo Sartori
mídias assistivas
01. Carmela Gross – Arte a mão armada
02. Lenora de Barros – Em forma de família
03. Barbara Wagner – Sem título, da série Brasília Teimosa
Aldo Bonadei, Paisagem de Itanhaém, 1943. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini.
Barbara Wagner, Sem título, da série Brasília Teimosa, 2006–2010. Coleção Pinacoteca do Ceará.
Clóvis Graciano, Paisagem, 1944. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini.
Jose Antonio da Silva, Procissão, 1948. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini.
Mira Schendel, Sem título, 1975. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini.
Caetano de Almeida, As madames, 1999. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini.
Patrício José, Sem título. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini
curadoria
Cauê Alves
É mestre e doutor em Filosofia pela FFLCH-USP. Professor do Departamento de Artes da FAFICLA-PUC-SP, é curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo e coordenador do grupo de pesquisa em História da Arte, Crítica e Curadoria (CNPq). Publicou diversos textos sobre arte, entre eles no catálogo Mira Schendel (Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Pinacoteca de São Paulo e Tate Modern, 2013). Foi curador-chefe do Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE, 2016-2020), curador assistente do Pavilhão Brasileiro na 56ª Bienal de Veneza (2015) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011).
Gabriela Gotoda
(São Paulo, 1998)
Gabriela Gotoda é pesquisadora e curadora de artes visuais. Bacharel em Arte: História, Crítica e Curadoria pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, publicou textos biográficos sobre Edgar Degas (MASP, 2021), John Graz (Pinacoteca de São Paulo, 2021) e Ozias (Danielian, 2024) e atua com curadoria e processos editoriais em instituições de arte e galerias em São Paulo desde 2019. Integra a equipe curatorial do Museu de Arte Moderna de São Paulo desde 2022, onde é responsável pelo acompanhamento curatorial das publicações do museu e da curadoria das exposições “Lina Bo Bardi e o MAM no Parque” (2023), “Clube de colecionadores MAM São Paulo: Técnicas de diversão na arte contemporânea” (2024), e “MAM São Paulo: Encontros entre o moderno e o contemporâneo” (2025)
artistas
Aldo Bonadei
(São Paulo, SP, Brasil, 1906 – São Paulo, SP, Brasil, 1974)
Aldo Bonadei foi um pintor, gravador, figurinista e professor brasileiro. Formado por Pedro Alexandrino e pela Accademia di Belle Arti di Firenze, integrou o Grupo Santa Helena e a FAP. Ensinou na Escola Livre de Artes Plásticas e cofundou a Oficina de Arte – O. D. A. Criou figurinos para teatro e cinema, destacando-se pela versatilidade e influência na cena cultural paulistana.
Alair Gomes
(Valença, RJ, Brasil, 1921 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1992)
Foi um fotógrafo, filósofo, professor e crítico de arte brasileiro, nascido em Valença, Rio de Janeiro.Formado em engenharia civil em 1944, abandonou a carreira técnica para se dedicar à filosofia da ciência, estética e história da arte.Em 1965, durante uma viagem à Europa, iniciou sua trajetória fotográfica ao utilizar uma câmera Leica emprestada.A partir de então, passou a fotografar compulsivamente, produzindo cerca de 170 mil negativos ao longo de sua vida.
Seu trabalho fotográfico é marcado por imagens de corpos masculinos, muitas vezes capturadas da janela de seu apartamento em Ipanema, no Rio de Janeiro.Essas fotos, frequentemente organizadas em sequências inspiradas em estruturas musicais como sonatinas e sinfonias, exploram temas como voyeurismo, beleza e sensualidade.Além disso, Gomes registrou cenas do carnaval carioca e paisagens urbanas, sempre com um olhar artístico e contemplativo.
Alfredo Volpi
(Lucca, Itália, 1896 – São Paulo, SP, Brasil, 1988)
Alfredo Volpi foi um dos artistas modernos brasileiros mais consagrados, desenvolvendo uma trajetória independente que flertava com o concretismo sem se filiar a escolas. Iniciou com paisagens e figuras, evoluindo para composições geometrizadas, com destaque para suas icônicas “fachadas”. Integrante do Grupo Santa Helena nos anos 1930, uniu cultura popular e arte erudita, criando um vocabulário formal próprio e cores vibrantes preparadas artesanalmente, em resistência à impessoalidade.
Anita Malfatti
(São Paulo, SP, Brasil, 1889 – 1964)
Anita Catarina Malfatti (São Paulo, 2 de dezembro de 1889 – São Paulo, 6 de novembro de 1964) foi uma pintora, desenhista, gravadora, ilustradora e professora ítalo-brasileira, considerada pioneira da Arte Moderna no Brasil. Nascida com uma deficiência congênita no braço direito, desenvolveu habilidades artísticas utilizando a mão esquerda. Iniciou seus estudos artísticos com a mãe, Betty Krug, e posteriormente estudou na Alemanha e nos Estados Unidos, onde teve contato com movimentos como o expressionismo e o cubismo. Sua exposição individual de 1917 em São Paulo causou grande controvérsia, sendo criticada por Monteiro Lobato, mas também despertou o interesse de jovens intelectuais modernistas. Anita participou da Semana de Arte Moderna de 1922, evento que marcou o início do modernismo no Brasil. Ao longo de sua carreira, suas obras refletiram influências das vanguardas europeias e da cultura brasileira. Faleceu em 1964, deixando um legado significativo para a arte brasileira.
Bárbara Wagner
(Brasília, DF, Brasil, 1980)
É artista visual e cineasta, cujo trabalho investiga expressões culturais populares brasileiras como o frevo, o brega-funk e o gospel, explorando temas como identidade, corpo e visibilidade. Desde 2011, colabora com Benjamin de Burca em vídeos que mesclam documentário e ficção. Em 2019, representaram o Brasil na Bienal de Veneza com a obra Swinguerra
Boris Kossoy
(São Paulo, SP, Brasil, 1941)
Brígida Baltar
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1959–2022)
Brígida Baltar nasceu e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1959–2022). Frequentou no final dos anos 1980 a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e integrou o coletivo Visorama. Considerada pioneira no conceito de escultura transitória no Brasil – um tipo de escultura marcada pela impermanência, cuja existência está ligada a processos efêmeros –, a produção multimídia de Baltar transitou entre linguagens como vídeo, fotografia, performance, instalação, desenho e escultura. Suas obras exploram questões oníricas, fabulações e narrativas do corpo através da coleta de materiais naturais e transitórios. Inicialmente dedicada à reunião de elementos da vida doméstica – como a água acumulada em seu telhado ou a poeira dos tijolos na parede de sua casa –, a artista expandiu o exercício para o ambiente exterior, dedicando-se à tarefa de capturar o intangível. Participou do 25º e 30º Panorama da Arte Brasileira do MAM São Paulo (1997 e 2007) e da 25ª Bienal de São Paulo (2002). Suas obras estão presentes em acervos como do MAM São Paulo, MASP, MAM Rio, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) e Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Caetano de Almeida
(Campinas, SP, Brasil, 1964)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1988), onde foi aluno de Evandro Carlos Jardim e Nelson Leirner, e frequentou, ainda na década de 1980, os ateliês de gravura da Pinacoteca de São Paulo. Pintor e gravador, desenvolve uma produção marcada por intensa pesquisa cromática e pelo diálogo recorrente com a história da arte. Ao longo de sua carreira, apropria-se de imagens provenientes de livros, enciclopédias e outras fontes visuais, investigando processos de reprodução, circulação e transformação das imagens na cultura contemporânea. Suas pinturas frequentemente retomam referências da tradição pictórica europeia e da arte moderna brasileira, reelaboradas por meio de padrões decorativos, estruturas geométricas e campos cromáticos densos. Entre suas exposições individuais institucionais, destacam-se mostras na Pinacoteca de São Paulo (2007), no MAM Rio (2007), no Instituto Tomie Ohtake (2003) e no MAM São Paulo (2003). Teve sua trajetória reunida no livro O delicioso jardim do vizinho, organizado pelo crítico e curador Paulo Herkenhoff e publicado pela editora Cobogó (2016).
