MAM na Cinemateca: corpo e cidade em movimento vídeos da doação Chaia
Dando continuidade à parceria entre o Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca do Ceará, a mostra de vídeos Corpo e cidade em movimento parte da doação da coleção de Vera e Miguel Chaia para o MAM em 2025. A curadoria foi realizada em diálogo com Miguel Chaia e o resultado é quase um filme. Utilizamos critérios semelhantes às de uma exposição de objetos, colocando lado a lado obras para criar novas relações e outros significados. A mostra tem a especificidade de um filme, já que está centrada na noção de “montagem”, em que uma sequência de vídeos autônomos dialogam um com o outro formando um grande conjunto inusitado.
A sessão está dividida em cinco partes: uma abertura, com o vídeo de Cinthia Marcelle, que aponta para o entrelaçamento e o encontro de diferentes grupos que se complementam, seguida por três blocos: Retratos poéticos, em que o corpo dos artistas está em evidência; Paisagens políticas, em que a cidade e questões da vida em sociedade são os protagonistas; e Experiências de linguagem, em que a própria linguagem do vídeo é explorada de modo mais explícito. A sessão se encerra com o filme de Cao Guimarães, Sin peso, em que toldos coloridos e vozes de comerciantes de rua se misturam como uma síntese do conjunto. A mostra apresenta um pequeno recorte de 14 vídeos dentre os 75 que integram a doação.
As obras da coleção Chaia recebidas pelo MAM inauguram um novo momento para o acervo do museu ao quase triplicar sua coleção de vídeos. MAM São Paulo na Pinacoteca do Ceará é um modo não apenas de dar visibilidade ao vídeo como suporte da arte, mas também uma oportunidade de reflexão sobre essa produção contemporânea em um formato de exibição diferente da sala de exposições.
Cauê Alves curador
curadoria
Cauê Alves
É mestre e doutor em Filosofia pela FFLCH-USP. Professor do Departamento de Artes da FAFICLA-PUC-SP, é curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo e coordenador do grupo de pesquisa em História da Arte, Crítica e Curadoria (CNPq). Publicou diversos textos sobre arte, entre eles no catálogo Mira Schendel (Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Pinacoteca de São Paulo e Tate Modern, 2013). Foi curador-chefe do Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE, 2016-2020), curador assistente do Pavilhão Brasileiro na 56ª Bienal de Veneza (2015) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011).
Vera Chaia e Miguel Chaia
Vera Chaia e Miguel Chaia fizeram mestrado e doutorado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo – USP. Ambos são professores da Faculdade e da Pós Graduação em Ciências Sociais da PUC-SP e autores de artigos e livros. Ele leciona também no curso de Arte: História, Crítica e Curadoria na mesma universidade e participa de vários conselhos de relevantes instituições de arte em São Paulo. São pesquisadores do Núcleo de Estudos em Arte,Mídia e Política – NEAMP.
artistas
Berna Reale
(Belém, Pará, 1965)
Berna Reale nasceu em Belém, Pará, Brasil (1965). Licenciada em artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA), a artista que também é perita criminal aborda a violência tanto material quanto simbólica em seus trabalhos. Berna Reale, em diversas de suas ações, performáticas ou audiovisuais, utiliza-se de seu próprio corpo para colocar em choque o imaginário social sobre ações perversas, de tormento, constrangimento, etc. Entre suas exposições, destacamos a individual Berna Reale: Singing in the Rain, no Utah Museum of Contemporary Art (UMoCA), Salt Lake City, EUA (2016); sua presença no 34° Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo (2015); na 56ª Bienal de Veneza, Itália (2015); e na 3ª Beijing Photo Biennial [Bienal de Fotos de Pequim], China (2018).
Cinthia Marcelle
(Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 1974)
Cinthia Marcelle nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil (1974). Formada em Belas Artes pela UFMG (1999), a artista é reconhecida principalmente pelas instalações e obras audiovisuais, que se atentam ao poder de transformação advindo da organização e da desorganização das coisas. Cinthia Marcelle questiona em suas obras a lógica, os sistemas de conceitos e convenções que orientam o mundo político, da cultura e da sociedade, que por vezes são naturalizados. Entre suas exposições, destacamos a individual Project 105: Cinthia Marcelle, no MoMA PS1, Nova York, EUA (2016); a ocupação do Pavilhão do Brasil na 57ª Bienal de Veneza, Itália, com a instalação Chão de Caça (2017); e Cinthia Marcelle: por via das dúvidas, no MASP, São Paulo (2022).
Carmela Gross
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1946)
Graduou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1969). Em 1981, obteve o título de mestre e, em 1987, o de doutora, ambos pela Escola de Comunicação e Artes da USP e sob orientação do renomado curador Walter Zanini. Considerada uma das artistas mais relevantes do cenário brasileiro contemporâneo, desenvolve uma produção que atravessa desenho, gravura, escultura e instalação. Em seus trabalhos iniciais, entre as décadas de 1960 e 1980, investigou aspectos técnicos e materiais do próprio fazer artístico, explorando processos de reprodução, linguagem e construção da imagem. A partir dos anos 1990, passa a realizar intervenções e instalações de grande escala no espaço urbano, propondo reflexões críticas sobre arquitetura, a história das cidades e suas dimensões sociais e políticas. Ao trabalhar diretamente na cidade e em diálogo com seus fluxos e estruturas, sua obra investiga a relação entre arte, espaço público e experiência coletiva. Além da atuação como artista, Gross também foi professora da Escola de Comunicações e Artes da USP por mais de quarenta anos (1972–2015), onde atuou na formação de diversas gerações de artistas e pesquisadores. Entre suas exposições institucionais recentes destacam-se Quase circo, Sesc Pompéia, São Paulo (2024); Boca do inferno, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre (2024); e Carimbos, Instituto de Arte Contemporânea, São Paulo (2023).
Cao Guimarães
(Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 1965)
Cao Guimarães nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil (1965). O artista plástico e cineasta trabalha com fotografia e transita entre a película e o vídeo para criar suas peças audiovisuais. Suas obras documentam situações e objetos comuns, que se movem ou são captados enfatizando o instante, mas que são ressignificados a partir da exploração, duração, foco e do movimento autônomo de pessoas ou coisas. Entre suas exposições, destacamos as individuais Ver é uma fábula. Mostra Cao Guimarães, Itaú Cultural, São Paulo (2013); Espera, no Instituto Moreira Salles (IMS-Paulista), São Paulo (2018); Cao Guimarães – Ciclo de filmes, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), Lisboa, Portugal (2020); e sua presença em três edições do Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo (2001, 2011 e 2015); e em duas edições da Bienal de São Paulo (2002 e 2006).
Giselle Beiguelman
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1962)
Giselle Beiguelman nasceu em São Paulo, São Paulo, Brasil (1962). Formada em história na USP (1984), a artista utiliza a relação entre literatura, imagem, som, instalação e novas tecnologias para abordar o hibridismo entre o real e o virtual. Giselle Beiguelman tem como temas de seu trabalho as transformações da memória social, o ativismo no meio urbano, e a articulação de discursos e linguagens de ciberespaços. Entre suas exposições, destacamos a individual Venenosas, Nocivas e Suspeitas, no Centro Cultural FIESP, São Paulo (2025); sua participação na 25ª Bienal de São Paulo (2002); Brazilian Visual Poetry [Poética visual brasileira], Mexic-Arte Museum, Austin, EUA (2002); e seu trabalho Meio Monumento que integrou o 37° Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo (2022).
Guilherme Peters
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1987)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP. Desenvolve trabalhos que transitam entre vídeo, performance, instalação e cinema, frequentemente estruturados a partir de ações que evidenciam o esforço físico, o som, a eletricidade ou o movimento necessários para que a obra aconteça. Seus trabalhos costumam explorar processos de repetição, desgaste e transformação, criando dispositivos e situações em que a própria tentativa de fazer algo funcionar ou se sustentar se torna parte central do trabalho. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo e do Instituto Figueiredo Ferraz, além da coleção Konex, em Buenos Aires.
Lia Chaia
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1978)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (2003). Desenvolve uma produção que transita entre performance, fotografia, vídeo, desenho e instalação, tendo o corpo como eixo central de investigação. Em muitos trabalhos, a artista utiliza o próprio corpo como instrumento para explorar tensões entre natureza e cultura, colocando-o em relação direta com a cidade, com a paisagem e com objetos do cotidiano. Suas ações e registros investigam como essa presença se adapta e reage aos estímulos do espaço urbano e às transformações do ambiente natural, evidenciando as contradições entre esses campos. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAM Rio, Museu de Arte do Rio e Instituto Inhotim.
Marcelo Cidade
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1979)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (2002). Desenvolve uma produção que transita entre os limites da instalação e da escultura, frequentemente a partir da apropriação e do deslocamento de materiais e signos do espaço urbano. Utilizando elementos como concreto, metal, vidro e tinta spray, seus trabalhos investigam as relações entre arquitetura, cidade e poder, abordando temas como violência, segregação e controle no espaço público. Ao mobilizar referências da arquitetura e do urbanismo modernos, constrói uma reflexão crítica sobre os ideais de modernização no Brasil e suas contradições sociais. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MASP, Tate Modern e Museo Tamayo.
Nicole Kouts
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1997)
Nicole Kouts nasceu em São Paulo, São Paulo, Brasil (1997). Formada em Artes Visuais pela Universidade Belas Artes (2018), a artista mescla técnicas analógicas e digitais de vídeo, fotografia, com performance, instalação, desenho e net art. Nicole Kouts intersecciona imagem, tempo e memória, tendo como base imagens relacionadas à sua experiência pessoal, familiar e geracional. Entre suas exposições, destacamos as individuais Enigmas, no Kunsthal NORD, Aalborg, Dinamarca (2023); Palavra Olho, na Phoenix Athens Gallery, Atenas, Grécia (2024); as coletivas Réseaux-mondes, Centre Pompidou, Paris, França (2022); e sua participação na 3ª Bienal de Paxos, Paxos, Grécia (2024).
Rafaela Kennedy
(Manaus, Amazonas, Brasil, 1994)
Rafaella Kennedy nasceu em Manaus, Amazonas, Brasil (1994). A artista visual trabalha com fotografia, moda e performance e utiliza essas linguagens para abordar a relação entre corpo e imagem. Rafaella Kennedy propõe em seus trabalhos novos imaginários para as populações originárias e negras que desafiam e tencionam o apagamento sofrido por esses grupos. Entre suas exposições, destacamos suas participações nas coletivas Invenção dos Reinos, Oficina Francisco Brennand, Recife, Pernambuco (2023); e 38º Panorama da Arte Brasileira: Mil graus, MAM São Paulo (2024). Suas obras também integram coleções de importantes museus, como MAM São Paulo, Museu Afro Brasil, São Paulo e Fundación Casa Wabi, Puerto Escondido, México.
