com Edson Cruz
Datas: 13, 20, 27 de agosto, 03 e 10 de setembro de 2026
Quintas-feiras
Horário: das 19h às 21h30
Duração: 5 encontros
Público: interessados em geral
Investimento: R$ 440,00 + taxas
Curso online
Ao vivo, via plataforma de videoconferência
Aulas gravadas disponibilizadas apenas por tempo determinado
Contempla certificado no final
Para intérprete de Libras, solicitar pelo e-mail cursos@mam.org.br com antecedência de 7 dias úteis.
O curso mergulha na tensão viva entre imagem e escrita, ao longo de cinco encontros. A ideia é partir de duplas históricas como Rodin e Rilke, Miró e João Cabral, Leonilson e Caio Fernando Abreu (e outras surpresas no caminho), para entender como o diálogo entre artistas e escritores gera formas e reflexões novas – daquelas que nenhum deles inventaria sozinho.
Mais do que usar obras do acervo do MAM São Paulo para ilustrar conceitos, vamos deixar que elas provoquem perguntas, que sirvam de ponto de partida para pensar e experimentar.
O curso é para quem escreve, para quem faz arte, para quem ensina, ou pra quem só quer se aprofundar na própria relação com a linguagem. Aqui, não se trata de escrever “sobre” arte, mas de escrever diante dela, no calor do encontro.
Programação
Aula 1 – Atenção como método de criação
Auguste Rodin e Rainer Maria Rilke. Observando Rodin e seguindo suas instruções, Rilke aprendeu a olhar de outro jeito: ver como prática, como disciplina, como exercício de presença. O que muda na escrita quando o olhar demora? O Torso Arcaico de Apolo serve de exemplo: o poema nasce do olhar e termina com uma questão ética.
Aula 2 – Forma, rigor e economia
Miró e João Cabral. O ensaio “Joan Miró”: pensar mais no processo do que no resultado. Compor é escolher, cortar, deixar de fora: o que aparece pressupõe o que foi excluído. Rigor e economia: princípios em comum entre a poesia cerebral de Cabral, a poesia concreta e a abstração lírica.
Aula 3 – Palavra, corpo e matéria
Leonilson e Caio Fernando Abreu. A palavra vira matéria sensível. Não se limita a representar: ela encarna a experiência. A escrita íntima e fragmentada de Caio Fernando Abreu (em Morangos Mofados e nas cartas) usa o gênero como sobrevida. E a autobiografia? O que rola quando a vida não cabe na sintaxe?
Aula 4 – Linguagem, silêncio e limite
Mira Schendel e Clarice Lispector. Linguagem à beira do limite: A Paixão Segundo G.H. encena o próprio fracasso de dizer. O silêncio vira estética: o não-dito molda a forma. O “Sem título” não é falta de nome, é escolha crítica: não nomear é recusar, é levar a obra pra outro lugar.
Aula 5 – O ordinário como arquivo
Tomaz Farkas e George Perec. O infraordinário: olhar para o cotidiano com rigor. A ficha técnica do museu: entre documento e invenção, registro e ficção. Arquivo, memória, cotidiano: o que se perde sem registro? E o que se ganha quando o registro vira arte?
Edson Cruz
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créditos
Imagem: Leonilson, As oliveiras [detalhe], 1990. Coleção MAM São Paulo. Foto: Renato Parada