Carlos Vergara
(Santa Maria, RS, Brasil, 1941)
Carlos Vergara, natural de Santa Maria, Rio Grande do Sul, é um artista cuja obra se consolidou na década de 1960, durante a resistência à ditadura militar. Participante da histórica mostra Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Vergara foi um dos protagonistas da Nova Figuração Brasileira, movimento que uniu arte e crítica política. Nos anos 70, ampliou seu vocabulário com fotografias e instalações, e, desde os anos 1980, suas pinturas e monotipias seguem um caminho de experimentação, mantendo a inovação dentro da tradição da pintura.
Foto: Walter Carvalho/Divulgação
Clóvis Graciano
(Araras, SP, Brasil, 1907 – São Paulo, SP, Brasil, 1988)
foi um pintor, desenhista, gravador, cenógrafo e ilustrador brasileiro, reconhecido por sua fidelidade ao figurativismo e pelo compromisso com temas sociais.
Mudou-se para São Paulo em 1934, onde estudou com Waldemar da Costa e, em 1937, integrou o Grupo Santa Helena, ao lado de artistas como Alfredo Volpi e Francisco Rebolo.Sua obra destaca trabalhadores, migrantes e músicos, com traços influenciados por Candido Portinari e elementos do pós-cubismo.
Davi de Jesus do Nascimento
(Pirapora, MG, 1997 – vive em Pirapora)
Quando nasci alevim, em 1997, no fulgor norte-mineiro, banharam-me com o mesmo nome de meu pai, Davi de Jesus do Nascimento. sou barranqueiro curimatá, arrimo de muvuca e escritor fiado. gerado às margens do Rio São Francisco – curso d’água de minha vida – trabalho coletando afetos da ancestralidade ribeirinha e percebendo “quase-rios’’, no árido. fui criado dentro do emboloso da cumbuca de carranqueiros, pescadores e lavadeiras. o peso de carregar o rio nas costas bebe da nascente dos primeiros sóis que chorei na vida. sustentar na cacunda a carranca tem feito eu sentir a força do vento de minha taboca envergada no seguimento da rabiola solta que desceu em espiral gongo caracol envoltório para o calcanhar direito como cobra, isca, peixe e pedra.
Denis Moreira
(São Paulo, SP, Brasil, 1986)
é artista visual, pesquisador e educador.Formado em Artes Visuais pela FMU em 2011, desenvolve uma prática que entrelaça pintura, fotografia e técnicas digitais para explorar temas como ancestralidade, identidade afro-brasileira e memória coletiva.Suas obras dialogam com elementos da cultura africana e afro-brasileira, propondo reflexões sobre o passado e o presente.
Efrain Almeida
(Boa Viagem, CE, Brasil, 1964 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2024)
foi um artista visual brasileiro cuja obra transita entre escultura, pintura, bordado e aquarela.Sua prática é marcada por uma profunda conexão com a cultura popular nordestina, a religiosidade católica e a natureza, especialmente as aves, que aparecem recorrentemente em suas criações.Utilizando materiais como madeira e bronze, Almeida explorava temas como sexualidade, identidade e memória pessoal, frequentemente incorporando elementos autobiográficos e autorretratos em suas obras.
Elida Tessler
(Porto Alegre, RS, Brasil, 1961)
é artista visual e professora da UFRGS. Sua obra investiga as relações entre palavra, imagem e memória, explorando interseções entre literatura e artes visuais. Doutora pela Université Paris I – Sorbonne, fundou o espaço Torreão (1993–2009), referência na arte contemporânea brasileira. Realizou exposições individuais e projetos que destacam a materialidade da linguagem.
Emidio de Souza
(Itanhaém, SP, Brasil, 1868 – Santos, SP, Brasil, 1949)
foi um artista multifacetado brasileiro, reconhecido como o primeiro pintor primitivista do país. Além da pintura, destacou-se como poeta, músico, teatrólogo e folclorista.
Autodidata, iniciou sua carreira artística aos 18 anos, pintando cenas de sua cidade natal. Entre 1888 e 1890, estudou pintura com Benedito Calixto em Santos, auxiliando-o na decoração de eventos comemorativos da Lei Áurea e na elaboração do livro “A Villa de Itanhaém”
Emiliano Di Cavalcanti
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1897 – 1976)
Di Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1897) e faleceu em São Paulo, SP, Brasil (1976). Formou-se pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), além de estudar desenho e pintura no Rio de Janeiro e em Paris, onde entrou em contato com as vanguardas europeias, sobretudo o cubismo e o expressionismo, que influenciaram sua linguagem plástica. Pintor, ilustrador e muralista, foi figura central da Semana de Arte Moderna de 1922 e construiu uma obra marcada pela síntese entre cor intensa, volumes robustos, desenho sinuoso e um jogo de luz que enfatiza a atmosfera de suas cenas. Representou alegoricamente elementos da cultura brasileira, como festas populares, carnaval, música e religiosidade, além de cenas urbanas que retratam questões sociais e raciais, como os subúrbios cariocas, trabalhadores e trabalhadoras informais, e a vida coletiva nas cidades, articulando a estética modernista com uma visão crítica. Também realizou murais para espaços públicos e privados, aproximando sua obra da arquitetura moderna. Sua trajetória foi revisitada nas exposições No subúrbio da modernidade – Di Cavalcanti 120 anos, Pinacoteca de São Paulo (2017) e Di Cavalcanti, muralista, Instituto Tomie Ohtake (2021).
