FAAP na coleção do MAM: a formação do artista aborda o modo como ambas as instituições irradiam saberes, abrigam rupturas e acompanham os movimentos da arte brasileira. Ao mesmo tempo, reafirma a formação como uma travessia contínua, seja no ensino formal, como na graduação ou na pós-graduação na FAAP, seja a partir de processos de mediação cultural dos museus, como o Educativo MAB e o MAM Educativo, sendo ampliada pelos processos de residência artística, no Brasil e no exterior, programas realizados por ambas as instituições. Mais do que compreender a formação como aprendizado teórico, técnico e de linguagens artísticas, trata-se de estimular o diálogo com o mundo contemporâneo e o contato direto com a arte.
A exposição é um convite para que o público perceba as ressonâncias e as potencialidades da relação entre museu e escola. No Salão Cultural do MAB FAAP, habitado pela coleção do MAM, é possível reconhecer, em cada conjunto de obras, o diálogo entre as diferentes gerações que passaram pelos cursos vinculados à Fundação e que estão presentes tanto na história da arte contemporânea como na coleção do Museu. A formação em arte é um campo de invenção contínua em que o pensamento e o ensino se renovam mutuamente, sempre em movimento.
O recorte curatorial destaca artistas que passaram pela FAAP – como estudantes ou como professores – e cuja presença no acervo do MAM revela o entrelaçamento de percursos. Cada obra testemunha como o Museu acolheu, reconheceu e projetou práticas que, em muitos casos, tiveram seus primeiros ensaios nos ateliês e nas salas de aula. Assim, a mostra desenha um circuito afetivo e histórico: da formação inicial ao reconhecimento institucional, do ambiente escolar ao espaço museológico.
Articulada em três núcleos – alunos, professores e artistas residentes –, a exposição propõe um percurso sobre o período de três décadas de existência dos cursos de artes visuais, de uma perspectiva da formação e da experiência resultante dos processos acadêmicos e institucionais, mas também das trocas sensíveis a partir da vivência na residência artística no estúdio 1422, mantido pela Fundação desde 1997 na Cité Internationale des Arts, em Paris.
Ao reunir obras e trajetórias que atravessam as duas instituições, a exposição evidencia a formação artística como um processo contínuo e relacional, marcado pela circulação de saberes, experiências e histórias entre escola e museu: formação, produção e difusão.
Cauê Alves
Curador-chefe do MAM São Paulo
Marcos Moraes
Diretor-geral MAB FAAP
É mestre e doutor em Filosofia pela FFLCH-USP. Professor do Departamento de Artes da FAFICLA-PUC-SP, é curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo e coordenador do grupo de pesquisa em História da Arte, Crítica e Curadoria (CNPq). Publicou diversos textos sobre arte, entre eles no catálogo Mira Schendel (Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Pinacoteca de São Paulo e Tate Modern, 2013). Foi curador-chefe do Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE, 2016-2020), curador assistente do Pavilhão Brasileiro na 56ª Bienal de Veneza (2015) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011).