37° Panorama da Arte Brasileira – Sob as cinzas, brasa


Datas: 23 de julho, 2022 a 15 de janeiro, 2023
Horário: 10h às 18h

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Durante o período emblemático do bicentenário de independência do Brasil, o Museu de Arte Moderna de São Paulo recebe a partir do dia 23 de julho o 37° Panorama da Arte Brasileira – Sob as cinzas, brasa, que propõe desconstruir paradigmas naturalizados em relação ao Brasil colônia. Em contraponto, neste ano, também é celebrado o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, marco para o modernismo brasileiro que trouxe um novo e amplo cenário cultural, com artistas de distintas regiões do país.

Com grupo curatorial diverso, composto por Claudinei Roberto da Silva, Vanessa Davidson, Cristiana Tejo e Cauê Alves, o 37° Panorama enfatiza as pesquisas que resultam em questionamentos e possíveis soluções artísticas surgidas do enfrentamento de um cenário onde a barbárie está manifestada de diversas formas. Ideais de civilização se atritam na busca da dimensão plural sobre as questões trazidas à tona a partir de obras que se relacionam tanto pela condição comum deste cenário quanto por uma diversidade de perspectivas, sendo seus autores de diferentes gerações e identidades étnico raciais e de gênero.

A mostra valoriza a dimensão pedagógica da arte e prospecta rupturas estruturais. Ainda em um mundo pandêmico, o Panorama propõe investigar como os artistas enraizados no Brasil têm enfrentado os múltiplos problemas causados pelo modelo de desenvolvimento adotado nos últimos séculos.

A curadoria se baseou em signos que interligam de maneira sutil à brasa, como símbolo de resistência e também de ambiguidade, trazendo uma diversidade de pontos de vista e pesquisas.

Artistas: Ana Mazzei | André Ricardo | Bel Falleiros | Camila Sposati | Celeida Tostes | davi de jesus do nascimento | Éder Oliveira | Eneida Sanches e Tracy Collins (LAZYGOATWORKS) | Erica Ferrari | Giselle Beiguelman | Glauco Rodrigues | Gustavo Torrezan | Jaime Lauriano | Lais Myrrha | Laryssa Machada | Lidia Lisbôa | Luiz 83 | Marcelo D’Salete | Maria Laet | Marina Camargo | No Martins | RodriguezRemor (Denis Rodriguez e Leonardo Remor) | Sérgio Lucena | Sidney Amaral | Tadáskía | Xadalu Tupã Jekupé

Confira abaixo a apresentação dos artistas:

 

Ana Mazzei (São Paulo, SP, 1980 – vive em São Paulo)

Ana Mazzei é bacharel em Artes Plásticas e Mestre em Poéticas Visuais. Seus trabalhos estiveram recentemente em importantes exposições institucionais: Drama O’Rama no Sesc Pompéia (São Paulo), Glasgow International at The Pipe Factory; Histórias Feministas no MASP (São Paulo); Padiglione d’Arte Contemporânea (Milão), 14º Bienal Internacional de Cuenca, 32ª Bienal Internacional de São Paulo.

Exposições individuais recentes: Sleepwalk na Green Art Gallery, Dubai, Emirados Árabes Unidos; Vesúvius, Galeria Jaqueline Martins, São Paulo, Brasil (2020); Drama O’Rama, Sesc Pompéia, São Paulo, Brasil (2019); Is-Montage !, Carlos / Ishikawa, Londres, Reino Unido (2019); Antechamber, Green Art Gallery, Dubai, Emirados Árabes Unidos (2018); DRAMAFOBIA, Galeria Jaqueline Martins, São Paulo, Brasil (2017) e Ghost Studies, Almine Rech Gallery, Nova York, EUA (2017).

 

 

André Ricardo (São Paulo, SP, 1985 – vive em São Paulo)

André Ricardo é formado em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, realizou diversas exposições individuais e coletivas no Brasil, Portugal e, mais recentemente, na Espanha.

Suas obras integram coleções privadas e acervos públicos como o Instituto Inhotim (Brumadinho/MG), Museu de Arte de Ribeirão Preto (Ribeirão Preto/SP), Casa da Cultura da América Latina da Universidade de Brasília (Brasília/DF), Museu Casa do Olhar Luiz Sacilotto (Santo André/SP).

 

 

 

Bel Falleiros (São Paulo, SP, 1983 – vive em Nova York, Estados Unidos)

Bel Falleiros é formada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP. Sua prática se concentra em compreender como as paisagens construídas contemporâneas (mal) representam as diversas camadas de presença que constituem um lugar. A caminhada é fundamental para sua prática e foi eixo central de sua primeira individual, na CAIXA Cultural São Paulo, e sua primeira residência artística, no Instituto Sacatar na Bahia, Brasil (ambos em 2014). Desde que chegou aos Estados Unidos seu trabalho se expandiu para a escala da paisagem, onde ela cria espaços de conexão com a natureza, o indivíduo e a comunidade. Entre seus trabalhos fez uma instalação site-specific no Pecos National Park, Novo México (2016), um trabalho escavado na terra no espaço comunitário da Burnside Farm, Detroit (2017), esculturas em colaboração com o grupo de mulheres indígenas Tewa Women United parte da Equal Justice Residency do Santa Fe Art Institute (2018). Em Nova York participou de residências e exposições em espaços como a Spring Break Art Fair (2019) e The Clemente (2021), além de ter sido selecionada para a exposição Monuments Now no Socrates Sculpture Park (2020). Além de sua prática de estúdio, ela participa de projetos colaborativos pelas Américas conectando arte, educação e pensamento autônomo. Atualmente, ela é bolsista do More Art Engaging Artist e é artista residente no programa Dia Teens em Dia:Beacon.