Rodrigo Cass
(São Paulo, São Paulo, Brasil, 1983)
Rodrigo Cass nasceu em São Paulo (1983), vive e trabalha em São Paulo. Entre (2000-2008) foi religioso Carmelita da Ordem do Carmo. Em 2006 concluiu o Bacharelado em Artes Plásticas na Faculdade Santa Marcelina em São Paulo e estudou dois anos (2007-2008) de Filosofia e Teologia na Faculdade Jesuíta em Belo Horizonte. Em (2010-2011) foi selecionado para o programa Bolsa Pampulha e participou do Arte Pará no Museu Histórico do Estado do Pará. Participou do PIESP (2011-2012), Programa Independente da Escola São Paulo.
Sansa Rope
(São Paulo – 1993)
Sansa Rope nasceu em São Paulo, é artista, performer, e educadora. Pesquisa sobre shibari desde 2016, e seu trabalho perpassa sobre questões de gênero, sexualidade, e a posição da mulher na sociedade.
Atualmente leciona shibari e organiza eventos voltados para a prática, com o intuito de provocar o espectador para uma narrativa onde é possível explorar uma visão que ultrapassa fronteiras físicas
Sara Ramo
(Madri, Espanha,1975)
Sara Ramo nasceu em Madri, Espanha (1975). Formada em Artes Visuais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a artista ressignifica objetos do cotidiano ao colocá-los em lugares inusitados e transformá-los em instalações, esculturas ou assemblages para abordar novas formas de ver e lidar com a realidade e a relação entre o visível e o invisível. Entre suas exposições, destacamos a individual lindaviejalocabruja [lindavelhaloucabruxa], no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madrid, Espanha (2019); suas participações em dois Panoramas da Arte Brasileira, MAM São Paulo (2003 e 2011); e em duas edições da Bienal de São Paulo (2010 e 2019).
Tiago Rivaldo
(Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1976)
Tiago Rivaldo nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul (1976). O artista aborda a relação entre identidade e território, pessoa e lugar, retrato e paisagem, por meio de intervenções urbanas, performances e recursos audiovisuais.Tiago Rivaldo realiza sua produção através da identificação com o exterior, em que ele busca se desconhecer e criar personagens de si mesmo. Entre suas exposições, destacamos sua participação como integrante do coletivo Clube da Lata no 27º Panorama da Arte Brasileira com as obras Sem título e O lado de dentro de um outdoor, MAM São Paulo (2001); a coletiva 4º Abre-alas, a Gentil Carioca, Rio de Janeiro (2008); sua presença no 29° Salão Arte Pará (2010); e 9ª Bienal do MERCOSUL, Porto Alegre (2013).
imagens
Berna Reale, Americano (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Cao Guimarães, Sin Peso (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Cinthia Marcelle, Cruzada (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Guilherme Peters e Sansa Rope, Etrom uo Aicnêdnepedni (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Lucas Bambozzi, Love stories (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão.
Nicole Kouts, Monólogo (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão.
Berna Reale, Americano (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Cao Guimarães, Sin Peso (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Cinthia Marcelle, Cruzada (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Guilherme Peters e Sansa Rope, Etrom uo Aicnêdnepedni (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão
Lucas Bambozzi, Love stories (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão.
Nicole Kouts, Monólogo (frame do vídeo). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Still: Marina Paixão.
serviço
MAM na Cinemateca: corpo e cidade em movimento
vídeos da doação Chaia
Exibição audiovisual + debate com Cauê Alves:
24/01/2026 (sáb) às 17h
Sessão acessível:
25/01/2026 (dom) às 15h
Curadoria:
Cauê Alves e Miguel Chaia
Realização
MAM São Paulo e Pinacoteca do Ceará
Local:
Auditório da Pinacoteca do Ceará (Rua 24 de Maio, 34, Centro, Fortaleza — CE)
Intitulado Depois que tudo foi dito, o 39º Panorama da Arte Brasileira, sob a curadoria de Diane Lima, questiona para onde a produção artística tem transbordado na busca por ampliar os limites da representação estética por meio de um exercício radical de imaginação. O partido curatorial examina de que modo a reviravolta epistemológica das últimas décadas — impulsionada pelas demandas por reparação racial e pelas conquistas das políticas afirmativas — reconfigurou a arte brasileira, a ponto de estas não apenas inscreverem os debates raciais no campo da linguagem e da estética, como também serem expressivamente influenciadas e expandidas por eles. Tal formulação destaca a vocação deste Panorama como uma plataforma de pensamento crítico que especula sobre o futuro, ao mesmo tempo em que cria uma experiência histórica de lugar: onde estamos, onde chegamos e para onde queremos ir, além de tudo o que já foi dito, feito, visto, escrito e imaginado
Inspirado no título e questão filosófica formulada por Denise Ferreira da Silva, uma das principais teóricas feministas negras da contemporaneidade, a exposição convida a imaginar “se seria possível lançar mão de uma sensibilidade que presuma e antecipe o que está além de tudo o que foi dito e feito sobre a violência colonial e racial, e o trabalho que elas realizam para o capital global”. A partir deste diálogo com a filósofa, Diane Lima desenvolve um projeto que, ao “ler a arte como confronto”, reflete sobre como os artistas têm performado em seus procedimentos poéticos e composicionais, exercícios radicais de imaginação e experimentação, que evidenciam um movimento contínuo e coletivo de liberação. A exposição busca complexificar o regime racial estético e, portanto, a própria definição de arte brasileira: aquilo que sabemos sobre ela, seu passado, nossos modos de olhá-la, descrevê-la e, sobretudo, as práticas artísticas das próximas gerações.
Diane Lima
patrocínio
realização
curadoria
Diane Lima
Curadora e pesquisadora, Diane Lima é mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e Pre-doctoral Mellon Fellow, afiliada ao Critical Racial Anti Colonial Study Co-Lab (CRACS Co-Lab) no Department of Spanish & Portuguese Languages and Literatures na New York University. Recentemente, foi anunciada como curadora do Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia. Suas exposições anteriores incluem coreografias do impossível – 35ª Bienal de São Paulo (2023), Paulo Nazareth: Luzia no Museo Tamayo, na Cidade do México (2024), O rio é uma serpente – 3ª Frestas Trienal de Artes do SESC São Paulo (2020/2021), e o programa de dois anos Diálogos Ausentes no Itaú Cultural (São Paulo, 2016-2017), que desempenhou um papel histórico na virada anticolonial da arte contemporânea brasileira.
Em 2025, Lima foi nomeada para o Conselho Consultivo Científico da documenta e Museum Fridericianum gGmbH, na Alemanha, onde atua como vice-presidente. Entre 2024 e 2025, foi Diretora de Programação da ESAP Fellowship 2025 – uma iniciativa liderada pela A&L Berg Foundation para promover o desenvolvimento profissional de curadores latinex nos Estados Unidos.
Em 2024, Lima foi professora convidada no Instituto de Pesquisa Estética da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Diane Lima editou a aclamada antologia Negros na Piscina: Arte Contemporânea, Curadoria e Educação (Fósforo, 2024), que documenta os últimos dez anos de debates sobre racialidade e arte no Brasil. Também coeditou o volume Textes à lire à voix haute (Textos para ler em voz alta), que reuniu vozes dissidentes anticoloniais em contextos lusófonos e francófonos (Brook, 2022). Ela também é uma das vencedoras da Ford Foundation Global Fellowship 2021, programa que celebra a nova geração de líderes globais em justiça social.
serviço
Exposição:
39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito
Limiar: passagem ou instante de transição entre dois ou mais estados.
Tarik Kiswanson nasceu na cidade de Halmstad, na Suécia, em um bairro habitado por muitas famílias imigrantes de primeira e segunda geração – um limiar espacial entre a Europa e outras partes do mundo. Sua mãe e seu pai, palestinos, haviam escapado da guerra em Jerusalém e passado por Trípoli e Amã antes de chegar ao escritório de imigração sueco, que adaptou seu sobrenome original, Al Kiswani, para Kiswanson – um limiar temporal do exílio.
Sem se decidir por estar definitivamente de um ou de outro lado de seus limiares – e sem se reconhecer inteiramente em uma só língua ou um só país –, Tarik Kiswanson cresceu na Suécia, estudou em Londres e vive em Paris desde 2010. Na capital francesa, trabalha como artista e escritor, em busca de linguagens que lhe permitam refletir sobre vidas em errância, histórias desenraizadas, traduções impossíveis e modos de abrigar subjetividades em horizontes de espera e suspensão.
Autor de poemas e vídeos, Tarik realiza esculturas como linguagens em que formas, objetos e espaços se articulam para tornar noções temporais e corpóreas algo sensível. Elementos recorrentes nessa prática são seus Nests [Ninhos]: obras de superfícies lisas e alvas, cuidadosamente trabalhadas, lixadas e pintadas, que estabelecem relações de apoio, suspensão e contraponto com a arquitetura e com objetos impregnados de memórias.
Na instalação que dá nome a esta que é sua primeira mostra individual em São Paulo, o artista propõe uma intervenção arquitetônica que subverte a percepção usual do espaço. A fluida circularidade da sala é contraposta a um volume suspenso, que só revela seu interior estreito e alto após a caminhada pelo espaço. Nessa passagem-limiar penetrável pelo olhar, convivem três elementos. Um deles é uma cadeira produzida em meados do século passado pela fábrica Móveis Cimo, exemplo de uma linha de mobiliários essencial para a modernização do design brasileiro por ter sido adotada como produto básico para diversos órgãos estatais; esse modelo, especificamente, corresponde ao que se encontrava nas salas de espera de escritórios de imigração brasileiros, acomodando os corpos de quem vivia um momento de transição entre tempos e espaços.
Outro elemento é um cadeiral de igreja católica produzido por volta da metade do século 19. Se a própria religião foi um veículo estrutural do ciclo colonial de exploração do Brasil, incluindo-se o trânsito da arquitetura e do mobiliário sacro – seja pelo traslado marítimo, seja pela reprodução de modelos europeus na colônia –, esse banco é parte dessa história. Produzido na Bélgica ou na Holanda, ele foi trazido ao Brasil na época de sua produção, depois retornou à Europa e agora volta a São Paulo. Preparado para acomodar o corpo em repouso durante a liturgia dedicada ao louvor de uma divindade invisível, esse objeto agora flutua fora de alcance.