Ernesto Neto
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1964)
é um artista contemporâneo brasileiro conhecido por instalações imersivas que exploram o corpo, os sentidos e a espiritualidade. Utiliza materiais como lycra, especiarias e miçangas para criar ambientes orgânicos e sensoriais. Desde os anos 1990, destaca-se internacionalmente e colabora com comunidades indígenas em obras que unem arte e ancestralidade.
Espaço Coringa
(São Paulo, SP, Brasil, 1998)
foi um coletivo artístico ativo entre 1998 e 2009, fundado por artistas como Fabrício Lopez.Com sede em São Paulo, o grupo promoveu exposições, publicações, vídeos, aulas, intercâmbios e residências artísticas, destacando-se por sua abordagem colaborativa e experimental nas artes visuais.O ateliê desempenhou um papel significativo na cena artística brasileira, incentivando práticas inovadoras e a formação de redes entre artistas
Fabricio Lopez
(Santos, SP, Brasil, 1977)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP e é mestre em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP, sob orientação de Cláudio Mubarac. É co-fundador da Associação Cultural Jatobá (AJA) e do Ateliê Espaço Coringa, coletivo que entre 1998 e 2009 realizou exposições, publicações, vídeos e residências artísticas. Sua produção concentra-se na gravura, especialmente em xilogravuras e relevos pintados de grande escala. Trabalhando a partir de matrizes de madeira e grandes chapas de compensado, desenvolve composições estruturadas por campos de cor, camadas de impressão e relações entre figura e fundo, explorando as dimensões física e cromática da estampa. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, da Pinacoteca de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura de Santos e do Ministério das Relações Exteriores. Recebeu o Prêmio de Residência Artística Arthur Luiz Piza (2015).
Farnese de Andrade
(Araguari, MG, Brasil, 1926 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1996)
Farnese de Andrade foi um pintor, escultor, desenhista, gravador e ilustrador brasileiro. Estudou com Guignard em Belo Horizonte (1945-1948) e, após se mudar para o Rio de Janeiro para tratar uma tuberculose, trabalhou como ilustrador em diversos jornais e revistas. Em 1959, aperfeiçoou-se em gravura no Museu de Arte Moderna do Rio. Nos anos 1960, passou a criar obras com materiais descartados e objetos encontrados, refletindo um contexto político e moral da época.
Fernando Lindote
(Santana do Livramento, RS, Brasil, 1960)
é um artista visual brasileiro que trabalha com pintura, instalação, performance e vídeo. Sua obra tem uma abordagem experimental e crítica, explorando temas de identidade cultural e história brasileira. Começou como cartunista no sul do país e participou de exposições importantes, como a 29ª Bienal de São Paulo.
Rebolo
(São Paulo, SP, Brasil, 1902 – 1980)
Francisco Rebolo foi pintor e gravador, ligado ao Grupo Santa Helena e à formação do modernismo paulista. Nos anos 1950, explorou a xilogravura, e, a partir da década de 1970, dedicou-se à água-forte e à litografia, incentivado por Marcello Grassmann. Suas gravuras, longe de serem apenas estudos para a pintura, possuem força própria, combinando rigor técnico e sensibilidade cromática. Sua produção reflete a mesma busca por equilíbrio e síntese que marcou sua trajetória na pintura.
Iberê Camargo
(Restinga Seca, RS, Brasil, 1914 – Porto Alegre, RS, Brasil, 1994)
Pintor, desenhista e gravador, formou-se no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre e iniciou sua trajetória no sul do Brasil, antes de prosseguir estudos no Rio de Janeiro e na Europa. Sua pintura figurativa, marcada por paisagens e retratos de atmosfera densa, utiliza pinceladas marcadas e cores contrastantes para expressar estados emocionais profundos. A partir do final dos anos 1950, sua obra caminhou para uma linguagem mais gestual e matérica, em que a espessura da tinta, a energia do traço e a tensão entre figura e fundo o aproximaram da abstração, como nas célebres séries dos Carretéis. Suas duas últimas mostras de destaque foram Paisagens de Dentro: as últimas pinturas de Iberê Camargo, (2010) e Iberê Camargo: um ensaio visual (2009), ambas na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, que preserva, pesquisa e difunde seu legado.
Iole de Freitas
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1945)
É uma escultora, gravadora e artista multimídia brasileira.Iniciou sua formação em dança e design, mudando-se para Milão nos anos 1970, onde trabalhou como designer na Olivetti e começou a desenvolver sua própria arte.Nos anos 1980, retornou ao Brasil e passou a se dedicar à escultura, utilizando materiais como arame, tela, aço, cobre e pedra.Sua obra explora a relação entre corpo, espaço e movimento, refletindo sua formação em dança.Participou de importantes exposições, incluindo a IX Bienal de São Paulo (1981) e a Documenta de Kassel (2007).
Jac Leirner
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1984), instituição onde lecionou entre 1987 e 1989. Desenvolve uma produção marcada pela coleta, acumulação e reorganização de objetos cotidianos, frequentemente ligados ao universo do consumo, como cédulas, maços de cigarro, sacolas plásticas e outros materiais banais. Esses elementos são agrupados e reconfigurados em esculturas, instalações e séries que exploram relações de repetição, cor, tipologia e serialidade. Ao deslocar esses objetos de sua função original, a artista investiga os sistemas de valor, circulação e classificação que organizam a vida cotidiana, estabelecendo diálogos com a arte conceitual, a minimal art e a tradição do ready-made de Marcel Duchamp. Suas obras integram importantes coleções nacionais e internacionais, como MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, MoMA, Nova York e o Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York.
Jonathas de Andrade
(Maceió, AL, Brasil, 1982)
É um artista visual brasileiro que vive e trabalha em Recife.Sua prática abrange fotografia, vídeo e instalação, explorando temas como memória coletiva, identidade cultural e desigualdades sociais.Utiliza estratégias que mesclam ficção e realidade para reconstituir narrativas do passado e refletir sobre as dinâmicas do presente.De Andrade frequentemente colabora com comunidades locais, destacando vozes marginalizadas e questionando estruturas de poder.Entre suas exposições individuais estão “O Peixe” no New Museum, Nova York (2017), e “One to One” no Museum of Contemporary Art Chicago (2019).Participou de importantes bienais, como a de Veneza (2022) e a de São Paulo (2016).Suas obras integram acervos de instituições como o MoMA e o Guggenheim
José Antônio da Silva
(Sales de Oliveira, SP, 1909 – São Paulo, SP, 1996)
Pintor autodidata, tornou-se conhecido pela forma como representou a vida rural do interior paulista. Sua obra retrata paisagens abertas e cenas do cotidiano no campo, como lavouras, colheitas, rebanhos, festas e o convívio comunitário. Seu trabalho equilibra observação e imaginação, com um estilo caracterizado por proporções subvertidas, cores intensificadas e elementos simbólicos que aproximam a cena real de um universo de fantasia pessoal, fazendo de sua pintura um testemunho singular da cultura popular brasileira. Entre exposições recentes, destacam-se José Antônio da Silva: “nasci errado e estou certo”, Pinacoteca de São Paulo (2018) e José Antônio da Silva: pintar o Brasil, Fundação Iberê Camargo (2025). Seu legado é preservado e difundido pelo Museu de Arte Primitivista José Antonio da Silva, em São José do Rio Preto, SP, Brasil.