 

Camila Sposati (São Paulo, SP, 1972 – vive em Viena, Áustria)

Os trabalhos de Camila Sposati investigam processos de transformação e energia, utilizando métodos que muitas vezes se assemelham a metodologias de pesquisa científica. Ela examinou processos em escala microscópica e global, como o crescimento de cristais em laboratórios e os efeitos geológicos na crosta terrestre em diferentes locais. Em seu trabalho, Sposati justapõe processos materiais e históricos para desafiar o tempo oficial e suas significações.

 

 

 

 

 

Celeida Tostes (Rio de Janeiro, RJ, 1929 – idem, 1995)

Celeida Tostes foi escultora e professora, com uma obra marcada pelo uso do barro na exploração de símbolos arquetípicos, relacionados ao feminino e à fertilidade. A artista iniciou sua trajetória formando-se em 1955 na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Pouco depois, entre 1958 e 1959, Tostes foi premiada com uma bolsa de estudos do governo estadunidense e frequentou a University of Southern California, onde ampliou seus conhecimentos nas técnicas industriais de cerâmica. Foi nessa universidade que a artista realizou sua primeira mostra individual. Em seguida, ela permaneceu nos Estados Unidos e atuou como assistente da artista Maria Martinez (1887-1980) no estado do Novo México. Essa oportunidade foi fundamental para aproximar definitivamente Tostes do trabalho com o barro, ao qual se dedicou a partir de então. De volta ao Brasil, a artista também passou a se dedicar ao ensino artístico, atuando, a partir de 1975, como professora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, atividade que exerceu por mais de vinte anos. Na virada para a década de 1980, Tostes iniciou um trabalho com a comunidade do morro do Chapéu Mangueira, coordenando o projeto “Formação de Centros de Cerâmica Utilitária nas Comunidades de Periferia Urbana do Rio de Janeiro”. O projeto promovia o uso do barro local para a confecção de cerâmicas com residentes da comunidade, de quem a artista se aproxima cada vez mais, inclusive em sua produção própria. Em 1989, ela passou a lecionar na Escola de Belas Artes da UFRJ, onde permaneceu no quadro de professores até 1982. Tendo desfrutado de grande reconhecimento no contexto latino-americano, Celeida Tostes foi homenageada na II Bienal Barro de América (1995-1996), em Caracas, na Venezuela, pouco depois do seu falecimento.

 

davi de jesus do nascimento (Pirapora, MG, 1997 – vive em Pirapora)

quando nasci alevim, em 1997, no fulgor norte-mineiro, banharam-me com o mesmo nome de meu pai, Davi de Jesus do Nascimento. sou barranqueiro curimatá, arrimo de muvuca e escritor fiado. gerado às margens do Rio São Francisco – curso d’água de minha vida – trabalho coletando afetos da ancestralidade ribeirinha e percebendo “quase-rios’’, no árido. fui criado dentro do emboloso da cumbuca de carranqueiros, pescadores e lavadeiras. o peso de carregar o rio nas costas bebe da nascente dos primeiros sóis que chorei na vida. sustentar na cacunda a carranca tem feito eu sentir a força do vento de minha taboca envergada no seguimento da rabiola solta que desceu em espiral gongo caracol envoltório para o calcanhar direito como cobra, isca, peixe e pedra.

 

 

 

Éder Oliveira (Timboteua, PA, 1983 – vive em Belém)

Éder Oliveira é licenciado em Educação Artística – Artes Plásticas pela Universidade Federal do Pará, trabalha principalmente com pintura e desde 2005 desenvolve sua investigação artística na relação entre os temas retrato e identidade, tendo como tema o indivíduo amazônico.

 

 

 

 

 

 

Eneida Sanches e Tracy Collins (LAZYGOATWORKS) 

Eneida Sanches (Salvador, BA, 1962 – vive em São Paulo, SP)

Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA, Eneida fez cursos livres na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia e nas oficinas do MAM Bahia.

Desde 1990 passa a pesquisar a estética africana e afro-brasileira desde 1990 e entre 1995 e 2000 estuda gravura em metal nas Oficinas do Museu de Arte Moderna da Bahia.

Expõe de 1992 a 2000 em Museus e Galerias de NY com ferramentas de uso litúrgico do candomblé yorubá. Apresenta obras relacionadas ao tema do Transe e passa a usar a gravura em campo expandido, como ambos, estrutura e conceito, em objetos e instalações.

Recebeu o prêmio do XXIV Salão de Artes MAM Bahia e participou de residência na Holanda (2008), Tanzânia (2014) e Portland EUA (2019).

A partir de 2011, reúne gravura e vídeo-instalação através da série Transe – Deslocamento de Dimensões em um trabalho colaborativo com o fotógrafo e videomaker Tracy Collins (NY).