O terceiro objeto levitando no espaço é Cradle [Berço], a mais recente das esculturas de Kiswanson em forma de casulo, presença cuja escala e forma aponta para o que está ausente. Os corpos e subjetividades passaram por limiares institucionais – como a igreja e o escritório de imigração – estruturalmente preparados para dar nome e destino a vidas em transição, indiferentes ao estado sempre inacabado de tais limiares. Como é da natureza de sua poética, Tarik Kiswanson não explica nem representa o estado vigente de um mundo marcado por imigrações, exílios, diásporas, colonizações, guerra e genocídio; em vez disso, ele desenvolve uma linguagem escultórica que não existiria fora deste mundo, e tampouco sem sua própria experiência de desterro.
Um dos artistas convidados para a mostra A terra, o fogo, a água e os ventos – Por um Museu da Errância com Édouard Glissant, Tarik é leitor do poeta martinicano, com quem converge na defesa do direito à opacidade da identidade e da linguagem. Sua obra oferece uma oportunidade de ressonância sensível daquilo que em cada um de nós escapa de identidades estanques, relatos de origem coesos e pertencimentos enraizados – tudo aquilo que vibra na presença da diferença e do intraduzível, em um perene processo de transformação para algo ainda não conhecido.
Cauê Alves Curador
Acessibilidade
Disponibilização de catálogos em versão digital que pode ser processada por sistemas de leitura e ampliação de tela (clique aqui para acessar as publicações);
Recursos de audioguia com audiodescrição e videoguia em Libras com legendas em português nas exposições;
Ferramenta de Libras digital;
Utilização de legendas descritivas e texto alternativo nas postagens nas redes sociais, com a hashtag #DescriçãoDoVideo e hashtag #PraTodoMundoVer;
Disponibilização de materiais táteis e multissensoriais das obras do acervo
Além das medidas acima, é possível agendar com o Educativo visitas mediadas gratuitas com educadores para público surdo, com deficiência visual, com deficiência física, intelectual e usuários de equipamentos de saúde mental e emsituação de vulnerabilidade social e horários alternativos planejados para atendimento de público dentro do Transtorno do Espectro Autista de acordo com as características distintas de cada sujeito pensadas em relação a: socialização, sensorialidade, comunicabilidade e autonomia. solicitar pelo e-mail educativo@mam.org.br.
Intérprete de libras e audiodescrição ao vivo nas atividades quando solicitado com até 48h de antecedência solicitar pelo e-mail educativo@mam.org.br.
Em certas atividades, poderão ser oferecidas medidas adicionais de acessibilidade, que estarão indicadas nos materiais de divulgação.
Vista traseira da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista traseira da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista frontal da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Ana Pigosso
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
Vista lateral da estrutura expositiva da obra “Limiar” (2025), de Tarik Kiswanson. Exposição realizada no Instituto Tomie Ohtake. Foto: Everton Ballardin
curadoria
Cauê Alves
É mestre e doutor em Filosofia pela FFLCH-USP. Professor do Departamento de Artes da FAFICLA-PUC-SP, é curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo e coordenador do grupo de pesquisa em História da Arte, Crítica e Curadoria (CNPq). Publicou diversos textos sobre arte, entre eles no catálogo Mira Schendel (Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Pinacoteca de São Paulo e Tate Modern, 2013). Foi curador-chefe do Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE, 2016-2020), curador assistente do Pavilhão Brasileiro na 56ª Bienal de Veneza (2015) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011).
Paulo Miyada
Curador e pesquisador de arte contemporânea, dedica-se a projetos que contribuam tanto com visadas mais amplas e precisas da história da arte quanto com a reflexão crítica e desejante do tempo presente. Comprometido com o diálogo com artistas, preza igualmente pelo amadurecimento das instituições como instâncias de relevância pública e social, assim como pelo acolhimento dos públicos como sujeitos sensíveis e pensantes com interesses que transbordam o juízo de valor. Com graduação e mestrado pela FAU-USP, atua hoje como diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake e curador adjunto do Centre Pompidou. Foi curador adjunto da 34ª Bienal de São Paulo (2020-21) e assistente de curadoria da 29ª Bienal de São Paulo (2010), além de ter organizado o livro “Bienal de São Paulo desde 1951” (2022). Entre suas curadorias, destacam-se “AI-5 50 anos – Ainda não terminou de acabar” (2018); “Anna Maria Maiolino – PSSSIIIUUU…” (2022); “Ensaios para o Museu das Origens” (2023); “Mira Schendel – Esperar que a palavra se forme” (2024) e “Sonia Gomes – Barroco, mesmo” (2025). Suas publicações foram indicadas diversas vezes para o prêmio Jabuti, incluindo a premiação na categoria Livro de Arte em 2020. Atualmente organiza a mostra “A TERRA O FOGO A ÁGUA E OS VENTOS – Por um Museu da Errância com Édouard Glissant”.
artista
Tarik Kiswanson
(Halmstad, Suécia, 1986 – vive e trabalha em Paris, França)
Por mais de uma década, Tarik Kiswanson tem explorado noções de desenraizamento, metamorfose e memória por meio de sua prática artística interdisciplinar. Um legado de deslocamento e transformação permeia suas obras e é indispensável tanto para sua forma quanto para os modos de percepção que produzem. Embora preserve uma dimensão íntima e pessoal, seu trabalho dialoga com questões universais e com histórias sociais e coletivas de ruptura, perda e regeneração. O conjunto de sua obra pode ser compreendido como uma cosmologia de famílias conceituais interligadas, cada uma explorando variações de temas como refração, multiplicação, desintegração, levitação e polifonia por meio de uma linguagem própria.
Tarik Kiswanson descende de uma família palestina exilada de Jerusalém, primeiro para Trípoli e depois para Amã, antes de finalmente se estabelecer em Halmstad, Suécia, onde ele nasceu em 1986. Kiswanson passou dez anos em Londres, onde estudou arte, antes de se mudar para Paris, cidade onde vive e trabalha desde 2010. É mestre pela École Nationale Supérieure des Beaux-Arts de Paris (2014) e bacharel pela Central Saint Martins – University of the Arts London (2010).
Tarik Kiswanson recebeu o Prêmio Marcel Duchamp em 2023, no Centre Pompidou. Sua obra tem sido tema de diversas exposições individuais em instituições, mais recentemente no Museu de Arte Moderna de São Paulo (2025), Fundação Iberê Camargo (2025), Kunsthalle Portikus (2024), Oakville Galleries (2024), Bonniers Konsthall (2023), Salzburger Kunstverein (2023), Museo Tamayo (2023), M HKA – Museum of Contemporary Art Antwerp (2022) e Carré d’Art – Musée d’art contemporain (2021). Ele participou também de exposições coletivas e bienais em instituições como Centre Pompidou, Kunsthalle Münster, Bienal de Arte Contemporânea de Gotemburgo, Bienal de Lyon, Performa Biennial e Mudam.
serviço
Exposição:
Tarik Kiswanson: Limiar
Local:
Instituto Tomie Ohtake
Curadoria:
Cauê Alves e Paulo Miyada
Período expositivo:
de 3 de setembro de 2025 a 25 de janeiro de 2026
Endereço:
Rua Dos Coropés, 88 – Pinheiros – São Paulo – SP
Entrada gratuita
MAM São Paulo na Pinacoteca do Ceará: figura e paisagem, palavra e imagem
O Museu de Arte Moderna de São Paulo foi fundado em 1948 e sua coleção, com ênfase na arte brasileira, conta com mais de 5 mil obras produzidas pelos mais representativos artistas modernos e contemporâneos. Assim como o seu acervo, a programação do MAM privilegia o experimentalismo, abrindo-se para a pluralidade da produção artística atual e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas. Tradicionalmente, o museu mantém uma ampla grade de atividades que inclui cursos, debates, laboratório de pesquisa, sessões de vídeo e práticas artísticas e educativas.
Em 1986, o MAM criou o Clube de Colecionadores que tem entre os seus objetivos o enriquecimento do seu acervo e o desenvolvimento do colecionismo privado. Através do Clube, artistas em diferentes estágios de carreira são convidados a propor trabalhos em formato múltiplo, para a realização de uma tiragem limitada de edições, das quais ao menos uma é incorporada ao acervo do MAM. Em 2024, o museu iniciou uma revisão na sua coleção e doou para a Pinacoteca do Ceará um conjunto de 87 obras que participaram de diferentes edições do Clube de Colecionadores do MAM e que estavam duplicadas na coleção.
MAM na Pinacoteca do Ceará: figura e paisagem, palavra e imagem é uma mostra que parte desta doação e conta com 47 obras que pertencem à coleção do MAM e são vinculadas à arte moderna e contemporânea. Ao aproximar a coleção do MAM das obras recém adquiridas pela Pinacoteca, a exposição reúne 94 trabalhos de diferentes linguagens e procedimentos técnicos, como fotografia, xilogravura, serigrafia, pintura, desenho, escultura, bordado, vídeo, entre as mais variadas combinações e derivações. Esse contingente de materialidades e fazeres artísticos variados reflete a multidisciplinaridade que caracteriza a arte brasileira e, assim, busca oferecer ao visitante a pluralidade como via para refletir e se relacionar com a arte e questões inerentes a ela.
A relação entre figura e paisagem é abordada no primeiro núcleo da exposição, onde foram reunidos trabalhos que elaboram diferentes pontos de vista sobre uma questão cara à história da arte e às transformações promovidas desde as vanguardas modernistas. Em algumas das obras, a presença de figuras em frente ou em meio a paisagens, ou diante de espaços vazios, nos desafia a refletir sobre como os corpos e os retratos se vinculam com o espaço e o mundo ao seu redor, e o quanto as fronteiras entre os sujeitos e a paisagem natural e artificial podem ser indeterminadas. Em outros trabalhos, a aparição de paisagens desprovidas de figuras, assim como representações ambíguas do corpo e dos espaços que ele ocupa, ou pode ocupar, desestabilizam sentidos cristalizados ao introduzir a abstração no processo de percepção e significação do mundo e dos modos como nos relacionamos.
Os vínculos entre palavra e imagem são análogos às relações entre figura e paisagem e entram em foco no núcleo final da exposição, onde trabalhos que contêm letras, palavras e textos colocam em perspectiva a apreensão da linguagem escrita no contexto de uma construção imagética. Toda palavra produz sentido através de uma imagem mental, assim como algumas imagens podem ser compreendidas a partir de sua ligação com a escrita e como linguagem visual. Nas obras reunidas na exposição, essas relações são reconfiguradas à medida em que palavras e letras ao lado de outros elementos compositivos contaminam-se mutuamente, apontando para a impossibilidade de separação total entre a leitura da imagem e a leitura da palavra.
A presente exposição é fruto de uma parceria entre o MAM São Paulo e a Pinacoteca do Ceará e almeja, além de aumentar a visibilidade da coleção de ambos os museus, contribuir para a programação da Pinacoteca do Ceará, assim como fomentar a reflexão sobre arte moderna e contemporânea.