José Damasceno
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1968)
José Pancetti
(Campinas, SP, 1902 – Rio de Janeiro, RJ, 1958)
Artista autodidata, com posterior formação no Núcleo Bernardelli, foi retratista e pintor de paisagens, mas se consagrou sobretudo pelas marinhas, expressão mais significativa de sua produção, inspirada em sua experiência como marinheiro nas docas da Itália e nas forças militares do Brasil. Nelas, explorou a relação entre horizonte, mar e céu por meio de linhas curvas e diagonais que estruturam a composição, de escalas amplas e de um uso preciso da luz. Além das marinhas, destacou-se em retratos e autorretratos de traço geométrico e expressão contida, nos quais figuras surgem de maneira sintetizada, muitas vezes em poses laterais ou sombrias. Também produziu naturezas-mortas singulares, em que frutas, flores e objetos aparecem fundidos a retratos ou arranjos pouco convencionais Entre as exposições recentes, destaca-se Pancetti: a poética da marinha, Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte (2017).
José Patrício
(Recife, PE, Brasil, 1960)
Artista visual conhecido por obras que combinam padrões geométricos e efeitos ópticos a partir de objetos como dominós, dados e botões. Influenciado pela arte construtiva, desenvolve composições baseadas em repetição e variação. Participou de bienais como as de São Paulo (1994) e Havana (2003), e tem obras em acervos como os da Pinacoteca de SP e Fondation Cartier.
José Spaniol
(São Luiz Gonzaga, RS, Brasil, 1960)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1983), instituição onde também lecionou no final da década de 1980. Desenvolve uma produção que transita entre desenho, escultura e instalação, com forte atenção à relação entre obra, arquitetura e espaço público. Muitos de seus trabalhos operam como intervenções espaciais que exploram a verticalidade e a horizontalidade, criando situações de deslocamento e estranhamento na percepção do espectador. Utilizando materiais diversos e estruturas de grande escala, suas instalações frequentemente dialogam com o ambiente arquitetônico e urbano. Em 2003, co-fundou em São Paulo, junto a outros artistas, o espaço de ensino e pesquisa Oficina Virgílio. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAC USP, Centro Cultural São Paulo e Itaú Cultural.
Klaus Mitteldorf
(São Paulo, SP, Brasil, 1953)
É fotógrafo e cineasta brasileiro conhecido por sua estética experimental e inovadora. Iniciou sua carreira nos anos 1970 com fotografias de surfe e, posteriormente, destacou-se na fotografia de moda e publicidade, colaborando com revistas como Vogue e Elle.Sua obra transita entre o documental e o artístico, explorando temas urbanos e humanos.Publicou diversos livros e realizou exposições no Brasil e no exterior.
Laura Vinci
(São Paulo, SP, Brasil, 1962)
Laura Vinci nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1962). Formada em Artes Plásticas pela FAAP (1987) e mestre em Artes Plásticas pela Universidade de São Paulo (2000), é artista multimídia e trabalha com escultura, pintura, desenho, gravura e instalações. Trabalhou com cenografia e direção artística para inúmeras peças, incluindo produções no Teatro Oficina, onde também participou do Projeto Residência (2000–2001). Em sua prática artística, o espaço apresenta-se como um elemento complexo, mediador de relações entre o corpo e a passagem do tempo. Explorando a mutabilidade e a efemeridade da matéria, estimula o público a relacionar-se com o ambiente propondo novas percepções. Participou da 26ª Bienal de São Paulo (2004) e expôs o trabalho Folhas avulsas e galhos em exposição individual na sala de vidro do MAM São Paulo (2019). Suas obras estão presentes em acervos como do MAM São Paulo, Inhotim, Museu de Arte do Rio (MAR) e Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Lenora de Barros
(São Paulo, SP, Brasil, 1953)
Lenora de Barros nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1953). Artista plástica e poeta, formou-se em Linguística pela Universidade de São Paulo no final da década de 1970, mesmo período em que iniciou sua trajetória artística. Influenciada pela arte conceitual, pop e pelos grupos concretistas brasileiros, produz obras que libertam a palavra para fora das páginas através da fala, escrita, colagem, performance, fotografia, vídeo e instalação, ressignificando paradigmas do movimento concretista a partir de dimensões de gênero e do corpo. Também atuou como editora de fotografia no jornal Folha de S. Paulo e como diretora de arte para a revista Placar. Expôs poemas visuais na 17ª Bienal de São Paulo (1983) em uma seção dedicada ao videotexto e retornou à mostra na 24ª e 30ª edição do evento (1998 e 2013). Apresentou Retromemória na sala de vidro do MAM São Paulo (2022), escultura metálica com espelhos que refletiam uma escritura na parede, dialogando diretamente com a obra Aranha (1996) de Louise Bourgeois – exibida por cerca de 20 anos nesse mesmo local. Sua produção integra importantes acervos, como do MAM São Paulo, Centro Cultural São Paulo (CCSP) e Museu d’Art Contemporani em Barcelona, Espanha.
Leticia Ramos
(Santo Antônio da Patrulha, RS, Brasil, 1976)
Estudou Arquitetura e Urbanismo na UFRGS e formou-se em Cinema pela FAAP (2007). Desenvolve uma produção que transita entre fotografia, vídeo e instalação, marcada pela criação de aparatos ópticos e dispositivos experimentais de captação de imagem. Em vez de utilizar equipamentos convencionais, a artista frequentemente constrói suas próprias máquinas, investigando as condições materiais da fotografia e do movimento. Seu trabalho dialoga com a história da fotografia e do cinema experimental, recorrendo a técnicas como cianotipia e microfilme e combinando observação científica e imaginação criativa. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAM Rio, Pinacoteca de São Paulo, CCSP, Instituto Moreira Salles e Itaú Cultural.
Luiz Paulo Baravelli
(São Paulo, SP, Brasil, 1942)
É um artista visual brasileiro cuja obra abrange pintura, escultura, desenho e gravura.Formado pela FAAP e com passagem pela FAU-USP, foi aluno de Wesley Duke Lee e cofundador da Escola Brasil, ao lado de Carlos Fajardo, José Resende e Frederico Nasser.Sua produção transita entre o abstrato e o figurativo, com destaque para pinturas de grandes formatos e contornos irregulares.Participou da Bienal de Veneza (1984) e tem obras em acervos como o MAC-USP e o MAM-RJ.