Tem seus trabalhos publicado na Revista N/Paradoxa (Olabisi Silva), Revista Contemporary& (texto Alexandre Bispo) e Revista Transition (Boston EUA)

Expõe a vídeo instalação Transe no Festival Vídeo Brasil 2013 – SP em parceria com Tracy Collins. Em 2015 foi indicada ao Prêmio PIPA e participou da 3a Bienal da Bahia em parceria com Tracy Collins. Em 2016 apresenta sua obra no Itaú Cultural SP na coletiva Diálogos Ausentes com curadoria de Rosana Paulino e Diane Lima e em 2018 participa da mostra PretAtitudes, curadoria de Claudinei Silva.

Em 2020 apresenta suas obras na Mostra Estratégias do Feminino, Bienal Mercosul e Salão Anapolino de Artes Visuais onde recebe Prêmio do Salão.

Em 2021 é artista convidada do Panorama do Centro Cultural SP .

Eneida nasceu em Salvador, Bahia. Mora e trabalha em São Paulo. Seu atelier instalado no coletivo Condomínio Cultural, Vila Anglo.

 

Tracy Collins (Nova York, EUA, 1963 – vive em Nova York)

Tracy é um artista multimídia autodidata que vive no Brooklyn, Nova York, apesar de ter ganho o BSEE da Brown University em 1985 e trabalhou como engenheiro elétrica no Vale do Silício, Califórnia, por 15 anos. Seu principal meio é a fotografia, com ênfase em arquitetura, fotojornalismo e fotografia de rua. Recentemente, tem trabalhado com animação 3D, vídeo, video mapping, videoinstalação, eletrônica interativa, motion graphics e inteligência artificial. Seu último trabalho em andamento, word (word.threeceelabs.com), é um vídeo multicanal, projeto multimídia iniciado em 2016 que visualiza a linguagem usada na mais recente eleição presidencial dos EUA em uma representação gráfica em tempo real; uma “nuvem de palavras” dinâmica da atividade do Twitter de meios de comunicação, governos, políticos, empresas, acadêmicos, ONGs. Usando inteligência artificial e software que ele está desenvolvendo, esta peça explorará os vieses políticos dos usuários de mídia social (e bots) na campanha presidencial dos EUA em 2020.

 

Erica Ferrari (São Paulo, SP, 1981 – vive em São Paulo)

Artista visual e pesquisadora. Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP). Mestre em Poéticas Visuais do Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA USP). Nos últimos anos produziu objetos e instalações a partir de pesquisa em torno das relações entre arquitetura, espaço e história. Participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior e recebeu prêmios aquisitivos e de produção artística. Das exposições recentes, destacam-se ‘Estratigrafia’ no Paço das Artes, ‘Totemonumento’ na Galeria Leme, ‘Provocar Urbanos’ no SESC Vila Mariana, ‘Estudo para Monumento’ na Funarte, em São Paulo, ‘Interaktion‘ em Berlim, Alemanha, ‘32º Bienal de Artes Gráficas’, em Liubliana, Eslovênia, ‘O que não é floresta é prisão política’, na Galeria Reocupa da Ocupação 9 de Julho – MSTC em São Paulo, ‘Casa Carioca’, MAR – Museu de Arte do Rio de Janeiro e ‘Has always been dystopia’, em Enschede, Holanda. Foi artista residente no Pivô (São Paulo), no Sculpture Space em Utica (Nova York), no GlogauAIR (Berlim), no AREHolland (Holanda) e no AIR Niederösterreich (Krems, Áustria). Colaboradora desde 2017 do MSTC – Movimento Sem Teto do Centro.

 

Giselle Beiguelman (São Paulo, SP, 1962 – vive em São Paulo)

Giselle Beiguelman é artista e professora da FAUUSP. Pesquisa as estéticas da memória na atualidade, com ênfase nas políticas de esquecimento, e os processos de atualização do colonialismo pelas tecnologias digitais. Seus trabalhos integram coleções privadas e públicas, como ZKM (Museu de Arte e Mídia, Alemanha), Jewish Museum Berlin e Pinacoteca de São Paulo, entre outras. Recebeu vários prêmios nacionais e internacionais e é autora de Memória da amnésia: políticas do esquecimento (Edições Sesc, 2019) e Políticas da imagem: vigilância e resistência na dadosfera (UBU Editora, 2021), entre vários outros.

 

 

 

 

Glauco Rodrigues (Bagé, RS, 1929 – Rio de Janeiro, RJ, 2004)

Glauco Rodrigues foi um pintor, gravador e ilustrador, reconhecido pelo tom crítico e, ao mesmo tempo, bem humorado de suas representações do Brasil e da cultura brasileira. Rodrigues começou a pintar como autodidata em 1945, em sua cidade natal. Em 1949, foi premiado pela prefeitura de Bagé com uma bolsa de estudos e frequentou a Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, por três meses. De volta ao Rio Grande do Sul, o artista dedicou-se à gravura, integrando o Clube de Gravura de Bagé, o qual fundou ao lado de outros artistas, e o Clube de Gravura de Porto Alegre. Após se mudar para o Rio de Janeiro em 1958, Rodrigues se dedicou cada vez mais à pintura, aproximando-se, num primeiro momento, da abstração. Nos anos 1960 e 1970, porém, voltou-se para a figuração e sua pintura passou a ser associada com o que ficou conhecido como “tropicalismo crítico” pelo caráter pop das composições. Fazendo referência às narrativas históricas, como o descobrimento do Brasil, e aos signos usualmente associados à identidade brasileira, como o verde-e-amarelo da bandeira nacional, o carnaval e a natureza tropical, além de apropriar-se pontualmente de imagens de artistas brasileiros significativos do século 19, a obra pictórica de Glauco Rodrigues foi marcada pelo uso do humor como tática de abordagem e questionamento dos estereótipos e ideais da brasilidade.