Cauê Alves e Gabriela Gotoda curadores
créditos: Xadalu Tupã Jekupé, Tatá Piriri (2022). Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Doação Paulo Sartori
mídias assistivas
01. Carmela Gross – Arte a mão armada
02. Lenora de Barros – Em forma de família
03. Barbara Wagner – Sem título, da série Brasília Teimosa
Aldo Bonadei, Paisagem de Itanhaém, 1943. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini.
Barbara Wagner, Sem título, da série Brasília Teimosa, 2006–2010. Coleção Pinacoteca do Ceará.
Clóvis Graciano, Paisagem, 1944. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini.
Jose Antonio da Silva, Procissão, 1948. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini.
Mira Schendel, Sem título, 1975. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini.
Caetano de Almeida, As madames, 1999. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini.
Patrício José, Sem título. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Romulo Fialdini
curadoria
Cauê Alves
É mestre e doutor em Filosofia pela FFLCH-USP. Professor do Departamento de Artes da FAFICLA-PUC-SP, é curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo e coordenador do grupo de pesquisa em História da Arte, Crítica e Curadoria (CNPq). Publicou diversos textos sobre arte, entre eles no catálogo Mira Schendel (Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Pinacoteca de São Paulo e Tate Modern, 2013). Foi curador-chefe do Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE, 2016-2020), curador assistente do Pavilhão Brasileiro na 56ª Bienal de Veneza (2015) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011).
Gabriela Gotoda
(São Paulo, 1998)
Gabriela Gotoda é pesquisadora e curadora de artes visuais. Bacharel em Arte: História, Crítica e Curadoria pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, publicou textos biográficos sobre Edgar Degas (MASP, 2021), John Graz (Pinacoteca de São Paulo, 2021) e Ozias (Danielian, 2024) e atua com curadoria e processos editoriais em instituições de arte e galerias em São Paulo desde 2019. Integra a equipe curatorial do Museu de Arte Moderna de São Paulo desde 2022, onde é responsável pelo acompanhamento curatorial das publicações do museu e da curadoria das exposições “Lina Bo Bardi e o MAM no Parque” (2023), “Clube de colecionadores MAM São Paulo: Técnicas de diversão na arte contemporânea” (2024), e “MAM São Paulo: Encontros entre o moderno e o contemporâneo” (2025)
artistas
Aldo Bonadei
(São Paulo, SP, Brasil, 1906 – São Paulo, SP, Brasil, 1974)
Aldo Bonadei foi um pintor, gravador, figurinista e professor brasileiro. Formado por Pedro Alexandrino e pela Accademia di Belle Arti di Firenze, integrou o Grupo Santa Helena e a FAP. Ensinou na Escola Livre de Artes Plásticas e cofundou a Oficina de Arte – O. D. A. Criou figurinos para teatro e cinema, destacando-se pela versatilidade e influência na cena cultural paulistana.
Alair Gomes
(Valença, RJ, Brasil, 1921 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1992)
Foi um fotógrafo, filósofo, professor e crítico de arte brasileiro, nascido em Valença, Rio de Janeiro.Formado em engenharia civil em 1944, abandonou a carreira técnica para se dedicar à filosofia da ciência, estética e história da arte.Em 1965, durante uma viagem à Europa, iniciou sua trajetória fotográfica ao utilizar uma câmera Leica emprestada.A partir de então, passou a fotografar compulsivamente, produzindo cerca de 170 mil negativos ao longo de sua vida.
Seu trabalho fotográfico é marcado por imagens de corpos masculinos, muitas vezes capturadas da janela de seu apartamento em Ipanema, no Rio de Janeiro.Essas fotos, frequentemente organizadas em sequências inspiradas em estruturas musicais como sonatinas e sinfonias, exploram temas como voyeurismo, beleza e sensualidade.Além disso, Gomes registrou cenas do carnaval carioca e paisagens urbanas, sempre com um olhar artístico e contemplativo.
Alfredo Volpi
(Lucca, Itália, 1896 – São Paulo, SP, Brasil, 1988)
Alfredo Volpi foi um dos artistas modernos brasileiros mais consagrados, desenvolvendo uma trajetória independente que flertava com o concretismo sem se filiar a escolas. Iniciou com paisagens e figuras, evoluindo para composições geometrizadas, com destaque para suas icônicas “fachadas”. Integrante do Grupo Santa Helena nos anos 1930, uniu cultura popular e arte erudita, criando um vocabulário formal próprio e cores vibrantes preparadas artesanalmente, em resistência à impessoalidade.
Anita Malfatti
(São Paulo, SP, Brasil, 1889 – 1964)
Anita Catarina Malfatti (São Paulo, 2 de dezembro de 1889 – São Paulo, 6 de novembro de 1964) foi uma pintora, desenhista, gravadora, ilustradora e professora ítalo-brasileira, considerada pioneira da Arte Moderna no Brasil. Nascida com uma deficiência congênita no braço direito, desenvolveu habilidades artísticas utilizando a mão esquerda. Iniciou seus estudos artísticos com a mãe, Betty Krug, e posteriormente estudou na Alemanha e nos Estados Unidos, onde teve contato com movimentos como o expressionismo e o cubismo. Sua exposição individual de 1917 em São Paulo causou grande controvérsia, sendo criticada por Monteiro Lobato, mas também despertou o interesse de jovens intelectuais modernistas. Anita participou da Semana de Arte Moderna de 1922, evento que marcou o início do modernismo no Brasil. Ao longo de sua carreira, suas obras refletiram influências das vanguardas europeias e da cultura brasileira. Faleceu em 1964, deixando um legado significativo para a arte brasileira.
Bárbara Wagner
(Brasília, DF, Brasil, 1980)
É artista visual e cineasta, cujo trabalho investiga expressões culturais populares brasileiras como o frevo, o brega-funk e o gospel, explorando temas como identidade, corpo e visibilidade. Desde 2011, colabora com Benjamin de Burca em vídeos que mesclam documentário e ficção. Em 2019, representaram o Brasil na Bienal de Veneza com a obra Swinguerra
Boris Kossoy
(São Paulo, SP, Brasil, 1941)
Brígida Baltar
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1959 – 2022)
foi uma artista brasileira cuja obra transitou entre a performance, o vídeo, a fotografia, a instalação e a escultura. Sua prática estava profundamente ligada ao cotidiano e à relação poética com o espaço, especialmente com sua própria casa no bairro do Botafogo, que serviu como ponto de partida para muitos de seus trabalhos. Elementos efêmeros como névoa, tijolo, água e vento compunham sua linguagem, voltada à captura do invisível e do sensível.
Caetano de Almeida
(Campinas, SP, Brasil, 1964)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1988), onde foi aluno de Evandro Carlos Jardim e Nelson Leirner, e frequentou, ainda na década de 1980, os ateliês de gravura da Pinacoteca de São Paulo. Pintor e gravador, desenvolve uma produção marcada por intensa pesquisa cromática e pelo diálogo recorrente com a história da arte. Ao longo de sua carreira, apropria-se de imagens provenientes de livros, enciclopédias e outras fontes visuais, investigando processos de reprodução, circulação e transformação das imagens na cultura contemporânea. Suas pinturas frequentemente retomam referências da tradição pictórica europeia e da arte moderna brasileira, reelaboradas por meio de padrões decorativos, estruturas geométricas e campos cromáticos densos. Entre suas exposições individuais institucionais, destacam-se mostras na Pinacoteca de São Paulo (2007), no MAM Rio (2007), no Instituto Tomie Ohtake (2003) e no MAM São Paulo (2003). Teve sua trajetória reunida no livro O delicioso jardim do vizinho, organizado pelo crítico e curador Paulo Herkenhoff e publicado pela editora Cobogó (2016).
Carlos Vergara
(Santa Maria, RS, Brasil, 1941)
Carlos Vergara, natural de Santa Maria, Rio Grande do Sul, é um artista cuja obra se consolidou na década de 1960, durante a resistência à ditadura militar. Participante da histórica mostra Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Vergara foi um dos protagonistas da Nova Figuração Brasileira, movimento que uniu arte e crítica política. Nos anos 70, ampliou seu vocabulário com fotografias e instalações, e, desde os anos 1980, suas pinturas e monotipias seguem um caminho de experimentação, mantendo a inovação dentro da tradição da pintura.
Foto: Walter Carvalho/Divulgação
Clóvis Graciano
(Araras, SP, Brasil, 1907 – São Paulo, SP, Brasil, 1988)
foi um pintor, desenhista, gravador, cenógrafo e ilustrador brasileiro, reconhecido por sua fidelidade ao figurativismo e pelo compromisso com temas sociais.
Mudou-se para São Paulo em 1934, onde estudou com Waldemar da Costa e, em 1937, integrou o Grupo Santa Helena, ao lado de artistas como Alfredo Volpi e Francisco Rebolo.Sua obra destaca trabalhadores, migrantes e músicos, com traços influenciados por Candido Portinari e elementos do pós-cubismo.
Davi de Jesus do Nascimento
(Pirapora, MG, 1997 – vive em Pirapora)
Quando nasci alevim, em 1997, no fulgor norte-mineiro, banharam-me com o mesmo nome de meu pai, Davi de Jesus do Nascimento. sou barranqueiro curimatá, arrimo de muvuca e escritor fiado. gerado às margens do Rio São Francisco – curso d’água de minha vida – trabalho coletando afetos da ancestralidade ribeirinha e percebendo “quase-rios’’, no árido. fui criado dentro do emboloso da cumbuca de carranqueiros, pescadores e lavadeiras. o peso de carregar o rio nas costas bebe da nascente dos primeiros sóis que chorei na vida. sustentar na cacunda a carranca tem feito eu sentir a força do vento de minha taboca envergada no seguimento da rabiola solta que desceu em espiral gongo caracol envoltório para o calcanhar direito como cobra, isca, peixe e pedra.
Denis Moreira
(São Paulo, SP, Brasil, 1986)
é artista visual, pesquisador e educador.Formado em Artes Visuais pela FMU em 2011, desenvolve uma prática que entrelaça pintura, fotografia e técnicas digitais para explorar temas como ancestralidade, identidade afro-brasileira e memória coletiva.Suas obras dialogam com elementos da cultura africana e afro-brasileira, propondo reflexões sobre o passado e o presente.
Efrain Almeida
(Boa Viagem, CE, Brasil, 1964 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2024)
foi um artista visual brasileiro cuja obra transita entre escultura, pintura, bordado e aquarela.Sua prática é marcada por uma profunda conexão com a cultura popular nordestina, a religiosidade católica e a natureza, especialmente as aves, que aparecem recorrentemente em suas criações.Utilizando materiais como madeira e bronze, Almeida explorava temas como sexualidade, identidade e memória pessoal, frequentemente incorporando elementos autobiográficos e autorretratos em suas obras.