Mabe Bethônico
(Belo Horizonte (MG), 1966 – Vive entre Genebra e Belo Horizonte)
Mabe Bethônico é artista e pesquisadora e trabalha com arquivos e instituições, lidando com os limites entre documentação e construção, evidenciando como a informação e a história podem ser construídas e retrabalhadas continuamente. A partir dessa perspectiva, se dedica em grande parte a questões da mineração em Minas Gerais. Participou da 27ª e 28ª Bienais de São Paulo e exposições no MAM e MIS SP, Museu da Pampulha, no Centre de la Photographie, Geneva, Museo de Antioquia – Medellin, Kunstverein Muenchen – Munique, Nothingham Contemporary, dentre outros. Participa do coletivo internacional de artistas e teóricos World of Matter e desenvolve pesquisa na França, junto à École Supérieure d’Art Annecy Alpes, ESAAA. Bethônico possui mestrado e doutorado em artes visuais pelo Royal College of Art, Londres, e desenvolveu pesquisa de pós-doutorado no Museu de Etnografia de Genebra, no projeto Um viajante depois do outro, um guia ou dois sobre a Caatinga, sobre os arquivos do geólogo suíço Edgar Aubert de la Rüe.
Marcelo Moscheta
(São José do Rio Preto, SP, Brasil, 1976)
É um artista visual brasileiro que vive e trabalha em Coimbra, Portugal.Sua prática artística envolve desenho, fotografia e instalação, com foco em temas como deslocamento, território, paisagem e memória.Desde 2000, realiza obras a partir de viagens a locais remotos, coletando elementos da natureza para criar trabalhos que exploram a relação entre o ser humano e o ambiente.Recebeu prêmios como o Pollock-Krasner Foundation Grant (2017) e o Prêmio PIPA Voto Popular (2010).Suas obras integram acervos de instituições como o MAM-RJ e a Pinacoteca de São Paulo.
Marco Paulo Rolla
(São Domingos do Prata, MG, 1967)
É Mestre em Artes pela UFMG e coordenador do CEIA – Centro de Experimentação e Informação de Arte. Com exposições individuais no Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda, participou de eventos importantes como a 29ª Bienal de São Paulo (2010). Seu trabalho foi premiado em salões nacionais e integra coleções como o MAM-SP, Pinacoteca de SP, Inhotim e MAC-USP. Destaca-se também como performer, com participação em festivais nacionais e internacionais. Vive e trabalha em Belo Horizonte.
Foto: Marco Paulo Rolla
Marilá Dardot
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1973)
É uma artista visual brasileira cuja obra transita entre vídeos, fotografias, gravuras, esculturas, pinturas, ações e instalações site-specific.Sua produção lida constantemente com a linguagem e a literatura, explorando a relação entre palavra, memória e espaço.Formada em Comunicação Social pela UFMG e mestre em Artes Visuais pela UFRJ, Dardot vive e trabalha entre a Cidade do México e São Paulo.Participou de diversas bienais, como as de São Paulo, Havana e Coimbra, e possui obras em acervos de instituições como Inhotim e o Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Marcia Xavier
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1967)
Formou-se em Comunicação Visual pela FAAP (1989). Desenvolve uma produção que parte da fotografia para investigar paisagem, horizonte e arquitetura, frequentemente por meio de dispositivos ópticos, caixas de luz e estruturas que alteram a percepção da imagem. Em seus trabalhos, utiliza lentes, espelhos e refração da água para produzir distorções e deslocamentos visuais, explorando os limites entre registro e construção da imagem. Iniciou sua trajetória nos anos 1990 com séries de autorretratos fotográficos e, posteriormente, ampliou sua pesquisa para investigações formais sobre luz, visão e espacialidade. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAM Rio, MAC Ribeirão Preto e Société Générale d’Art Contemporain, França.
Thiago Rocha Pitta
(Tiradentes, MG, Brasil, 1980)
É um artista visual brasileiro que explora diversas mídias, como pintura, escultura, vídeo, fotografia e instalação. Sua obra, marcada por uma forte interação com a natureza, utiliza elementos como terra, água, fogo e ar para refletir sobre o tempo, a memória e as transformações do mundo natural. Pitta convida o espectador a contemplar a impermanência da existência, através de projetos que destacam o efêmero e o transitório da vida.
Foto: Proyector
Milton Marques
(Brasília, DF, Brasil, 1971)
É um artista visual brasileiro conhecido por criar instalações e esculturas a partir de aparelhos eletrônicos obsoletos, como impressoras, scanners e câmeras.Seu trabalho combina elementos artesanais e tecnológicos, explorando temas como memória, obsolescência e a relação entre o ser humano e a máquina.Marques participou de importantes exposições, incluindo a 26ª Bienal de São Paulo (2004) e a 5ª Bienal do Mercosul (2005).Em 2006, recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça.É representado pela Galeria Leme e vive e trabalha em Brasília.
Mira Schendel
(Zurique, Suíça, 1919 – São Paulo, SP, Brasil, 1988)
Foi uma artista e pensadora brasileira, conhecida por explorar a relação entre caos e ordem, sensorialidade e racionalismo. Sua produção foi marcada pela transição de pintura para monotipias em papel japonês, que, devido à sua translucidez, ganhavam uma leitura em duas faces. Nos objetos gráficos, suspensos entre placas de acrílico, e nas Droguinhas, feitas em 1964, Schendel conferiu volume e textura ao quase invisível. Sua obra entrelaça texto e materialidade, traduzindo poesia em risco e letra.
Foto: Galatea
Mário Zanini
(São Paulo, SP, Brasil, 1907 – 1971)
Foi um pintor, decorador e ceramista brasileiro, integrante do Grupo Santa Helena.Sua obra é marcada por cores intensas e composições simples, destacando-se como um dos grandes coloristas da arte moderna brasileira ao lado de Alfredo Volpi.Participou das três primeiras Bienais de São Paulo e teve reconhecimento de críticos como Mário de Andrade.
Nazareth Pacheco
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
Nazareth Pacheco nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1961). Formou-se em Artes Plásticas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e iniciou sua trajetória nos anos 1980, trabalhando com escultura e tridimensionalidade. Sua obra reflete experiências autobiográficas e investiga a relação entre corpo, dor e padrões estéticos, por meio de materiais como borracha, aço, bisturi, miçangas e acrílico. Realizou exposições individuais como Objetos Sedutores, no SESC Santo Amaro (2012) e Gota a Gota, na Pinacoteca de São Paulo (2015). Participou de coletivas como a 20ª e 24ª Bienal de São Paulo (1989, 1998) e o Panorama da Arte Brasileira (1988, 1991, 1998, 1999).