 

Gustavo Torrezan (Piracicaba, SP, 1984 – vive em Piracicaba, SP, e São Paulo, SP)

É artista, pesquisador, educador. Em sua prática artística, volta-se a refletir sobre as estruturas de poder que configuram historicamente as organizações coletivas, bem como suas constituições culturais e identitárias. Realiza trabalhos híbridos nas quais se vale de diferentes materiais e disciplinas para discutir sobre relações de domínio, a partir das quais se modulam os processos de subjetivação da sociedade. Assim, tem interessado em observar o papel do Estado, de seus regimes administrativos, de suas autoridades e instituições. Nesse processo, evoca os campos da sociologia e da geopolítica em suas pesquisas conceituais, fazendo, muitas vezes, uso de símbolos oficiais da nação para tencionar suas conotações. Para além da experimentação com a síntese formal e com procedimentos de revisão simbólica, propõe também o debate sobre os mecanismos de poder em dispositivos do sistema das artes, aproximando-se das questões de arquivo, memória, espaço e lugar. Por vezes, seus trabalhos insurgem de circunstâncias comunitárias específicas e aproxima-se dos processos sociais ligados a uma determinada localidade. Nesse sentido, as noções de colaboração e de dialogia também vêm sendo exercitadas em sua produção.

 

Jaime Lauriano (São Paulo, SP, 1985 – vive entre São Paulo e Porto, Portugal)

Jaime Lauriano se graduou pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, no ano de 2010. Entre suas exposições mais recentes, destacam-se as individuais: Marcas, Fundação Joaquim Nabuco, Recife, Brasil, 2018; Ao Norte do Rio, Sesc Santana, São Paulo, Brasil, 2018; Brinquedo de furar moletom, MAC Niterói, Rio de Janeiro, Brasil, 2018; Assentamento, Galeria Leme, São Paulo, Brasil, 2019; Nessa terra, em se plantando, tudo dá, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil, 2015; Autorretrato em Branco sobre Preto, Galeria leme, São Paulo, Brasil, 2015; Impedimento, Centro Cultural São Paulo, São Paulo, Brasil, 2014; Em Exposição, Sesc, São Paulo, Brasil, 2013; e as coletivas: Vaivém, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo, Brasil, 2019; A Queda do Céu, CAIXA Cultural Brasília, Brasília, Brasil, 2019; Quem não luta tá morto – arte democracia utopia, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil, 2018; Histórias Afro-Atlânticas, MASP e Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil, 2018; The World’s Game: Fútbol and Contemporary Art, Pérez Art Museum Miami, Miami, EUA, 2018; 11ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Triângulo do Atlântico, Porto Alegre, Brasil, 2018; Levantes, SESC Pinheiros, São Paulo, Brasil, 2017; Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, São Paulo, Brasil, 2017; Metrópole: Experiência Paulistana, Estação Pinacoteca, São Paulo, Brasil, 2017; WELT KOMPAKT?, frei_raum Q21, Viena, Austria, 2017; How to Remain Silent, A4 Arts Foundation, Cidade do Cabo, África do Sul, 2017; Totemonumento, Galeria Leme, São Paulo, Brasil, 2016; 10TH Bamako Encouters, Museu Nacional, Bamako, Mali, 2015; Empresa Colonial, Caixa Cultural, São Paulo, Brasil, 2015; Frente a Euforia, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo, Brasil, 2015; Tatu: futebol, adversidade e cultura da caatinga, Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro, Brasil, 2014; Taipa-Tapume, Galeria Leme, São Paulo, Brasil, 2014; Espaços Independentes: A Alma É O Segredo Do Negócio, Funarte, São Paulo, Brasil, 2013; possui trabalhos nas coleções públicas Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, Brasil; Fundação Joaquim Nabuco, Recife, Brasil; MAC Niterói, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil; MAR – Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil; MASP – Museu de Arte de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museu Casa das Onze Janelas, Belem, Pará, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil e Schoepflin Stiftung: The Collection, Lörrach, Alemanha. Com trabalhos marcados por um exercício de síntese entre o conteúdo de suas pesquisas e estratégias de formalização, Jaime Lauriano nos convoca a examinar as estruturas de poder contidas na produção da História. Em peças audiovisuais, objetos e textos críticos, Lauriano evidencia como as violentas relações mantidas entre instituições de poder e controle do Estado – como polícias, presídios, embaixadas, fronteiras – e sujeitos moldam os processos de subjetivação da sociedade. Assim, sua produção busca trazer à superfície traumas históricos relegados ao passado, aos arquivos confinados, em uma proposta de revisão e reelaboração coletiva da História.