Elida Tessler
(Porto Alegre, RS, Brasil, 1961)
é artista visual e professora da UFRGS. Sua obra investiga as relações entre palavra, imagem e memória, explorando interseções entre literatura e artes visuais. Doutora pela Université Paris I – Sorbonne, fundou o espaço Torreão (1993–2009), referência na arte contemporânea brasileira. Realizou exposições individuais e projetos que destacam a materialidade da linguagem.
Emidio de Souza
(Itanhaém, SP, Brasil, 1868 – Santos, SP, Brasil, 1949)
foi um artista multifacetado brasileiro, reconhecido como o primeiro pintor primitivista do país. Além da pintura, destacou-se como poeta, músico, teatrólogo e folclorista.
Autodidata, iniciou sua carreira artística aos 18 anos, pintando cenas de sua cidade natal. Entre 1888 e 1890, estudou pintura com Benedito Calixto em Santos, auxiliando-o na decoração de eventos comemorativos da Lei Áurea e na elaboração do livro “A Villa de Itanhaém”
Emiliano Di Cavalcanti
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1897 – 1976)
Di Cavalcanti nasceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil (1897) e faleceu em São Paulo, SP, Brasil (1976). Formou-se pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), além de estudar desenho e pintura no Rio de Janeiro e em Paris, onde entrou em contato com as vanguardas europeias, sobretudo o cubismo e o expressionismo, que influenciaram sua linguagem plástica. Pintor, ilustrador e muralista, foi figura central da Semana de Arte Moderna de 1922 e construiu uma obra marcada pela síntese entre cor intensa, volumes robustos, desenho sinuoso e um jogo de luz que enfatiza a atmosfera de suas cenas. Representou alegoricamente elementos da cultura brasileira, como festas populares, carnaval, música e religiosidade, além de cenas urbanas que retratam questões sociais e raciais, como os subúrbios cariocas, trabalhadores e trabalhadoras informais, e a vida coletiva nas cidades, articulando a estética modernista com uma visão crítica. Também realizou murais para espaços públicos e privados, aproximando sua obra da arquitetura moderna. Sua trajetória foi revisitada nas exposições No subúrbio da modernidade – Di Cavalcanti 120 anos, Pinacoteca de São Paulo (2017) e Di Cavalcanti, muralista, Instituto Tomie Ohtake (2021).
Ernesto Neto
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1964)
é um artista contemporâneo brasileiro conhecido por instalações imersivas que exploram o corpo, os sentidos e a espiritualidade. Utiliza materiais como lycra, especiarias e miçangas para criar ambientes orgânicos e sensoriais. Desde os anos 1990, destaca-se internacionalmente e colabora com comunidades indígenas em obras que unem arte e ancestralidade.
Espaço Coringa
(São Paulo, SP, Brasil, 1998)
foi um coletivo artístico ativo entre 1998 e 2009, fundado por artistas como Fabrício Lopez.Com sede em São Paulo, o grupo promoveu exposições, publicações, vídeos, aulas, intercâmbios e residências artísticas, destacando-se por sua abordagem colaborativa e experimental nas artes visuais.O ateliê desempenhou um papel significativo na cena artística brasileira, incentivando práticas inovadoras e a formação de redes entre artistas
Fabricio Lopez
(Santos, SP, Brasil, 1977)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP e é mestre em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da USP, sob orientação de Cláudio Mubarac. É co-fundador da Associação Cultural Jatobá (AJA) e do Ateliê Espaço Coringa, coletivo que entre 1998 e 2009 realizou exposições, publicações, vídeos e residências artísticas. Sua produção concentra-se na gravura, especialmente em xilogravuras e relevos pintados de grande escala. Trabalhando a partir de matrizes de madeira e grandes chapas de compensado, desenvolve composições estruturadas por campos de cor, camadas de impressão e relações entre figura e fundo, explorando as dimensões física e cromática da estampa. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, da Pinacoteca de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura de Santos e do Ministério das Relações Exteriores. Recebeu o Prêmio de Residência Artística Arthur Luiz Piza (2015).
Farnese de Andrade
(Araguari, MG, Brasil, 1926 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1996)
Farnese de Andrade foi um pintor, escultor, desenhista, gravador e ilustrador brasileiro. Estudou com Guignard em Belo Horizonte (1945-1948) e, após se mudar para o Rio de Janeiro para tratar uma tuberculose, trabalhou como ilustrador em diversos jornais e revistas. Em 1959, aperfeiçoou-se em gravura no Museu de Arte Moderna do Rio. Nos anos 1960, passou a criar obras com materiais descartados e objetos encontrados, refletindo um contexto político e moral da época.
Fernando Lindote
(Santana do Livramento, RS, Brasil, 1960)
é um artista visual brasileiro que trabalha com pintura, instalação, performance e vídeo. Sua obra tem uma abordagem experimental e crítica, explorando temas de identidade cultural e história brasileira. Começou como cartunista no sul do país e participou de exposições importantes, como a 29ª Bienal de São Paulo.
Rebolo
(São Paulo, SP, Brasil, 1902 – 1980)
Francisco Rebolo foi pintor e gravador, ligado ao Grupo Santa Helena e à formação do modernismo paulista. Nos anos 1950, explorou a xilogravura, e, a partir da década de 1970, dedicou-se à água-forte e à litografia, incentivado por Marcello Grassmann. Suas gravuras, longe de serem apenas estudos para a pintura, possuem força própria, combinando rigor técnico e sensibilidade cromática. Sua produção reflete a mesma busca por equilíbrio e síntese que marcou sua trajetória na pintura.
Iberê Camargo
(Restinga Seca, RS, Brasil, 1914 – Porto Alegre, RS, Brasil, 1994)
Pintor, desenhista e gravador, formou-se no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre e iniciou sua trajetória no sul do Brasil, antes de prosseguir estudos no Rio de Janeiro e na Europa. Sua pintura figurativa, marcada por paisagens e retratos de atmosfera densa, utiliza pinceladas marcadas e cores contrastantes para expressar estados emocionais profundos. A partir do final dos anos 1950, sua obra caminhou para uma linguagem mais gestual e matérica, em que a espessura da tinta, a energia do traço e a tensão entre figura e fundo o aproximaram da abstração, como nas célebres séries dos Carretéis. Suas duas últimas mostras de destaque foram Paisagens de Dentro: as últimas pinturas de Iberê Camargo, (2010) e Iberê Camargo: um ensaio visual (2009), ambas na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, que preserva, pesquisa e difunde seu legado.
Iole de Freitas
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1945)
É uma escultora, gravadora e artista multimídia brasileira.Iniciou sua formação em dança e design, mudando-se para Milão nos anos 1970, onde trabalhou como designer na Olivetti e começou a desenvolver sua própria arte.Nos anos 1980, retornou ao Brasil e passou a se dedicar à escultura, utilizando materiais como arame, tela, aço, cobre e pedra.Sua obra explora a relação entre corpo, espaço e movimento, refletindo sua formação em dança.Participou de importantes exposições, incluindo a IX Bienal de São Paulo (1981) e a Documenta de Kassel (2007).
Jac Leirner
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1984), instituição onde lecionou entre 1987 e 1989. Desenvolve uma produção marcada pela coleta, acumulação e reorganização de objetos cotidianos, frequentemente ligados ao universo do consumo, como cédulas, maços de cigarro, sacolas plásticas e outros materiais banais. Esses elementos são agrupados e reconfigurados em esculturas, instalações e séries que exploram relações de repetição, cor, tipologia e serialidade. Ao deslocar esses objetos de sua função original, a artista investiga os sistemas de valor, circulação e classificação que organizam a vida cotidiana, estabelecendo diálogos com a arte conceitual, a minimal art e a tradição do ready-made de Marcel Duchamp. Suas obras integram importantes coleções nacionais e internacionais, como MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, MoMA, Nova York e o Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York.
Jonathas de Andrade
(Maceió, AL, Brasil, 1982)
É um artista visual brasileiro que vive e trabalha em Recife.Sua prática abrange fotografia, vídeo e instalação, explorando temas como memória coletiva, identidade cultural e desigualdades sociais.Utiliza estratégias que mesclam ficção e realidade para reconstituir narrativas do passado e refletir sobre as dinâmicas do presente.De Andrade frequentemente colabora com comunidades locais, destacando vozes marginalizadas e questionando estruturas de poder.Entre suas exposições individuais estão “O Peixe” no New Museum, Nova York (2017), e “One to One” no Museum of Contemporary Art Chicago (2019).Participou de importantes bienais, como a de Veneza (2022) e a de São Paulo (2016).Suas obras integram acervos de instituições como o MoMA e o Guggenheim
José Antônio da Silva
(Sales de Oliveira, SP, 1909 – São Paulo, SP, 1996)
Pintor autodidata, tornou-se conhecido pela forma como representou a vida rural do interior paulista. Sua obra retrata paisagens abertas e cenas do cotidiano no campo, como lavouras, colheitas, rebanhos, festas e o convívio comunitário. Seu trabalho equilibra observação e imaginação, com um estilo caracterizado por proporções subvertidas, cores intensificadas e elementos simbólicos que aproximam a cena real de um universo de fantasia pessoal, fazendo de sua pintura um testemunho singular da cultura popular brasileira. Entre exposições recentes, destacam-se José Antônio da Silva: “nasci errado e estou certo”, Pinacoteca de São Paulo (2018) e José Antônio da Silva: pintar o Brasil, Fundação Iberê Camargo (2025). Seu legado é preservado e difundido pelo Museu de Arte Primitivista José Antonio da Silva, em São José do Rio Preto, SP, Brasil.
José Damasceno
(Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1968)
José Pancetti
(Campinas, SP, 1902 – Rio de Janeiro, RJ, 1958)
Artista autodidata, com posterior formação no Núcleo Bernardelli, foi retratista e pintor de paisagens, mas se consagrou sobretudo pelas marinhas, expressão mais significativa de sua produção, inspirada em sua experiência como marinheiro nas docas da Itália e nas forças militares do Brasil. Nelas, explorou a relação entre horizonte, mar e céu por meio de linhas curvas e diagonais que estruturam a composição, de escalas amplas e de um uso preciso da luz. Além das marinhas, destacou-se em retratos e autorretratos de traço geométrico e expressão contida, nos quais figuras surgem de maneira sintetizada, muitas vezes em poses laterais ou sombrias. Também produziu naturezas-mortas singulares, em que frutas, flores e objetos aparecem fundidos a retratos ou arranjos pouco convencionais Entre as exposições recentes, destaca-se Pancetti: a poética da marinha, Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte (2017).