Nelson Leirner
(São Paulo, SP, Brasil, 1932 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil 2020)
Nelson Leirner nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1932) e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (2020). Filho da escultora Felícia Leirner e do empresário e colecionador Isaí Leirner, ambos envolvidos na fundação do MAM São Paulo, cresceu em um ambiente próximo ao meio artístico. Desenvolveu uma trajetória prolífica marcada pela crítica institucional e por uma postura irônica, inquieta e sarcástica em relação ao sistema da arte. Trabalhou com pintura, desenho, gravura, instalação, happening e objetos, frequentemente apropriando-se de imagens e materiais da cultura de massa. Em muitas obras, reorganiza esses elementos em composições acumulativas e irônicas que questionam os valores do mercado, da autoria e da própria noção de obra de arte. Em 1966, co-fundou, junto a outros artistas, o Grupo Rex, que criou a Rex Gallery & Sons e o jornal Rex Time como alternativas às instituições tradicionais. Nas décadas de 1970 e 1980, aprofundou seu trabalho conceitual, estimulando a participação do público e a reflexão sobre os circuitos da arte. A partir da década de 1980, atuou também como docente na FAAP e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Participou de inúmeras edições do Panorama da Arte Brasileira (1972, 1978, 1985, 1988, 1990, 1991, 1999 e 2008). Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MASP, Acervo Sesc de Arte, MAC USP e Pinacoteca de São Paulo.
Nicolás Robbio
(Buenos Aires, Argentina, 1975)
É um artista visual argentino cuja obra transita entre desenho, escultura e instalação, explorando temas como linguagem, memória e estruturas de conhecimento.Utiliza materiais simples e cotidianos para criar composições que evocam diagramas técnicos e arquitetônicos.Vive e trabalha entre São Paulo e Buenos Aires, com formação pela Escola de Artes Visuais Martín A. Malharro.Participou de bienais como a de São Paulo (2008) e a FEMSA (2018), e expôs em instituições como o MAM São Paulo, o Museu Sívori (Buenos Aires) e o Künstlerhaus Bethanien (Berlim).Recebeu prêmios como o Marcantonio Vilaça (2015–2016) e o Paradoxos Rumos Itaú Cultural.
No Martins
(São Paulo, SP, 1987 – vive em São Paulo)
A produção de No Martins articula as linguagens da pintura, instalação e performances , através das quais Martins investiga as relações interpessoais cotidianas, principalmente a convivência da população negra no cotidiano urbano, questionando conflitos sociais como o racismo, a mortalidade por violência e o superencarceramento da população brasileira. Seus trabalhos estão em coleções de museus como MASP – Museu de Arte de São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Inhotim e Museu da Escravatura, Luanda – Angola. Entre suas exposições mais recentes destacam-se as individuais: Encontros Políticos na Galeria Mariane Ibrahim em Paris – França; Social signs na Jack Bell Gallery em Londres – UK (2020); Tudo sob controle, no 29a Programa de exposições do CCSP (Centro Cultural São Paulo), em São Paulo – Brasil (2019); Aos que se foram, aos que aqui estão e aos que virão, no Instituto Pretos Novos, Rio de Janeiro – Brasil (2019). E as mostras coletivas: The discovery of what it means to be Brazilian, na Mariane Ibrahim Gallery, Chicago – USA (2020); 21a Bienal de arte contemporânea Sesc VideoBrasil, na qual recebeu o prêmio Sesc de arte contemporânea, (2019); e Histórias Afro-atlânticas no MASP (Museu de Arte de São Paulo) e ITO (Instituto Tomie Ohtake), São Paulo – Brasil (2018).
Paulo Monteiro
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
Um artista visual brasileiro cuja obra transita entre pintura, escultura e desenho, explorando a relação entre forma, cor e espaço.Foi um dos fundadores do grupo Casa 7 nos anos 1980, que revitalizou a pintura brasileira com influências neoexpressionistas.Participou de diversas bienais, como as de São Paulo (1985, 1994, 2013) e Havana (1986), e teve uma retrospectiva na Pinacoteca de São Paulo em 2008.Suas obras integram acervos de instituições como o MoMA, MAM São Paulo e Pinacoteca.
Rafael Assef
(São Paulo, SP, Brasil, 1970)
É fotógrafo e artista visual. Atua com fotografia desde 1990 e formou-se em artes plásticas pela FAAP em 1997. Em seus trabalhos, explora o corpo como suporte, utilizando a pele como superfície de incisões e traços que provocam incômodo e ativam experiências sensoriais e afetivas. A dor, o sangue e a geometria revelam tensões entre razão e corporeidade. Com influências das performances corporais dos anos 1970, sua produção é pensada para a fotografia como obra final. Destacam-se as séries Traço (1999) e Mapas de Saída (2006), além de atuações no campo da moda e da arte contemporânea.
Ricardo Basbaum
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
É artista multimídia, professor, curador e crítico. Participou de exposições individuais e coletivas desde 1981, dentre elas destacam-se a 25ª Bienal de São Paulo (2002), Urban Tension (Museum in Progress), Viena (2002), e a mostra Entre Pindorama, na Künstlerhaus de Sttutgart (2004). Publicou diversos textos em revistas especializadas, no Brasil e no exterior, e atualmente é professor do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Rivane Neuenschwander
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1967)
É uma das artistas visuais brasileiras de maior projeção internacional. Formada pela UFMG, participou de residências em Londres (Royal College of Art) e Estocolmo (Iaspis), e foi premiada por instituições como Funarte e ArtPace. Sua obra transita entre vídeo, instalação, performance e fotografia, com interesse por narrativas coletivas, memória e linguagem. Participou de bienais em São Paulo (1998, 2006) e Veneza (2003, 2005). Integra acervos e exposições de grandes museus ao redor do mundo, contribuindo de forma decisiva para a arte contemporânea.
Roberto Bethônico
(Itabira, MG, Brasil, 1964)
Vive e trabalha em Belo Horizonte. Doutor em Artes pela UFMG, integrou o coletivo Galpão Embra nos anos 1990. Participou de exposições no Brasil e no exterior, incluindo as feiras Arco (Madri) e Pinta (Nova York). Recebeu prêmios em salões de arte, como o Artista Visitante no Tamarind Institute (EUA). Seus trabalhos exploram tensões entre natural e artificial, presença e ausência, e transitam por desenhos, objetos, instalações, intervenções e livros de artista. Integra acervos como MAM-SP, MAM-RJ, Museu de Arte da Pampulha e Coleção Madeira (Portugal).
Rochelle Costi
(Caxias do Sul, RS, Brasil, 1961 – São Paulo, SP, Brasil, 2022)
Foi fotógrafa e artista multimídia. Formada em Comunicação Social pela PUC-RS, viveu e estudou em Londres, passando por instituições como Saint Martin School of Art. Seu trabalho partiu da fotografia editorial e expandiu-se para instalações, objetos e vídeos, explorando a vida urbana, os espaços privados e a identidade. Com olhar atento ao cotidiano, construiu séries que ressignificam a experiência comum. Sua obra está presente em acervos de instituições como MASP, MAM São Paulo, Inhotim e CIFO (Miami).