 

Lais Myrrha (Belo Horizonte, MG,1974 – vive em São Paulo)

É mestre pela na Escola de Belas Artes, da UFMG (2007) e bacharel em artes visuais pela Escola Guignard, UEMG (2001). Recebeu vários prêmios, incluindo o I Bolsa Pampulha (2003), I Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea, Brasília (2011) e Prêmio Arte e Patrimônio. Participou da Temporada de Projetos no Paço das Artes, em São Paulo, e da 8a Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (2011). Em 2013, participou da 18a edição do Festival Internacional de Arte Contemporânea do Videobrasil e da exposição coletiva Blind Field no Karnnet Museum, Illinois/EUA. Em 2014, realizou o Projeto Gameleira 1971 no Pivô, São Paulo. Apresentou, em 2016, uma obra para um espaço público em New Cities Future Ruins, Dallas / EUA, e esteve na 32a Bienal de Arte de São Paulo com a obra Dois pesos, duas medidas, comissionada pela Fundação Bienal de São Paulo. Em 2017, fez parte da mostra coletiva Avenida Paulista no MASP (São Paulo) e participou, também, da exposição coletiva Condemned To Be Modern | PST: LA / LA. Em 2018, apresentou a obra inédita comissionada pela Fundação Bienal de Gwagju para a 12a Gwangju Biennale e, em 2019, participou da 13a Bienal La Hababa. Em 2020, passou a integrar a exposição Infinito Vão, no SESC, 24 de maio, em São Paulo. O condensador de futuros, projeto de ocupação do Octógono da Pinacoteca do Estado de São Paulo, se deu entre 2021 e 2022.

 

Laryssa Machada (Porto Alegre, RS, 1993 – vive em Salvador, BA)

laryssa machada é artista visual, fotógrafa e filmmaker. nascida em porto alegre – RS (1993), atualmente vive em salvador – BA. constrói imagens enquanto evocações de descolonização e novas narrativas de presente/futuro. estudou jornalismo, ciências sociais e artes; aprendeu um muito com a rua. seus trabalhos discutem a construção de imagem sobre lgbt’s, indígenas, povo da rua – caminhando pela desinvasão brazil.

 

 

 

 

 

Lidia Lisbôa (Guaíra, PR, 1970 – vive em São Paulo)

Lidia tem formação em gravura em metal pelo Museu Lasar Segall, escultura contemporânea e cerâmica pelo Museu Brasileiro de Escultura (MuBE) e Liceu de Artes e Ofícios. A artista participou de exposições nas galerias Fibra, Central das Artes, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e no Goethe-Institut São Paulo. Seu trabalho foi contemplado com o Prêmio Maimeri 75 anos (1998) e II Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-brasileiras (2012). Lidia Lisbôa trabalha com escultura – sobretudo em argila – gravura, pintura, costura e crochê. Sua prática artística desenvolve-se na intersecção entre objeto de arte, performance e ritual, e aborda presente e passado por meio de temáticas autobiográficas, territoriais e ancestrais. Recentemente, foi inaugurada no bairro da Liberdade (São Paulo, SP) uma estátua de sua autoria em homenagem à sambista Madrinha Eunice, como parte de um projeto da Secretaria Municipal de Cultura que celebra personalidades negras da cultura paulistana. Lidia Lisbôa vive e trabalha em São Paulo.

 

Luiz 83 (São Paulo, SP, 1983 – vive em São Paulo)

Luiz 83 é o nome artístico de Luiz dos Santos Menezes. Autodidata, sua formação decorre da experiência adquirida nas ruas da cidade como “pichador”, atividade que ofereceu o princípio de um vocabulário plástico que vem sendo refinado a partir de pesquisas que o artista desenvolve com considerável grau de inventividade em meios mais convencionais como o desenho, a pintura e a escultura. Sua experiência profissional como montador de exposições de arte também lhe oferece a oportunidade de permanecer em íntimo contato com obras de caráter clássico e contemporâneo, oportunidade que resulta em conhecimento sensivelmente assimilado. Em suas obras é possível perceber um concretismo de tipo bastante peculiar e sem dúvida sofisticada nas soluções formais e nos arranjos conceituais e de natureza POP qualidade também percebida através de um cromatismo que em geral privilegia cores brilhantes de luminosidade intensa. O artista também tem se dedicado a performances onde coloca em questão o lugar social do negro e tematiza a relação do corpo com seu fazer artístico e interações com a cidade. O artista participou de várias mostras individuais e coletivas entre quais se destacam a individual “Z” na galeria Tato e as coletivas “Tendências da Street Art” no Museu Brasileiro de Escultura e “Pretatitude: insurgências, emergências e afirmações na arte contemporânea afro-brasileira” nos SESC Ribeirão Preto, São Carlos, Vila Mariana e Santos”.

 

Marcelo D’Salete (São Paulo, SP, 1979 – vive em São Paulo)

Marcelo D’Salete é autor de histórias em quadrinhos, ilustrador e professor. Estudou design gráfico, é graduado e mestre em artes plásticas. Publicou o álbum Cumbe (Veneta, 176 páginas, 2014), que aborda o período colonial e a resistência negra contra a escravidão no Brasil. O livro foi publicado em Portugal, França, Áustria, Itália, Espanha e EUA (Fantagraphics). Cumbe foi selecionado pelo PNLD literário de 2019 para o Ensino Médio, Plano Ler + como recomendação de leitura para escolas de Portugal e premiado no Eisner Awards 2018 na categoria Best U.S. Edition of International Material. Angola Janga – Uma história de Palmares (Veneta, 432 páginas, 2017) trata dos antigos mocambos da Serra da Barriga, mais conhecidos como Quilombo dos Palmares. Angola Janga foi agraciado pelo Prêmio Grampo Ouro 2018, HQMIX 2018, Jabuti 2018 e o Rudolph Dirks Award 2019 (Melhor Roteiro América do Sul). A obra foi selecionada pelo PNLD literário de 2019 para o Ensino Médio. O livro foi publicado também na França, Portugal, Áustria, Espanha, Polônia e EUA. A obra Encruzilhada (Veneta, 160 páginas), relançada em 2016, versa sobre violência, jovens negros e discriminação em grandes cidades.