José Patrício
(Recife, PE, Brasil, 1960)
Artista visual conhecido por obras que combinam padrões geométricos e efeitos ópticos a partir de objetos como dominós, dados e botões. Influenciado pela arte construtiva, desenvolve composições baseadas em repetição e variação. Participou de bienais como as de São Paulo (1994) e Havana (2003), e tem obras em acervos como os da Pinacoteca de SP e Fondation Cartier.
José Spaniol
(São Luiz Gonzaga, RS, Brasil, 1960)
Formou-se em Artes Plásticas pela FAAP (1983), instituição onde também lecionou no final da década de 1980. Desenvolve uma produção que transita entre desenho, escultura e instalação, com forte atenção à relação entre obra, arquitetura e espaço público. Muitos de seus trabalhos operam como intervenções espaciais que exploram a verticalidade e a horizontalidade, criando situações de deslocamento e estranhamento na percepção do espectador. Utilizando materiais diversos e estruturas de grande escala, suas instalações frequentemente dialogam com o ambiente arquitetônico e urbano. Em 2003, co-fundou em São Paulo, junto a outros artistas, o espaço de ensino e pesquisa Oficina Virgílio. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAC USP, Centro Cultural São Paulo e Itaú Cultural.
Klaus Mitteldorf
(São Paulo, SP, Brasil, 1953)
É fotógrafo e cineasta brasileiro conhecido por sua estética experimental e inovadora. Iniciou sua carreira nos anos 1970 com fotografias de surfe e, posteriormente, destacou-se na fotografia de moda e publicidade, colaborando com revistas como Vogue e Elle.Sua obra transita entre o documental e o artístico, explorando temas urbanos e humanos.Publicou diversos livros e realizou exposições no Brasil e no exterior.
Laura Vinci
(São Paulo, SP, Brasil, 1962)
É artista visual brasileira reconhecida por esculturas e instalações que exploram a relação entre corpo, espaço e efemeridade. Formada pela FAAP e mestre pela ECA-USP, iniciou sua carreira nos anos 1980, migrando da pintura para obras tridimensionais.Participou de bienais como a de São Paulo (2004) e do Mercosul (1999, 2005, 2009), e tem obras em instituições como Inhotim e MAM-SP.Também atua como diretora de arte em teatro, destacando-se por cenografias no Teatro Oficina.
Lenora de Barros
Artista visual e poeta, Lenora de Barros é formada em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP) e iniciou sua carreira artística na década de 1970. Os primeiros trabalhos criados por Lenora podem ser colocados no campo da “poesia visual” em diálogo com o movimento da poesia concreta da década de 1950. Palavras e imagens foram seus primeiros materiais.
Em 1983, LB publicou o livro Onde Se Vê, um conjunto de “poemas” um tanto incomuns. Alguns deles dispensaram o uso de palavras, construídos como narrativas fotográficas, onde a própria artista representava diferentes personagens em atos performáticos. Este livro já anunciava o trânsito de Lenora de Barros para o campo das artes visuais, o que acabou por acontecer. Desde então, a artista vem seguindo seu caminho, marcado pelo uso de diversas linguagens: vídeo, performance, fotografia, instalação sonora e construção de objetos.
Seu trabalho está incluído em coleções no Brasil e em vários outros países, entre eles o Hammer Museum (CA, EUA), Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (Espanha), Daros Coleção Latinamerica (Suíça), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), Pinacoteca do Estado de São Paulo e Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, (Madrid). Entre as exposições mais importantes, ela participou estão: Radical Women: Latin American Art, 1960-1985, Hammer Museum, LA, Brooklyn Museum, New York-NY, USA; Pinacoteca de São Paulo-SP, Brasil; Tools for utopia, selected works from the Daros Latinamerica Collection, Berna, Switzerland; 11º Bienal de Lyon, (França, 2011); ISSOÉOSSODISSO na Oficina Cultural Oswald de Andrade (São Paulo, 2016); 4ª Bienal de Salónica de Arte Contemporânea (Grécia, 2013); 17, 24 e 30ª Bienal Internacional de São Paulo, e em 2022 estará na 59a Bienal Internacional de Veneza.
Leticia Ramos
(Santo Antônio da Patrulha, RS, Brasil, 1976)
Estudou Arquitetura e Urbanismo na UFRGS e formou-se em Cinema pela FAAP (2007). Desenvolve uma produção que transita entre fotografia, vídeo e instalação, marcada pela criação de aparatos ópticos e dispositivos experimentais de captação de imagem. Em vez de utilizar equipamentos convencionais, a artista frequentemente constrói suas próprias máquinas, investigando as condições materiais da fotografia e do movimento. Seu trabalho dialoga com a história da fotografia e do cinema experimental, recorrendo a técnicas como cianotipia e microfilme e combinando observação científica e imaginação criativa. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAM Rio, Pinacoteca de São Paulo, CCSP, Instituto Moreira Salles e Itaú Cultural.
Luiz Paulo Baravelli
(São Paulo, SP, Brasil, 1942)
É um artista visual brasileiro cuja obra abrange pintura, escultura, desenho e gravura.Formado pela FAAP e com passagem pela FAU-USP, foi aluno de Wesley Duke Lee e cofundador da Escola Brasil, ao lado de Carlos Fajardo, José Resende e Frederico Nasser.Sua produção transita entre o abstrato e o figurativo, com destaque para pinturas de grandes formatos e contornos irregulares.Participou da Bienal de Veneza (1984) e tem obras em acervos como o MAC-USP e o MAM-RJ.
Mabe Bethônico
(Belo Horizonte (MG), 1966 – Vive entre Genebra e Belo Horizonte)
Mabe Bethônico é artista e pesquisadora e trabalha com arquivos e instituições, lidando com os limites entre documentação e construção, evidenciando como a informação e a história podem ser construídas e retrabalhadas continuamente. A partir dessa perspectiva, se dedica em grande parte a questões da mineração em Minas Gerais. Participou da 27ª e 28ª Bienais de São Paulo e exposições no MAM e MIS SP, Museu da Pampulha, no Centre de la Photographie, Geneva, Museo de Antioquia – Medellin, Kunstverein Muenchen – Munique, Nothingham Contemporary, dentre outros. Participa do coletivo internacional de artistas e teóricos World of Matter e desenvolve pesquisa na França, junto à École Supérieure d’Art Annecy Alpes, ESAAA. Bethônico possui mestrado e doutorado em artes visuais pelo Royal College of Art, Londres, e desenvolveu pesquisa de pós-doutorado no Museu de Etnografia de Genebra, no projeto Um viajante depois do outro, um guia ou dois sobre a Caatinga, sobre os arquivos do geólogo suíço Edgar Aubert de la Rüe.
Marcelo Moscheta
(São José do Rio Preto, SP, Brasil, 1976)
É um artista visual brasileiro que vive e trabalha em Coimbra, Portugal.Sua prática artística envolve desenho, fotografia e instalação, com foco em temas como deslocamento, território, paisagem e memória.Desde 2000, realiza obras a partir de viagens a locais remotos, coletando elementos da natureza para criar trabalhos que exploram a relação entre o ser humano e o ambiente.Recebeu prêmios como o Pollock-Krasner Foundation Grant (2017) e o Prêmio PIPA Voto Popular (2010).Suas obras integram acervos de instituições como o MAM-RJ e a Pinacoteca de São Paulo.
Marco Paulo Rolla
(São Domingos do Prata, MG, 1967)
É Mestre em Artes pela UFMG e coordenador do CEIA – Centro de Experimentação e Informação de Arte. Com exposições individuais no Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda, participou de eventos importantes como a 29ª Bienal de São Paulo (2010). Seu trabalho foi premiado em salões nacionais e integra coleções como o MAM-SP, Pinacoteca de SP, Inhotim e MAC-USP. Destaca-se também como performer, com participação em festivais nacionais e internacionais. Vive e trabalha em Belo Horizonte.
Foto: Marco Paulo Rolla
Marilá Dardot
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1973)
É uma artista visual brasileira cuja obra transita entre vídeos, fotografias, gravuras, esculturas, pinturas, ações e instalações site-specific.Sua produção lida constantemente com a linguagem e a literatura, explorando a relação entre palavra, memória e espaço.Formada em Comunicação Social pela UFMG e mestre em Artes Visuais pela UFRJ, Dardot vive e trabalha entre a Cidade do México e São Paulo.Participou de diversas bienais, como as de São Paulo, Havana e Coimbra, e possui obras em acervos de instituições como Inhotim e o Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Marcia Xavier
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1967)
Formou-se em Comunicação Visual pela FAAP (1989). Desenvolve uma produção que parte da fotografia para investigar paisagem, horizonte e arquitetura, frequentemente por meio de dispositivos ópticos, caixas de luz e estruturas que alteram a percepção da imagem. Em seus trabalhos, utiliza lentes, espelhos e refração da água para produzir distorções e deslocamentos visuais, explorando os limites entre registro e construção da imagem. Iniciou sua trajetória nos anos 1990 com séries de autorretratos fotográficos e, posteriormente, ampliou sua pesquisa para investigações formais sobre luz, visão e espacialidade. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MAM Rio, MAC Ribeirão Preto e Société Générale d’Art Contemporain, França.
Thiago Rocha Pitta
(Tiradentes, MG, Brasil, 1980)
É um artista visual brasileiro que explora diversas mídias, como pintura, escultura, vídeo, fotografia e instalação. Sua obra, marcada por uma forte interação com a natureza, utiliza elementos como terra, água, fogo e ar para refletir sobre o tempo, a memória e as transformações do mundo natural. Pitta convida o espectador a contemplar a impermanência da existência, através de projetos que destacam o efêmero e o transitório da vida.
Foto: Proyector
Milton Marques
(Brasília, DF, Brasil, 1971)
É um artista visual brasileiro conhecido por criar instalações e esculturas a partir de aparelhos eletrônicos obsoletos, como impressoras, scanners e câmeras.Seu trabalho combina elementos artesanais e tecnológicos, explorando temas como memória, obsolescência e a relação entre o ser humano e a máquina.Marques participou de importantes exposições, incluindo a 26ª Bienal de São Paulo (2004) e a 5ª Bienal do Mercosul (2005).Em 2006, recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça.É representado pela Galeria Leme e vive e trabalha em Brasília.
Mira Schendel
(Zurique, Suíça, 1919 – São Paulo, SP, Brasil, 1988)
Foi uma artista e pensadora brasileira, conhecida por explorar a relação entre caos e ordem, sensorialidade e racionalismo. Sua produção foi marcada pela transição de pintura para monotipias em papel japonês, que, devido à sua translucidez, ganhavam uma leitura em duas faces. Nos objetos gráficos, suspensos entre placas de acrílico, e nas Droguinhas, feitas em 1964, Schendel conferiu volume e textura ao quase invisível. Sua obra entrelaça texto e materialidade, traduzindo poesia em risco e letra.