Rodrigo Braga
(Manaus, AM, Brasil, 1976)
Rodrigo Braga nasceu em Manaus, AM, Brasil (1976). Mudou-se na infância para Recife, onde se formou em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pernambuco (2002). Sua prática artística consiste em registrar ações através da fotografia e do vídeo, propondo interações entre elementos orgânicos e inorgânicos, diluindo as fronteiras entre o real e o fantástico. Por vezes partindo de imersões em paisagens naturais, interliga o corpo humano a elementos como animais, pedras, terra, água e plantas, criando equivalências simbólicas entre diferentes sujeitos. Suas obras abordam, de forma indireta, questões políticas centrais para o debate socioambiental, expondo a relação conflituosa entre a humanidade e a natureza. Participou das exposições 30ª Bienal de São Paulo (2012) e 30x Bienal (2013). Possui obras em acervos no Brasil e no exterior, como MAM São Paulo, MAM Rio e Maison Européenne de La Photographie, em Paris, França.
Romy Pocztaruk
(Porto Alegre, RS, Brasil, 1983)
É mestre em Poéticas Visuais pela UFRGS. Sua prática investiga simulações espaço-temporais e o papel do artista frente a diferentes contextos, cruzando artes visuais com ciência e história. Participou de exposições como a 31ª Bienal de São Paulo, 35º Panorama da Arte Brasileira do MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, Bienal do Mercosul, e Region 0 (Nova York). Realizou residências no Bronx Museum (EUA), Instituto Sacatar (BA), Takt Kunstprojektraum (Berlim) e Sunhoo Creatives (China).
Rosana Paulino
(São Paulo, SP, Brasil, 1968)
É doutora em Artes Visuais pela ECA/USP e especialista em gravura pelo London Print Studio. Sua obra investiga as marcas da escravidão e o lugar da mulher negra na sociedade brasileira. Participou de mostras como a 59ª Bienal de Veneza, 35ª Bienal de São Paulo e Afro-Atlantic Histories (NGA, EUA). Tem obras em acervos como MASP, MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, Malba e UNM Art Museum. Foi bolsista da Fundação Ford, CAPES e Fundação Rockefeller.
Rosângela Rennó
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1962)
Rosângela Rennó nasceu em Belo Horizonte, MG, Brasil (1962). Artista multidisciplinar e fotógrafa, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formada em Arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais (1986) e em Artes Plásticas pela Escola Guignard (1987), obteve o título de doutora em Artes pela Universidade de São Paulo (1997). A partir da apropriação de imagens descartadas e coletadas nas ruas, mercados e antiquários, Rennó ressignifica a função da fotografia estabelecendo diálogos entre a memória e o esquecimento. A recontextualização de imagens em suas fotografias, objetos, vídeos, instalações e livros, permite ao público refletir sobre a função social das representações, símbolos e narrativas, colocando em disputa a realidade objetiva atribuída à fotografia. Participou de edições do Panorama da Arte Brasileira (1997 e 2005) e da Bienal de São Paulo (1994, 1998 e 2010). Suas obras integram importantes coleções nacionais e internacionais, como do MAM São Paulo, MASP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Centre Georges Pompidou, na França; Guggenheim Museum e Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, Estados Unidos; e Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madri, Espanha.
Santídio Pereira
(Isaías Coelho (PI), 1996)
Desenvolve uma produção centrada sobretudo na xilogravura, além de desenho, pintura e objetos. Sua pesquisa parte da observação e da memória da paisagem do interior do Piauí, com destaque para representações da flora da caatinga, bromélias e outras espécies vegetais, frequentemente apresentadas em grande escala. Utilizando procedimentos próprios de xilogravura, como incisões, recortes e encaixes de matrizes, constrói imagens de linhas simples e massas de cor chapada, muitas vezes sobre fundo branco, que destacam a vitalidade e a riqueza das plantas e da paisagem. Suas obras também incluem paisagens da região nordestina, organizadas por planos cromáticos e horizontes amplos. Em 2024, o MAM São Paulo realizou a exposição individual Santídio Pereira: paisagens férteis e incorporou à sua coleção uma obra doada pelo artista.
Sérgio Adriano H
(Joinville, SC, Brasil, 1975)
É artista visual, performer e pesquisador. Vive e trabalha entre Joinville e São Paulo. É formado em Artes Visuais e mestre em Filosofia. Em 2014, foi incluído no livro Construtores das Artes Visuais: Cinco Séculos de Artes em Santa Catarina, como um dos 30 artistas mais influentes do estado. Participou de mais de 80 exposições, entre individuais, coletivas e salões. Recebeu prêmios como o Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura (2014 e 2017), o 10º Salão Nacional Elke Hering (2012) e o 10º Salão Nacional de Arte de Itajaí (2005).
Sérgio Milliet
(São Paulo, SP, 1898 – São Paulo, SP, 1966)
Cursou Ciências Econômicas e Sociais na Universidade de Berna, Suíça, ocasião em que teve contato com as vanguardas europeias do início do século XX. Um dos protagonistas da primeira fase da história do MAM São Paulo, e além de escritor e crítico, foi também um pintor relevante. Participante ativo da Semana de Arte Moderna de 1922, Milliet foi um dos expoentes do modernismo brasileiro. A sua relação com o MAM se inicia no momento de gênese desse museu, do qual foi um dos mais ativos idealizadores e organizadores. Foi um dos fundadores e o primeiro presidente da ABCA (Associação Brasileira dos Críticos de Arte). Foi o segundo diretor artístico do MAM, entre 1952 e 1957, quando realizou a primeira retrospectiva de Tarsila do Amaral, além de ter exercido o papel de diretor artístico da Bienal de São Paulo entre 1953 e 1958, sendo responsável pela 2ª, 3ª e 4ª edições. Alguns anos após seu falecimento em 1966, o MAM organizou uma exposição de suas pinturas, prestando grandes homenagens à trajetória e vida de Sérgio Milliet.
Sidney Amaral
(São Paulo, SP, Brasil, 1973–2017)
Formou-se em Artes Visuais pela FAAP. Desenvolveu uma obra dedicada à reflexão sobre as relações raciais e sociais no Brasil, destacando a experiência e a subjetividade do corpo negro na história e na vida contemporânea. Trabalhou sobretudo com pintura figurativa e desenho, frequentemente representando corpos negros em composições densas e simbólicas que articulam memória histórica, crítica social e autorrepresentação. Em esculturas e instalações, também se valeu da apropriação de objetos cotidianos, muitas vezes transpostos para materiais como bronze ou mármore, questionando hierarquias simbólicas e valores do sistema da arte e da sociedade. Sua produção constitui uma das contribuições mais contundentes da arte contemporânea brasileira sobre questões raciais. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, Museu Afro Brasil e Pinacoteca de São Paulo.