 

Maria Laet (Rio de Janeiro, RJ, 1982 – vive no Rio de Janeiro)

Maria Laet nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1982, lugar onde vive e trabalha. Ela mostra seu trabalho individualmente desde 2010. Participou das Bienais: 33a Bienal de São Paulo: Afinidades Afetivas (2018); e 18th Biennale of Sydney: All Our Relations (2012). Realizou a exposição individual Quase um nada, como parte do projeto OTIUM#4 do Instituto de Arte Contemporânea Villeurbanne/ Rhône-Alpes. França (2019). Participou de exposições coletivas como I Remember Earth (Magasin des Horizons, Grenoble, França, 2019); Matters of Concern (La Verrière, Foundation D’entreprise Hermès, Bruxelas, Bélgica, 2019); Cosmogonies, au Gré des Éléments (MAMAC, Nice, 2018); Video Art in Latin America (LAXART, Los Angeles, 2017); La Vie Aquatique (Musée Régional d’Art Contemporain, Occitanie/Méditerranée, França, 2017); The Valise (The Museum of Modern Art, Nova York, 2017); Tangentes (MSK, Gent, Bélgica, 2015); Encruzilhada (Parque Lage, Rio de Janeiro, 2015); Rumors of the Meteore (49 Nord 6 est – Frac Lorraine, Metz, França, 2014); Everydayness (Wyspa Institute of Art, Gdansk, Polônia, 2014); From the Margin to the Edge (Somerset House, Londres, 2012); Convite à Viagem (Rumos Itaú Cultural, São Paulo, 2012); e O Lugar da Linha (Museu de Arte Contemporânea de Niterói e Paço das Artes em São Paulo, 2010). Sua obra integra as coleções do MAM, Gilberto Chateaubriand, Rio de Janeiro; MAC Niterói; 49 Nord 6 est – Frac Lorraine, Metz, França; MSK, Gent, Bélgica; MAR, Rio de Janeiro; Colección Patricia Phelps de Cisneros; e MoMA, Nova York.

 

Marina Camargo (Maceió, AL, 1980 – vive em Berlim)

O trabalho de Marina Camargo está baseado em pesquisas que se concretizam em desenhos, instalações, esculturas e vídeos. A noção de deslocamento presente em suas pesquisas refere-se tanto a um sentido de deslocamento físico quanto conceitual, como deslocar a percepção para além dos códigos e convenções e assim provocar distúrbios numa ordem estabelecida.

A relação com espaços e lugares é fundamental para o pensamento da artista: memória, migração, elementos da cultura material (imagens encontradas, arquivos), dimensão histórica da paisagem, a natureza construída /a naturalização de paisagens artificiais, são alguns dos temas que permeiam o seu trabalho. Os mapas, recorrentes em seu trabalho, também indicam uma relação direta com espaços e lugares. No ato de mapear um espaço, ocorrem uma série de escolhas, distorções e apagamentos que revelam a presença de mecanismos de poder. Com seu trabalho, Marina Camargo altera não apenas a forma de continentes e fronteiras, mas principalmente busca provocar distúrbios em narrativas estabelecidas.

Marina Camargo estudou artes visuais na UFRGS, em Porto Alegre, e na AdBK (Munique, Alemanha). Atualmente vive em Porto Alegre e Berlim.

Em 2013 publicou o livro de artista “Como se faz um deserto“, onde investiga as origens e o contexto do sertão brasileiro. Em 2019, o catálogo “Marina Camargo: Der Ort danach | O lugar depois” foi publicado na Alemanha, reunindo diversos textos e registros de sua produção. Obras da artista fazem parte das coleções do Museu de Arte do Rio, MARGS, Centro Cultural São Paulo, MAC-RS, Museu de Arte Aloísio Magalhães, entre outras.

 

No Martins (São Paulo, SP, 1987– vive em São Paulo)

A produção de No Martins articula as linguagens da pintura, instalação e performances , através das quais Martins investiga as relações interpessoais cotidianas, principalmente a convivência da população negra no cotidiano urbano, questionando conflitos sociais como o racismo, a mortalidade por violência e o superencarceramento da população brasileira. Seus trabalhos estão em coleções de museus como MASP – Museu de Arte de São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Inhotim e Museu da Escravatura, Luanda – Angola.
Entre suas exposições mais recentes destacam-se as individuais: Encontros Políticos na Galeria Mariane Ibrahim em Paris – França; Social signs na Jack Bell Gallery em Londres – UK (2020); Tudo sob controle, no 29a Programa de exposições do CCSP (Centro Cultural São Paulo), em São Paulo – Brasil (2019); Aos que se foram, aos que aqui estão e aos que virão, no Instituto Pretos Novos, Rio de Janeiro – Brasil (2019). E as mostras coletivas: The discovery of what it means to be Brazilian, na Mariane Ibrahim Gallery, Chicago – USA (2020); 21a Bienal de arte contemporânea Sesc VideoBrasil, na qual recebeu o prêmio Sesc de arte contemporânea, (2019); e Histórias Afro-atlânticas no MASP (Museu de Arte de São Paulo) e ITO (Instituto Tomie Ohtake), São Paulo – Brasil (2018).