Foto: Galatea
Mário Zanini
(São Paulo, SP, Brasil, 1907 – 1971)
Foi um pintor, decorador e ceramista brasileiro, integrante do Grupo Santa Helena.Sua obra é marcada por cores intensas e composições simples, destacando-se como um dos grandes coloristas da arte moderna brasileira ao lado de Alfredo Volpi.Participou das três primeiras Bienais de São Paulo e teve reconhecimento de críticos como Mário de Andrade.
Nazareth Pacheco
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
Nazareth Pacheco nasceu em São Paulo, SP, Brasil (1961). Formou-se em Artes Plásticas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e iniciou sua trajetória nos anos 1980, trabalhando com escultura e tridimensionalidade. Sua obra reflete experiências autobiográficas e investiga a relação entre corpo, dor e padrões estéticos, por meio de materiais como borracha, aço, bisturi, miçangas e acrílico. Realizou exposições individuais como Objetos Sedutores, no SESC Santo Amaro (2012) e Gota a Gota, na Pinacoteca de São Paulo (2015). Participou de coletivas como a 20ª e 24ª Bienal de São Paulo (1989, 1998) e o Panorama da Arte Brasileira (1988, 1991, 1998, 1999).
Nelson Leirner
(São Paulo, SP, Brasil, 1932 – Jardim Botânico, RJ, Brasil 2020)
Filho da escultora Felícia Leirner e do empresário e colecionador Isaí Leirner, ambos envolvidos na fundação do MAM São Paulo, cresceu em um ambiente próximo ao meio artístico. Desenvolveu uma trajetória prolífica marcada pela crítica institucional e por uma postura irônica, inquieta e sarcástica em relação ao sistema da arte. Trabalhou com pintura, desenho, gravura, instalação, happenings e objetos, frequentemente apropriando-se de imagens e materiais da cultura de massa. Em muitas obras, reorganiza esses elementos em composições acumulativas e irônicas que questionam os valores do mercado, da autoria e da própria noção de obra de arte. Em 1966, co-fundou, junto a outros artistas, o Grupo Rex, que criou a Rex Gallery & Sons e o jornal Rex Time como alternativas às instituições tradicionais. Nas décadas de 1970 e 1980, aprofundou seu trabalho conceitual, estimulando a participação do público e a reflexão sobre os circuitos da arte. A partir da década de 1980, atuou também como docente na FAAP e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Suas obras integram coleções institucionais como as do MAM São Paulo, MASP, MAC USP e Pinacoteca de São Paulo.
Nicolás Robbio
(Buenos Aires, Argentina, 1975)
É um artista visual argentino cuja obra transita entre desenho, escultura e instalação, explorando temas como linguagem, memória e estruturas de conhecimento.Utiliza materiais simples e cotidianos para criar composições que evocam diagramas técnicos e arquitetônicos.Vive e trabalha entre São Paulo e Buenos Aires, com formação pela Escola de Artes Visuais Martín A. Malharro.Participou de bienais como a de São Paulo (2008) e a FEMSA (2018), e expôs em instituições como o MAM São Paulo, o Museu Sívori (Buenos Aires) e o Künstlerhaus Bethanien (Berlim).Recebeu prêmios como o Marcantonio Vilaça (2015–2016) e o Paradoxos Rumos Itaú Cultural.
No Martins
(São Paulo, SP, 1987 – vive em São Paulo)
A produção de No Martins articula as linguagens da pintura, instalação e performances , através das quais Martins investiga as relações interpessoais cotidianas, principalmente a convivência da população negra no cotidiano urbano, questionando conflitos sociais como o racismo, a mortalidade por violência e o superencarceramento da população brasileira. Seus trabalhos estão em coleções de museus como MASP – Museu de Arte de São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Inhotim e Museu da Escravatura, Luanda – Angola. Entre suas exposições mais recentes destacam-se as individuais: Encontros Políticos na Galeria Mariane Ibrahim em Paris – França; Social signs na Jack Bell Gallery em Londres – UK (2020); Tudo sob controle, no 29a Programa de exposições do CCSP (Centro Cultural São Paulo), em São Paulo – Brasil (2019); Aos que se foram, aos que aqui estão e aos que virão, no Instituto Pretos Novos, Rio de Janeiro – Brasil (2019). E as mostras coletivas: The discovery of what it means to be Brazilian, na Mariane Ibrahim Gallery, Chicago – USA (2020); 21a Bienal de arte contemporânea Sesc VideoBrasil, na qual recebeu o prêmio Sesc de arte contemporânea, (2019); e Histórias Afro-atlânticas no MASP (Museu de Arte de São Paulo) e ITO (Instituto Tomie Ohtake), São Paulo – Brasil (2018).
Paulo Monteiro
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
Um artista visual brasileiro cuja obra transita entre pintura, escultura e desenho, explorando a relação entre forma, cor e espaço.Foi um dos fundadores do grupo Casa 7 nos anos 1980, que revitalizou a pintura brasileira com influências neoexpressionistas.Participou de diversas bienais, como as de São Paulo (1985, 1994, 2013) e Havana (1986), e teve uma retrospectiva na Pinacoteca de São Paulo em 2008.Suas obras integram acervos de instituições como o MoMA, MAM São Paulo e Pinacoteca.
Rafael Assef
(São Paulo, SP, Brasil, 1970)
É fotógrafo e artista visual. Atua com fotografia desde 1990 e formou-se em artes plásticas pela FAAP em 1997. Em seus trabalhos, explora o corpo como suporte, utilizando a pele como superfície de incisões e traços que provocam incômodo e ativam experiências sensoriais e afetivas. A dor, o sangue e a geometria revelam tensões entre razão e corporeidade. Com influências das performances corporais dos anos 1970, sua produção é pensada para a fotografia como obra final. Destacam-se as séries Traço (1999) e Mapas de Saída (2006), além de atuações no campo da moda e da arte contemporânea.
Ricardo Basbaum
(São Paulo, SP, Brasil, 1961)
É artista multimídia, professor, curador e crítico. Participou de exposições individuais e coletivas desde 1981, dentre elas destacam-se a 25ª Bienal de São Paulo (2002), Urban Tension (Museum in Progress), Viena (2002), e a mostra Entre Pindorama, na Künstlerhaus de Sttutgart (2004). Publicou diversos textos em revistas especializadas, no Brasil e no exterior, e atualmente é professor do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Rivane Neuenschwander
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1967)
É uma das artistas visuais brasileiras de maior projeção internacional. Formada pela UFMG, participou de residências em Londres (Royal College of Art) e Estocolmo (Iaspis), e foi premiada por instituições como Funarte e ArtPace. Sua obra transita entre vídeo, instalação, performance e fotografia, com interesse por narrativas coletivas, memória e linguagem. Participou de bienais em São Paulo (1998, 2006) e Veneza (2003, 2005). Integra acervos e exposições de grandes museus ao redor do mundo, contribuindo de forma decisiva para a arte contemporânea.
Roberto Bethônico
(Itabira, MG, Brasil, 1964)
Vive e trabalha em Belo Horizonte. Doutor em Artes pela UFMG, integrou o coletivo Galpão Embra nos anos 1990. Participou de exposições no Brasil e no exterior, incluindo as feiras Arco (Madri) e Pinta (Nova York). Recebeu prêmios em salões de arte, como o Artista Visitante no Tamarind Institute (EUA). Seus trabalhos exploram tensões entre natural e artificial, presença e ausência, e transitam por desenhos, objetos, instalações, intervenções e livros de artista. Integra acervos como MAM-SP, MAM-RJ, Museu de Arte da Pampulha e Coleção Madeira (Portugal).
Rochelle Costi
(Caxias do Sul, RS, Brasil, 1961 – São Paulo, SP, Brasil, 2022)
Foi fotógrafa e artista multimídia. Formada em Comunicação Social pela PUC-RS, viveu e estudou em Londres, passando por instituições como Saint Martin School of Art. Seu trabalho partiu da fotografia editorial e expandiu-se para instalações, objetos e vídeos, explorando a vida urbana, os espaços privados e a identidade. Com olhar atento ao cotidiano, construiu séries que ressignificam a experiência comum. Sua obra está presente em acervos de instituições como MASP, MAM São Paulo, Inhotim e CIFO (Miami).
Rodrigo Braga
(Manaus, AM, Brasil, 1973)
Vive entre Paris e Rio de Janeiro. Graduado em Artes Visuais pela UFPE, desenvolve obras por meio de imersões em paisagens naturais e práticas corporais que dialogam com performance, fotografia e vídeo. Sua produção investiga as tensões entre humano e natureza, em composições que misturam o real e o fantástico. Participou da 30ª Bienal de São Paulo, exibiu no MoMA PS1 e no Palais de Tokyo. Recebeu prêmios como o PIPA (2012) e o Marcantonio Vilaça (2009). Tem obras em acervos como MAM São Paulo, MAM Rio e Maison Européenne de la Photographie.
Romy Pocztaruk
(Porto Alegre, RS, Brasil, 1983)
É mestre em Poéticas Visuais pela UFRGS. Sua prática investiga simulações espaço-temporais e o papel do artista frente a diferentes contextos, cruzando artes visuais com ciência e história. Participou de exposições como a 31ª Bienal de São Paulo, 35º Panorama da Arte Brasileira do MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, Bienal do Mercosul, e Region 0 (Nova York). Realizou residências no Bronx Museum (EUA), Instituto Sacatar (BA), Takt Kunstprojektraum (Berlim) e Sunhoo Creatives (China).
Rosana Paulino
(São Paulo, SP, Brasil, 1968)
É doutora em Artes Visuais pela ECA/USP e especialista em gravura pelo London Print Studio. Sua obra investiga as marcas da escravidão e o lugar da mulher negra na sociedade brasileira. Participou de mostras como a 59ª Bienal de Veneza, 35ª Bienal de São Paulo e Afro-Atlantic Histories (NGA, EUA). Tem obras em acervos como MASP, MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, Malba e UNM Art Museum. Foi bolsista da Fundação Ford, CAPES e Fundação Rockefeller.
Rosângela Rennó
(Belo Horizonte, MG, Brasil, 1962)
É doutora em Artes Visuais pela ECA/USP e especialista em gravura pelo London Print Studio. Sua obra investiga as marcas da escravidão e o lugar da mulher negra na sociedade brasileira. Participou de mostras como a 59ª Bienal de Veneza, 35ª Bienal de São Paulo e Afro-Atlantic Histories (NGA, EUA). Tem obras em acervos como MASP, MAM São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, Malba e UNM Art Museum. Foi bolsista da Fundação Ford, CAPES e Fundação Rockefeller.