Tadáskía
(Rio de Janeiro, RJ, 1993 – vive entre o Rio de Janeiro e São Paulo, SP)
Tadáskía (n. 1993, Brasil) é uma artista e escritora negra e trans radicada no Rio de Janeiro e em São Paulo. Seu trabalho em desenho, fotografia, instalação e têxtil mobiliza histórias, geografias e as relações materiais e imateriais que podem surgir entre o mundo e os seres vivos. Através de sua prática, ela busca elaborar também as experiências visíveis e invisíveis da diáspora negra, resultantes de encontros familiares e inusitados. Tadáskía já expôs no Museu de Arte do Rio, Paço Imperial e EAV Parque Lage, no Rio de Janeiro; no Framer Framed, em Amsterdã; no ISLAA em Nova York; no Triangle Astérides em Marselha; na Madragoa, em Portugal; e na Sé, Pivô, Auroras e na Casa de Cultura do Parque, em São Paulo.
Tatiana Blass
(São Paulo, SP, Brasil, 1979)
vive e trabalha em Belo Horizonte. Desenvolve pinturas, vídeos, esculturas e instalações desde 1998. Participou da 29ª Bienal de São Paulo, foi finalista do Nam June Paik Award (Alemanha) e contemplada pela Cisneros Fontanals Art Foundation (EUA). Venceu o Prêmio PIPA 2011 e realizou residência no Gasworks (Londres). Teve individuais no CCBB Rio, Capela do Morumbi, MAM Bahia, entre outros. Expôs no Wexner Center (EUA), Kunst im Tunnel (Alemanha), MAM Rio e Itaú Cultural. É representada pela Galeria Millan (SP) e Johannes Vogt Gallery (NY).
Tunga
(Palmares, PE, 1952 – Rio de Janeiro, RJ, 2016)
Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, o Tunga, nasceu em 1952, em Palmares, Pernambuco, viveu e trabalhou no Rio de Janeiro.
Foi o primeiro artista contemporâneo a exibir sua obra na pirâmide do Louvre, além de ter participado de exposições como a Bienal de Veneza, em 1982, e Documenta de Kassel, em 1992. Hoje, o trabalho do artista está nos acervos do MoMA, em Nova York; do Museum of Fine Arts de Houston; do Centre Pompidou, em Paris; do Barcelona Museum of Contemporary Art, e da Tate Modern, em Londres.
Vera Chaves Barcellos
(Porto Alegre, RS, Brasil, 1938)
nasceu em Porto Alegre em 1938, e vive e trabalha na mesma cidade, mantendo também seu estúdio em Barcelona desde 1986. Nos anos 60, dedicou-se à gravura depois de estudos na Inglaterra e Holanda. Em 1975, foi bolsista do British Council, no Croydon College em Londres, estudando fotografia e sua aplicação em técnicas gráficas. Está entre os fundadores do Nervo Óptico (1976–1978) e do Espaço N.O. (1979–1982), e também da galeria Obra Aberta (1999–2002), atuantes no sul do Brasil. Entre as exposições das quais participou estão as individuais na Galeria Goeldi (Rio de Janeiro, 1966) e a “Inéditos e Reciclados” na Galeria Bolsa de Arte (São Paulo, 2019); as coletivas na Bienal de Veneza (1976), na 14ª Bienal de São Paulo (1976), no 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea (São Paulo, 1985), e “Anos 70 – arte como questão”, no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2007).
Vicente de Mello
(São Paulo, SP, Brasil, 1967)
é fotógrafo e desenvolve uma obra que alia investigações formais da fotografia a questões de caráter intimista. Seus ensaios exploram o corpo, paisagens, objetos e espaços privados, com foco na luz, no tempo e na fragmentação. Em 2007, recebeu o Prêmio APCA pela exposição na Pinacoteca do Estado. Em 2012, foi o primeiro brasileiro na residência do Espace Photographie Contretype (Bélgica), onde apresentou Silent City. Em 2015, venceu o Prêmio CCBB Contemporâneo com a instalação Ultramarino.
Walter Carvalho
(João Pessoa, PB, Brasil, 1947)
é fotógrafo e cineasta brasileiro. Herdeiro do Cinema Novo, iniciou sua trajetória auxiliando o irmão Vladimir Carvalho, e consolidou-se como diretor e diretor de fotografia. Sua obra carrega a marca do cinema brasileiro da segunda metade do século XX e reflete transformações sociais, políticas e culturais do país. Integra a comissão da Academia Brasileira de Cinema responsável por indicar filmes brasileiros ao Oscar.
Xadalu Tupã Jekupé
(Alegrete, RS, 1985 – Porto Alegre, RS)
Xadalu Tupã Jekupe nasceu em Alegrete, RS, Brasil (1985). Vive e trabalha em Porto Alegre, RS, Brasil. Indígena de origem guarani, o artista trabalha com pintura, serigrafia, fotografia e instalação a partir do legado do Barroco Guarani Missioneiro e nos processos de catequização e apagamento cultural dos povos originários no pampa gaúcho. Abordando as tensões entre a cultura indígena e ocidental nas cidades, Jekupe cria narrativas que entrelaçam mito, espiritualidade e história. Realizou residências artísticas em inúmeros países, como Chile, França, Alemanha, Espanha e Itália. Participou do 37º Panorama da Arte Brasileira (2022). Suas obras integram a coleção de instituições como MAM São Paulo, Museu das Culturas Indígenas, Museu Nacional de Belas Artes e Fundação Iberê Camargo.
Yuri Firmeza
(São Paulo, SP, Brasil, 1982)
investiga temas como memória, temporalidade, ruína e gentrificação, tensionando os limites entre realidade, ficção e possível. Seu trabalho atravessa vídeo, instalação, performance e fotografia, com forte presença do corpo como inscrição da história. Mestre pela ECA/USP, tem obras em acervos como MAM São Paulo, MAR, Museu da Pampulha e Museu Nacional de Belas Artes. Participou da 31ª Bienal de São Paulo, 11ª Bienal do Mercosul e 14ª Biennale Jogja, entre outras.
serviço
MAM São Paulo na Pinacoteca do Ceará: figura e paisagem, palavra e imagem
Período expositivo:
de 7 de junho de 2025 a 25 de janeiro de 2026
Curadoria:
Cauê Alves e Gabriela Gotoda
realização
Museu de Arte Moderna de São Paulo e Pinacoteca do Ceará
Endereço:
Pinacoteca do Ceará — Rua 24 de Maio, 34, Centro, Fortaleza — CE
Entrada gratuita de quarta a domingo
museu de arte moderna de são paulo
estamos voltando! em 12 de setembro, reabriremos nossa sede no parque ibirapuera.
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