 

RODRIGUEZREMOR
Denis Rodriguez (São Paulo, SP, 1977 – vive em Igatu, BA)
Leonardo Remor (Estação, RS, 1987 – vive em Igatu, BA)

Como duo, nosso trabalho interroga fronteiras impostas visíveis e invisíveis, como a separação de natureza e cultura, de arte contemporânea e arte popular, de arquitetura moderna e arquitetura vernacular, de tecnologia e para-tecnologia, de artista e crítico, de curador e pesquisador, de autoria e colaboração. Divisões, binariedades que nos afastam de nossa integridade e da matriz complexa da vida, na qual forças contraditórias e complementares se revezam e se fundem. Atualmente, duas questões permeiam nosso trabalho, a primeira, materiais e materialidade e, a segunda, práticas artísticas/culturais e a produção de obras para o sistema da arte.
Nos últimos anos, a partir de imersões em diferentes contextos e territórios, e elegendo materiais dos mais diversos, mas principalmente o barro, tentamos expandir o conceito de sustentabilidade, para além da lógica do consumo e da produtividade – e em aliança com outros modos de vida. Desenvolvemos pesquisas e trabalhos que investem em uma mirada crítica à colonialidade (principalmente a acadêmica), exaltamos a sabedoria ancestral da relação do humano com a natureza, através de práticas artísticas que se asseguram no uso de materiais não nocivos à vida e que não produzam resíduos não recicláveis. Assim realizamos ações e diálogos que resultam em filmes, fotografias, objetos e instalações que se utilizam de metodologias, conceitos e reflexões vindos da Antropologia com o objetivo de questionar a etnografia ocidental que documenta, descreve ou narra uma prática cultural, apenas sistematizando, sem reconhecer esse conhecimento ancestral como alternativa sustentável ao mundo em colapso resultante das ideias de modernidade e progresso.

Denis Rodriguez e Leonardo Remor são artistas, curadores e pesquisadores. Refletem sobre o binômio Arte e Natureza em projetos que voltam seu olhar ao campo, à terra e à transmissão de conhecimento e tecnologias ancestrais de criadores populares e dos povos originários do Leste da América do Sul. Desde agosto de 2020 residem em Igatu, Chapada Diamantina, Bahia, onde fundaram o Mirante Xique-Xique, uma parainstituição que promove residências de pesquisa em diferentes áreas: meio ambiente, arquitetura, culinária e artes. Através de atividades culturais, intercâmbios e educação ambiental, a organização não governamental, sem fins lucrativos, tem como missão a salvaguarda do patrimônio arquitetônico e imaterial da região.

 

Sérgio Lucena (João Pessoa, PB, 1963 – vive em São Paulo)

Interessado por assuntos dos mais diversos, Lucena ingressou e, depois, abandonou ainda inconclusos os cursos de bacharelado em física e psicologia, ambos na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa. Em 1982, deu início ao estudo de técnicas de desenho e pintura com o artista Flávio Tavares (1950). Passou um período na Chapada dos Guimarães e, no seu retorno à João Pessoa, em 1988, começou a conviver com o ideário do Movimento Armorial, de Ariano Suassuna, que valorizava as expressões populares e seus mitos fundadores, o que influencia consideravelmente os primeiros anos de sua produção. É nessa fase que começou a pintar a óleo.

O ponto de partida de seu trabalho pictórico residia na representação de seres inventados e fantasiosos. As figurações típicas deste início de carreira faziam referência ao fantástico imaginário nordestino, no qual já se identificava o interesse presente e permanente que atravessa toda sua trajetória: a complexa e misteriosa relação entre a luz e a sombra. Ao mudar-se para São Paulo, em 2003, começou a se dedicar à pintura de deuses, seres híbridos ou quimeras que, aos poucos, foram dando espaço à pesquisa luminosa que tem tomado conta de sua produção por quase duas décadas.

Desde então, a pintura de Lucena (sempre sensível às forças da natureza), revela sua referência direta às paisagens do sertão, resgatadas de suas memórias de infância, em telas geralmente de grande formato que sugerem paisagens com um horizonte a perder de vista. Em trabalhos mais abstraídos, a linha horizontal se dilui em campos de cor, de delicado gradiente infinito. Como um verdadeiro convite à contemplação da imensidão e variedade dos reflexos de suas luzes coloridas produzidas a partir de uma gama imensa de pigmentos, suas pinturas são construídas com muito acúmulo de matéria, carregando um peso de tinta que parece contradizer a leveza e fineza das rarefeitas pinceladas e velaturas que ele aplica sobre as telas.

Ao longo da sua carreira, o artista participou de numerosas exposições, no Brasil e no exterior. Dentre as principais instituições pelas quais passou estão: a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP), o Museu Nacional da República, em Brasília, o Centro Cultural dos Correios (em Brasília, Rio de Janeiro e Salvador), o MuBE-Museu Brasileiro da Escultura (São Paulo) e o Centro Cultural São Francisco e Núcleo de Arte Contemporânea, ambos em João Pessoa. Realizou também, workshops, intercâmbios e residências artísticas na Dinamarca, na Alemanha (Berlim) e nos Estados Unidos (Washington e Seattle). Dentre as publicações, podem-se destacar o catálogo raisonné, de 1999, e o livro Projeto Deuses, com a série de pinturas de mesmo nome, lançado em 2007. Além disso, recebeu premiações nos principais salões de arte do país e, em 2012, foi premiado pela Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) com o Prêmio Mário Pedrosa, na categoria Artista Contemporâneo.