Santídio Pereira
(Isaías Coelho (PI), 1996)
Desenvolve uma produção centrada sobretudo na xilogravura, além de desenho, pintura e objetos. Sua pesquisa parte da observação e da memória da paisagem do interior do Piauí, com destaque para representações da flora da caatinga, bromélias e outras espécies vegetais, frequentemente apresentadas em grande escala. Utilizando procedimentos próprios de xilogravura, como incisões, recortes e encaixes de matrizes, constrói imagens de linhas simples e massas de cor chapada, muitas vezes sobre fundo branco, que destacam a vitalidade e a riqueza das plantas e da paisagem. Suas obras também incluem paisagens da região nordestina, organizadas por planos cromáticos e horizontes amplos. Em 2024, o MAM São Paulo realizou a exposição individual Santídio Pereira: paisagens férteis e incorporou à sua coleção uma obra doada pelo artista.
Sérgio Adriano H
(Joinville, SC, Brasil, 1975)
É artista visual, performer e pesquisador. Vive e trabalha entre Joinville e São Paulo. É formado em Artes Visuais e mestre em Filosofia. Em 2014, foi incluído no livro Construtores das Artes Visuais: Cinco Séculos de Artes em Santa Catarina, como um dos 30 artistas mais influentes do estado. Participou de mais de 80 exposições, entre individuais, coletivas e salões. Recebeu prêmios como o Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura (2014 e 2017), o 10º Salão Nacional Elke Hering (2012) e o 10º Salão Nacional de Arte de Itajaí (2005).
Sérgio Milliet
(São Paulo, SP, 1898 – São Paulo, SP, 1966)
Cursou Ciências Econômicas e Sociais na Universidade de Berna, Suíça, ocasião em que teve contato com as vanguardas europeias do início do século XX. Um dos protagonistas da primeira fase da história do MAM São Paulo, e além de escritor e crítico, foi também um pintor relevante. Participante ativo da Semana de Arte Moderna de 1922, Milliet foi um dos expoentes do modernismo brasileiro. A sua relação com o MAM se inicia no momento de gênese desse museu, do qual foi um dos mais ativos idealizadores e organizadores. Foi um dos fundadores e o primeiro presidente da ABCA (Associação Brasileira dos Críticos de Arte). Foi o segundo diretor artístico do MAM, entre 1952 e 1957, quando realizou a primeira retrospectiva de Tarsila do Amaral, além de ter exercido o papel de diretor artístico da Bienal de São Paulo entre 1953 e 1958, sendo responsável pela 2ª, 3ª e 4ª edições. Alguns anos após seu falecimento em 1966, o MAM organizou uma exposição de suas pinturas, prestando grandes homenagens à trajetória e vida de Sérgio Milliet.
Sidney Amaral
(São Paulo, SP, Brasil, 1973–2017)
Formou-se em Artes Visuais pela FAAP. Desenvolveu uma obra dedicada à reflexão sobre as relações raciais e sociais no Brasil, destacando a experiência e a subjetividade do corpo negro na história e na vida contemporânea. Trabalhou sobretudo com pintura figurativa e desenho, frequentemente representando corpos negros em composições densas e simbólicas que articulam memória histórica, crítica social e autorrepresentação. Em esculturas e instalações, também se valeu da apropriação de objetos cotidianos, muitas vezes transpostos para materiais como bronze ou mármore, questionando hierarquias simbólicas e valores do sistema da arte e da sociedade. Sua produção constitui uma das contribuições mais contundentes da arte contemporânea brasileira sobre questões raciais. Suas obras integram coleções como as do MAM São Paulo, Museu Afro Brasil e Pinacoteca de São Paulo.
Tadáskía
(Rio de Janeiro, RJ, 1993 – vive entre o Rio de Janeiro e São Paulo, SP)
Tadáskía (n. 1993, Brasil) é uma artista e escritora negra e trans radicada no Rio de Janeiro e em São Paulo. Seu trabalho em desenho, fotografia, instalação e têxtil mobiliza histórias, geografias e as relações materiais e imateriais que podem surgir entre o mundo e os seres vivos. Através de sua prática, ela busca elaborar também as experiências visíveis e invisíveis da diáspora negra, resultantes de encontros familiares e inusitados. Tadáskía já expôs no Museu de Arte do Rio, Paço Imperial e EAV Parque Lage, no Rio de Janeiro; no Framer Framed, em Amsterdã; no ISLAA em Nova York; no Triangle Astérides em Marselha; na Madragoa, em Portugal; e na Sé, Pivô, Auroras e na Casa de Cultura do Parque, em São Paulo.
Tatiana Blass
(São Paulo, SP, Brasil, 1979)
vive e trabalha em Belo Horizonte. Desenvolve pinturas, vídeos, esculturas e instalações desde 1998. Participou da 29ª Bienal de São Paulo, foi finalista do Nam June Paik Award (Alemanha) e contemplada pela Cisneros Fontanals Art Foundation (EUA). Venceu o Prêmio PIPA 2011 e realizou residência no Gasworks (Londres). Teve individuais no CCBB Rio, Capela do Morumbi, MAM Bahia, entre outros. Expôs no Wexner Center (EUA), Kunst im Tunnel (Alemanha), MAM Rio e Itaú Cultural. É representada pela Galeria Millan (SP) e Johannes Vogt Gallery (NY).
Tunga
(Palmares, PE, 1952 – Rio de Janeiro, RJ, 2016)
Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, o Tunga, nasceu em 1952, em Palmares, Pernambuco, viveu e trabalhou no Rio de Janeiro.
Foi o primeiro artista contemporâneo a exibir sua obra na pirâmide do Louvre, além de ter participado de exposições como a Bienal de Veneza, em 1982, e Documenta de Kassel, em 1992. Hoje, o trabalho do artista está nos acervos do MoMA, em Nova York; do Museum of Fine Arts de Houston; do Centre Pompidou, em Paris; do Barcelona Museum of Contemporary Art, e da Tate Modern, em Londres.
Vera Chaves Barcellos
(Porto Alegre, RS, Brasil, 1938)
nasceu em Porto Alegre em 1938, e vive e trabalha na mesma cidade, mantendo também seu estúdio em Barcelona desde 1986. Nos anos 60, dedicou-se à gravura depois de estudos na Inglaterra e Holanda. Em 1975, foi bolsista do British Council, no Croydon College em Londres, estudando fotografia e sua aplicação em técnicas gráficas. Está entre os fundadores do Nervo Óptico (1976–1978) e do Espaço N.O. (1979–1982), e também da galeria Obra Aberta (1999–2002), atuantes no sul do Brasil. Entre as exposições das quais participou estão as individuais na Galeria Goeldi (Rio de Janeiro, 1966) e a “Inéditos e Reciclados” na Galeria Bolsa de Arte (São Paulo, 2019); as coletivas na Bienal de Veneza (1976), na 14ª Bienal de São Paulo (1976), no 3º Salão Paulista de Arte Contemporânea (São Paulo, 1985), e “Anos 70 – arte como questão”, no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, 2007).
Vicente de Mello
(São Paulo, SP, Brasil, 1967)
é fotógrafo e desenvolve uma obra que alia investigações formais da fotografia a questões de caráter intimista. Seus ensaios exploram o corpo, paisagens, objetos e espaços privados, com foco na luz, no tempo e na fragmentação. Em 2007, recebeu o Prêmio APCA pela exposição na Pinacoteca do Estado. Em 2012, foi o primeiro brasileiro na residência do Espace Photographie Contretype (Bélgica), onde apresentou Silent City. Em 2015, venceu o Prêmio CCBB Contemporâneo com a instalação Ultramarino.
Walter Carvalho
(João Pessoa, PB, Brasil, 1947)
é fotógrafo e cineasta brasileiro. Herdeiro do Cinema Novo, iniciou sua trajetória auxiliando o irmão Vladimir Carvalho, e consolidou-se como diretor e diretor de fotografia. Sua obra carrega a marca do cinema brasileiro da segunda metade do século XX e reflete transformações sociais, políticas e culturais do país. Integra a comissão da Academia Brasileira de Cinema responsável por indicar filmes brasileiros ao Oscar.
Xadalu Tupã Jekupé
(Alegrete, RS, 1985 – vive em Porto Alegre, RS)
Xadalu Tupã Jekupé é um artista mestiço que usa elementos da serigrafia, pintura, fotografia e objetos para abordar em forma de arte urbana o tensionamento entre a cultura indígena e ocidental nas cidades. Sua obra, resultado das vivências nas aldeias e das conversas com sábios em volta da fogueira, tornou-se um dos recursos mais potentes das artes visuais contra o apagamento da cultura indígena no Rio Grande do Sul. O diálogo e a integração com a comunidade Guarani Mbyá permitiram ao artista o resgate e reconhecimento da própria ancestralidade. Xadalu tem origem ligada aos indígenas que historicamente habitavam as margens do Rio Ibirapuitã. As águas que banharam sua infância carregam a história de Guaranis Mbyá, Charruas, Minuanos, Jaros e Mbones — assim como dos bisavós e trisavós do artista. A obra feita para o Clube de Colecionadores apresenta uma cabeça indígena, tal como aquelas esculpidas na base na catedral de Porto Alegre, que simbolizam o domínio do cristianismo sobre a cultura indígena e o extermínio dos povos originários. Em guarani o artista escreve “Existe uma cidade sobre nós”, em clara alusão ao território indígena soterrado e aos vestígios arqueológicos encontrados na região.
Yuri Firmeza
(São Paulo, SP, Brasil, 1982)
investiga temas como memória, temporalidade, ruína e gentrificação, tensionando os limites entre realidade, ficção e possível. Seu trabalho atravessa vídeo, instalação, performance e fotografia, com forte presença do corpo como inscrição da história. Mestre pela ECA/USP, tem obras em acervos como MAM São Paulo, MAR, Museu da Pampulha e Museu Nacional de Belas Artes. Participou da 31ª Bienal de São Paulo, 11ª Bienal do Mercosul e 14ª Biennale Jogja, entre outras.
serviço
MAM São Paulo na Pinacoteca do Ceará: figura e paisagem, palavra e imagem
Período expositivo:
de 7 de junho de 2025 a 25 de janeiro de 2026
Curadoria:
Cauê Alves e Gabriela Gotoda
realização
Museu de Arte Moderna de São Paulo e Pinacoteca do Ceará
Endereço:
Pinacoteca do Ceará — Rua 24 de Maio, 34, Centro, Fortaleza — CE
Entrada gratuita de quarta a domingo
museu de arte moderna de são paulo
A sede do MAM está temporariamente fechada em virtude da reforma da marquise do Parque Ibirapuera.