 

Sidney Amaral (São Paulo, SP, 1973 – idem, 2017)

Sidney Amaral foi artista visual e professor de artes na rede pública de ensino. Através de diversas linguagens, dedicou-se tanto à exploração subversiva dos signficados pelo deslocamento material e contextual de objetos, quanto à abordagem de temas étnico-raciais, incluindo a condição da população negra e, em particular, do homem negro no Brasil, abordada, muitas vezes, por meio de seu autorretrato. Sidney Amaral iniciou sua trajetória na década de 1990, quando estudou no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, na Escola Panamericana de Artes e na ECOS Escola de Fotografia. Em 1998, formou-se em Educação Artística pela Fundação Armando Álvares Penteado. No ano seguinte, foi aluno da artista Ana Maria Tavares (1958-) no curso de orientação e desenvolvimento de projetos artísticos do Museu Brasileiro da Escultura e da Ecologia. Em 2001, realizou sua primeira exposição individual no Centro Cultural São Paulo. Sua obra recebeu reconhecimento relevante, como o II Prêmio Funarte de Arte Negra e a residência artística no Tamarind Institute (Novo México, EUA) em 2012, e participou de importantes exposições, a exemplo de “Histórias Mestiças” (2014) no Instituto Tomie Ohtake, e “Diálogos Ausentes” (2016-2017) no Itaú Cultural. No início de 2017, Sidney Amaral foi diagnosticado com um câncer pancreático, que, em poucos meses, levou-o a falecer prematuramente.

 

Tadáskía (Rio de Janeiro, RJ, 1993 – vive entre o Rio de Janeiro e São Paulo, SP)

Tadáskía (n. 1993, Brasil) é uma artista e escritora negra e trans radicada no Rio de Janeiro e em São Paulo. Seu trabalho em desenho, fotografia, instalação e têxtil mobiliza histórias, geografias e as relações materiais e imateriais que podem surgir entre o mundo e os seres vivos. Através de sua prática, ela busca elaborar também as experiências visíveis e invisíveis da diáspora negra, resultantes de encontros familiares e inusitados. Tadáskía já expôs no Museu de Arte do Rio, Paço Imperial e EAV Parque Lage, no Rio de Janeiro; no Framer Framed, em Amsterdã; no ISLAA em Nova York; no Triangle Astérides em Marselha; na Madragoa, em Portugal; e na Sé, Pivô, Auroras e na Casa de Cultura do Parque, em São Paulo.

 

 

 

Xadalu Tupã Jekupé (Alegrete, RS, 1985 – vive em Porto Alegre, RS)

Xadalu Tupã Jekupé é um artista mestiço que usa elementos da serigrafia, pintura, fotografia e objetos para abordar em forma de arte urbana o tensionamento entre a cultura indígena e ocidental nas cidades. Sua obra, resultado das vivências nas aldeias e das conversas com sábios em volta da fogueira, tornou-se um dos recursos mais potentes das artes visuais contra o apagamento da cultura indígena no Rio Grande do Sul. O diálogo e a integração com a comunidade Guarani Mbyá permitiram ao artista o resgate e reconhecimento da própria ancestralidade. Xadalu tem origem ligada aos indígenas que historicamente habitavam as margens do Rio Ibirapuitã. As águas que banharam sua infância carregam a história de Guaranis Mbyá, Charruas, Minuanos, Jaros e Mbones — assim como dos bisavós e trisavós do artista. A obra feita para o Clube de Colecionadores apresenta uma cabeça indígena, tal como aquelas esculpidas na base na catedral de Porto Alegre, que simbolizam o domínio do cristianismo sobre a cultura indígena e o extermínio dos povos originários. Em guarani o artista escreve “Existe uma cidade sobre nós”, em clara alusão ao território indígena soterrado e aos vestígios arqueológicos encontrados na região.

 

Serviço

Museu de Arte Moderna de São Paulo
37° Panorama da Arte Brasileira – Sob as cinzas, brasa

Curadoria: Cauê Alves, Claudinei Roberto da Silva, Cristiana Tejo e Vanessa K. Davidson
Período expositivo: 23 de julho de 2022 (a partir das 13h) até 15 de janeiro de 2023
Correalização: MAM e Sesc
Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo
Endereço: Parque Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portões 1 e 3)
Horários: terça a domingo, das 10h às 18h (com a última entrada às 17h30)
Telefone: (11) 5085-1300
Ingresso: R$25,00 inteira. Gratuidade aos domingos.

Meia-entrada para estudantes, com identificação; jovens de baixa renda e idosos (+60). Gratuidade para crianças menores de 10 anos; pessoas com deficiência e acompanhante; professores e diretores da rede pública estadual e municipal de SP, com identificação; sócios e alunos do MAM; funcionários das empresas parceiras e museus; membros do ICOM, AICA e ABCA, com identificação; funcionários da SPTuris e funcionários da Secretaria Municipal de Cultura.

 

Museu Afro Brasil
37° Panorama da Arte Brasileira – Sob as cinzas, brasa

Período expositivo: 23 de julho de 2022 até 23 de outubro de 2022
Horários: terça a domindo, das 10h às 17h. Quarta gratuito.